mardi 28 mars 2017

Sacos + Bóias Crocodilos - Instalam *Motor-Homes* - Alberto Velho Nogueira, 1993 - Primeiras páginas

Distorcido na horizontal metido num oleado, mãos com terra, olhos fechados, morto por ter feito parte de gente com idade militar. Armas da última guerra, emagrecem. Faltam mantimentos, respiram pelo mais estreito, escondem as caras para que não os identifiquem com armas, nervo estoirado. Sobre a mesa, sem mexerem, mortos, outros deambulam pelas ruas para serem apanhados por balas. Capacete de quem conduz tank, engenho com força motora. Outros descem ao fundo do poço, procura de carvão, escravos da própria descida, os ares com poeiras, asfixia começa à superfície quando mudam de roupa, preparam a descida, enquanto à superfície se escondem os que têm armas. Atravessam a rua durante o dia, caras não visíveis por taparem-nas, têm vida exterior, sopro, correria, atingem espasmos, despem-se à noite, distorcidos cobertos de poeira de carvão, capacete. Cidade constrói-se com gente em actividades profissionais, outros nas ruas combatem, linha, território, bandeira, armas. Carregam objectos com data, obstruem buracos, fecham-se no subterrâneo, perduram no escuro, falam por terem as mãos a baterem nas pernas, outros à superfície despem-se na sala dos banhos, barrigas inchadas com os excedentes de comida, os defeitos dos distorcidos correspondem às idades, ao esforço de respirarem silicose, ar rarefeito para que se desfaçam, se tornem mais pequenos de dia para dia, estreitos no que cada cabeça elabora sem estarem diante de gente que os olhe. As unhas com carvão, distorcidos lavados depois de terem subido, de terem visto que nada é feito para eles a não ser o ar, não combatem por saírem da mina de carvão pelo ascensor. Inventário das caixas onde têm objectos que lhes pertencem, uso pessoal para que não se esqueçam do que se estraga com a profundidade, mental parado. Nenhuma actividade, o peso conta na horizontal, nas mesas, mortos. Cadeados fecham as portas, demoram-se a retirar os apetrechos da descida da massa de que são feitos, enquanto outros demoram a estudar o traçado da cara, a existência dos olhos. Outros na extremidade da rua para acertarem na coxa do que atravessa a rua. Uso das línguas não serve senão para modificar a pronúncia, o timbre, a gesticulação, abertura das bocas para se dizer um comportamento dos que se desviam das sensações repentinas para caírem num amorfo, na estagnação do paleio na boca, distorcidos sentados do esforço na mina, ritmo cardíaco acelerado à superfície. Planos do que se vê até desistirem de saber o que se vê e para quê, para quê, para que se despem antes da descida. Roupas revelam o que respiram, as marcas de carvão, as gorduras das refeições de batata e pão. Vieram de casa para edifício, de edifício onde foram examinados para edifício onde os internam depois de virem do buraco com luz no capacete, outros modos de produzirem sensações, aberrações entre dedos fechados das mãos em descanso. Nada trabalha, cérebro parado com a respiração da silicose, pulmões enchem-se para nenhum efeito. Nada que se veja na roupa, pregas dobradas para sentar-se na cadeira e tirarem-lhe a fotografia exacta, cara exacta, não mexe, funciona pelo que lhe pedem, fotografia indica-o quieto, feito perto do oceano, pele irritada pela esfrega da toalha. Prepara-se para a fotografia, pregas do quimono, dobras da roupa, sombras transmitem correntes onduladas, marcas simétricas, geometria do que lhe sai do distorcido sentado. Cara escorre água, humidade do que se senta para que o vejam reproduzir sombras, monotonia, homem sentado aparenta sentir o próprio distorcido, a mancha de cada sombra, a respiração ofegante até à paragem quando o fotógrafo lhe diz que não mexa. Pregas abrem-se em leque, sombras projectam-no sem acção, nem nos lábios, nos olhos que os tem sem carvão, limparam-no depois de o terem visto, braços abertos para lhe lavarem os sovacos, geometrias dele, homem sentado tem mental parado pelo ataque cardíaco. Manga em ângulo recto terá braço dentro, informação articulada, memória de cada respiração, do metal no articulado dos membros, na irritação dos músculos que aguentam a fase fixada do que se obriga à pose pelo fotógrafo, sem apoio, braço em ângulo recto, plissado composto, nada que exprima o que vê, o que pensa, a intensidade do carvão nos pulmões. Puseram-lhe como obrigação uma chávena na mão ponta do braço, que agarre o que se dispõe na ponta do braço, líquido por arrefecer, colher ausente. ënfase dos tornozelos, nenhuma dobra da espinha, humano representa-se com a boca fechada e chávena na mão para aguentar a irritação, o descontrolo, até ao gritar e ao despejar do saco saia com plissados, tecido circular aberto com plissados para que se controle. Nervos constituem estalos, articulações sem que haja vento na sala, ao ar livre, num canto da rua entre armas, correria de gente sem plissados. Visto por alguém disponível, acaba a função ao fim do dia depois de o verem despir a roupa marcada pelo carvão, envolve as gorduras debaixo do duche. Na cadeira para ser visto pelos olhos que percutem atenção, nervosismo, nenhuma asfixia, ver-se envolvido em tecido com plissados, ouvidos abertos ouvem zumbidos, falas que se lhe dirigem. Junto dos armários prepara plissados para a fotografia. Entre quantos elementos se dá o dia, para que serve correr de arma na mão para acabar na fossa comum, lavado ou com carvão, nu ou com plissados. Olhar fá-lo ter espaço, visibilidade aumenta com a luz do flash, distingue as distâncias de cada objecto, faz-se maior do que é, aumenta de volume com os plissados, distorcido tapado, mostra-o a quem quiser vê-lo, despe-se quantas vezes por dia. Atravessa rua com gente, conta-a, indica-se com gente, tecido plissado sobre o distorcido, não possui gases, não tem digestão. Assimila os gestos dos transeuntes, é cópia. Sabão na boca, lavado por dentro, bolhas, sentado para a fotografia, sociedade igual faz gente igual com silicose, ar mal respirado, auxílio de tubos sob pressão, sob controlo dos aparelhos até ao gestual dos que vê na rua. Ångulo de vista, retém o maior ângulo, enfia-se na gente para se multiplicar pelos que vê, dilui-se na força de cada, é plissado próprio para fotografia e reprodução do mesmo, parecido com o precedente. Nasceram cópias, vista sobre objectos que pertencem às casas, ao harmónico das minas, ao organizado. Tabuletas indicam cidades, onde vão arranjar organização para o todo com silicose. Deitaram-lhe terra para os olhos, mostraram-lhe o fecho, indicaram-lhe como a outros a maneira de se proteger contra os que deitam terra para os olhos, capacete de couro na cabeça, meteram-no num tank para que se destrua, buraco é causa de morte com capacete de couro, mãos sobre o tronco, mortos têm horizontal. Para que o pusessem na produção de nomes, de factos, nenhuma sensação a não ser irritação, multiplicação dos plissados, nervos não aguentam sem gritar, sem ver o que lhe marcam na cara com luzes, como transformam a cara de cada. Inclinação do distorcido apesar de sentado, braço endurecido, qual o mecanismo, defeito da máquina, ter vivido sem dar por isso, sem saber como se desenvolve o interno, o que se guarda para se ver com carvão ou na horizontal até desaparecer enrolado em tecido, metido em plissados com sombra própria para que lhe vejam escorrer uma gota de suor pela cara, face contrária ao fotógrafo. Gota no meridional da cabeça estando o norte fixado nos olhos, no ponto mais alto da captação, no rudimentar de cada actividade. Percorre com movimentos lentos da cabeça a massa de gente, conta os que estarão mortos dentro de 40 anos, gente a incinerar é actividade dos dias. Horizontais não falam, não mexem, não soletram, respiraram silicose. Acabou o fascínio da pele antes da lavagem, partículas de carvão nos olhos. Sem se determinar, sem que mostrem a que estão habituados, a que móveis, a que interiores, gente como ele vê de olhos fechados, murmúrio ocupado a estalar sem gesticulação, andam por andar, mexem-se para ocuparem lugar na economia. Preparam-lhe os óculos, limpam-lhos para que não haja reflexos na fotografia, o que se vê fotografa-se, retira-se dele para se fixar à chapa, aos engredientes da gente que se multiplica sem que o sinta. Sente um de cada vez, nascem reproduções dele nos outros, ele nele, na fotografia, ausência de desastre no comportamento dos que passam como ele, ninguém lhe prepara a fotografia, faz de fotógrafo como de fotografado. Onde existem aparelhos há compras, retenção de caras, fixação do mesmo, reprodução das caras. Nenhuma extremidade à vista a não ser as mãos, uma delas agarra a chávena, temperatura na evaporação. Até ao toque dos dedos dos pés sem que alguém veja, os movimentos sentem-se debaixo dos tecidos na vibração da chávena, pára cada movimento para se auto-fotografar, resíduo com pontualidade no olhar, cada momento diferente do seguinte. Diz o que vê, de cada vez uma nova maneira de olhar, clichés seguidos para reparar nas atrocidades, nas correntes de gente com anúncios, lugares comuns do que se vê, ele com quimono sem olhar para o interior, para interiores, vista gasta-se numa laca, no escorregadio, na gordura do nu com carvão, agarrado à máquina e sem controlo, quantos são. Desfoca o ocular, mexe-se por toques, atiram terra para cima dele, foi distorcido sem tatuagens a manobrar na mina. Fixaram-no ao carvão por ter atracção pelo desenho, deitaram-no para medi-lo, pesá-lo, decifrarem olhares acumulados no cérebro, ainda na corrente dos pulmões ou em cada poro, enquanto flash dispara pelos próprios dedos, homem fotografado é bloco de gesso, plissados sobre a mesa. Olha para a passagem estreita da casa, há corredor, ajuda da mulher à rapariga, membros emagrecem a olho nu, saliência dos lábios. Inocularam produtos para que se aguente de olhos abertos, mão pende, dedos longos. Outros nas camas abriram janelas por estar calor e haver humanos ajudados por mulher, outros nas camas obedecem ao dia, ao desenvolver do mais interior que se declara pelo lábio seco, pelo pedido de água, trouxeram vasilhas, copos para que bebam. Aglomeram-se vários por quarto ou prolongamento do corredor, humanos para os quais se olha de batas brancas, local expande-se pelos extremos inertes sobre camas, cobertos de branco, refracção maior, afastamento do calor, saliências oculares com retinas escuras, mais escuras por falta de contraste à luz. Fixam-se num espaço com moscas, pássaros desfeitos por animais caseiros, restos de comida no chão onde põem os pés nus; arrastam os que estão fora das camas, uns de cócoras sobre as camas, outros de pernas traçadas, abertas, direitas, há de tudo, memória para que se dedique à apreciação da doença nos distorcidos. Sem ajuda não saem do mesmo local, medem-se por cada dia em cada local, contam os locais para que se digam com órbitas abertas, ocular saturado pela luz do dia. Apreende-se com um sexo, desenvolvimento do mais interno, daquilo que se diz infiltrado na cabeça, desejo de se afirmar e esquecer. Braços nus, distorcido coberto enquanto afirma ela própria o que se desenvolve depois da fraqueza do distorcido, deitada ou de pé, distorcido de pés nus ou magro nu, fora do corredor transformado em quarto. Fixação do olhar na observação de cada objecto, de cada ideia que a absorve. Recuo da cabeça, golpe desvia-a do mesmo, envolve paisagem a partir do local onde estenderam pessoas pelo corredor, falta de quartos, manipulação do humano entre batas. Meteram-lhe os pés na bacia que serve para todos, toalhas lavadas fora do corredor, alguém ajuda. Entra num recinto semelhante a feira onde chegam humanos. Motos em poços da morte, lâmpadas pintadas penduradas em fios, intensidade nenhuma do que se passa, vivem a lentidão com membros magros, falsidade dos gestos, nenhuma conversa, cruzam-se sem se verem, vêem-se fora do local onde se despem para entrarem nas camas, distorcem-se pela linha da cintura, quebram pelo meio, não se aguentam de pé, apoiam-se às camas a não ser que desapareçam por serem seres a mais no corredor. Outros vieram ver, ocupam a vista no ver, preenchem locais sem que precisem deles, abandonam-nos logo que os empurram para fora. Falam por sinais, abreviaturas, movimentos das cabeças, asperezas, silêncio e convexidade das palavras, duração de cada pronúncia, saída lenta de cada palavra para que leiam nos lábios, na presilha junto dos bolsos, no alargar dos dedos das mãos, na flutuação da cintura para baixo. Ocular desfocado, ouvido tapado para escaparem aos guinchos, aos preparativos da fala onde começa outra frequência, dessintonização das frequências. Ocupam lugar social, pertencem à administração, abandono da cabeça para que a divisão fique isolada dos olhares, da indiferença do todo. Raspa o vidro com a unha, vê para além do lugar onde a puseram, nasceu para se desviar dos outros, pés nus, distorcido estreita com as roupas, abre os braços para que a agarrem pelos sovacos, lhe suportem o peso até ao sítio onde adormece, abre os olhos, defeca, brilho das retinas, fixação do mais perto do chão, cabeça inclina-se para o chão por ser elástica; tem membros e elasticidade, pertence ao que se marca e desmarca por dia. Lugar indica aos que a olham que vive por ocupar o lugar de pé ou deitada ou sentada, no exterior ou no interior, sem gestos sem fala, antes preparação de cada sílaba para sentir esforço dos lábios, corrente de ar na garganta até à vibração do ar, percurso do som em frente da boca. Intervenção dela na hora do lusco-fusco com cores sobre os lábios, contornos de cada anúncio luminoso, publicidade na frente dela entra pelo distorcido, estampa-se nos olhares, no interno, até gastar-se junto do estômago, nos interstícios, cada órgão participa na publicidade, efeito do menos activo, quanto menos activo mais infiltrado. Recua no corredor até apanhar a diminuição da claridade, esconde-se no começo da noite, ver as letras desaparecerem dos olhos, incaptadas, prolongamento das dores dos intestinos, frequências produzem assobios, frequências destroem ouvidos, fazem vibrar os lábios. Põe-lhe a mão sobre o ombro, segue-se a posição dos braços debaixo dos sovacos, aperto dos gânglios da rapariga, braços esticam com os volumes das mãos debaixo dos sovacos, aperto na zona superior dela junto do pescoço, não manipulação dos ombros, nenhum gesto da cabeça, cabeça inerte ao contrário dos que a vêem ferir-se nos objectos, nenhum maior do que 10cm, mediram tudo, inventário do que circula diante dela, pela mão dela ou pela mão de qualquer que saia da cama e que desloque os objectos dela ou de qualquer outro, espalham objectos com a correspondente função para que saibam a que estão forçados durante o dia, de noite dormem se os deixam, forçados ao corredor, lavagens a que são obrigados. Falam, se falam circulam, agitam-se, se os param de falar, se os proíbem, não há agitação, prepara-se o lusco-fusco, a vista apaga-se para seguir as curvas das coxas, a gesticulação, a abertura dos lábios para que não pronunciem. Diminui a luz, aproxima-se de volumes que desaparecem sem que os identifique, bacias sem líquido, esmalte estalado, corrupção de cada gesto com cansaço. Perca da luz imediata, último esforço da parte clara do dia antes que outros caiam nas mesas diante dela. Colocam o que tem capacete de couro sobre a mesa tão comprida como o distorcido dele apertado pelo capacete, condutor de tank, percurso militar do que tem terra sobre a cara quando morto. Arranjam-lhe a cara, se estivesse vivo sacodia a terra ele próprio, repulsa, expulsão do exterior sem lugar junto da cara. Cara mexe-se, sacode a terra, baba-se, abre lábios, abre lábios, dia em lusco-fusco, descobre quem está por perto, homens de arma perto dos olhos, preparados para atirarem contra o que mexe, ele mexe ríspido, membros superiores gesticulam medo, afastam obstáculos, movimentos inúteis propícios ao indeciso dos outros, quanto mais gestos menos decisão, apertam gatilho, explode qualquer máquina, arma dura, projéctil liso. Indicações de lugares percorridos por ele, tabuletas toponímicas, aspectos do paisago onde habitou para esquecer-se, habitou para apagar o que fixava no ocular, no interno sem palavra, nos lábios dela com braços estreitos entre corredor e paisago com gente de pele marcada pelo carvão. Saíram da mina, despem-se nos balneários para o duche, barrigas, cus, gorduras envolvem os órgãos, medem-se aos palmos, cintas cercam a gordura, acumulam o que lhes falta, são sinónimos de coisa sem explicação, anunciam-se nas minas, martelam, percorrem galerias para serem iguais ao carvão, pertencem ao escuro com vista toupeira. Traços de carvão no chão, partículas riscam, visibilidade nova, abrem as luzes para se verem GƒRDOS com armas nas mãos, percursos à noite com tanks, manobras se querem controlar o que se passa, como os obrigam, os olhos com carvão têm maior brilho não apanham nada, não servem para nada, olhares não sugam o superficial, não escapam às dores no corredor. Vieram ver a rapariga apoiada nos braços de alguém GƒRDO, pressão debaixo dos sovacos. Falam dos que se despem, pertencem ao mesmo grupo, não falam para não se identificarem pelo timbre, pelo gosto de cada enquanto comem, enquanto vistos a comer com olhar fixado nas manchas de carvão, outros nos pratos de zinco, outros com olhares desviados para as bacias de esmalte, sem que sejam mais conhecedores do que resta a ver, das pessoas a descobrir de olhar aberto, retina sem impressão ocular. Desfocagem da vista provoca distúrbio, vertigem, ar pelos orifícios durante o plausível da noite. Enlaçam o pescoço com fios, as partes redondas sem pregas, partes de cada a enrolar para que apareçam escondidos, presos a qualquer coisa sem que haja ligação a zonas, a periferias. Bancos de escola, obediências irregulares, dedos metidos nos órgãos para sexualidade, sovaco serve para ponto de apoio quando alguém nos desloca para onde há bacias sem líquido. Percurso a fazer tem indicações a verde flúor nas paredes, guiam-se pelo mais fluorescente. Seguem-se as horas, ocupam horas pela contagem de cada sopro, inspirações expirações, somam-se nas galerias ou no quarto/corredor, somam ao que os outros vêem. É feita do que lhe dizem, não do que vê ou guarda, persistência de cada gesto só para fora, para fora, para o exterior de cada no corredor, outros têm olhos vidrados fixos. Feita de vazio ocular, retina sem abertura, zona do sovaco é sensível sendo a única onde se apoiar nos braços de alguém que a transporta para perto da bacia sem líquido. Vontade de urinar, sensação ocupa-lhe o cérebro, vê letreiro com o nome da cidade onde esteve, vontade de urinar nos mesmos sítios, ligada à mesma localidade, pés no chão, presa por fios à bacia sem líquido, enchida depois do esforço. Abrir as pernas ao começar o jacto, esforço seguido de dilatação. Desfocada na cadeira, no banco, despejada de intenções, deslocam-na quando podem, preparam-na com minúcia a que diálogo. Abre o vestido sem ajuda, não precisa, abrem-lhe as pernas para examinarem o que escorrega da infância, descreve-se sem finalidade nem retenção de factos, escurece com lentidão, ocupa lugar para se dizer informada sobre as noites, o trabalho nocturno dela, a precaridade do que passa por ela sem comentar. Líquido que falta na bacia escorrega por ela sem força nas pernas, acção escapada por estar de pé a olhar com brilhos de carvão o homem morto sobre a mesa, terra sobre os lábios, perto do olho esquerdo. Mudança da cara em cera, capacete de couro aperta-lhe a cabeça, botões juntam à complicação do morto, escorre placa sanguínea, rapariga dobra-se, esquece, não fixa sensações do olfacto, do olho, retina parada não é sensível à luz do corredor, lusco-fusco melhora o fixo da retina, carvão aumenta o escuro ao mesmo tempo que o distorcido imóvel não capta o exterior, pés aquecem nos sapatos sem meias, traços de carvão, calças passam pelos metatarsos, zonas do distorcido reduzem-se ao mais útil, ao que as mantém. Multiplicam-se, medem-se aos palmos, não se conhecem. Mastiga ao mesmo tempo que anda para se esvaziar do que come, estende os braços com a pronúncia da frase: disloquée, corrida pela rua onde estacionam tanks, escondem-nos para que ataquem o terreno de surpresa, militares preparados conduzem tanks, materiais de luta, preparação militar, arranjam dinheiro para o fazerem. Contrapartida: rapariga emagrece, destila água, espreguiça-se, desvia-se do que há a fazer, desvia o distorcido dos obstáculos, apoia-se ao próprio braço para que não sinta dor. Cores ganham terreno no quarto, corredor com luz artificial, pintado de verde, verifica, olha para o que sente, perspectivas do olhar parado. Lê o jornal, tabuletas no corredor, repete-as para abrir a boca, molhar os lábios com o soletrar na boca, sussurro dela, ouve-se a ela própria, outros desviam a cara para o corredor, enfiam-se no duche, água escorre por eles, transpiram por dia para se verem viver no clima que lhes deram na casa não arejada, corredor queima. Mexe-se pouco, membros estreitos, emagrece até salientar os maxilares, os tiques da cara, braços estreitos, cotovelos. Desvios da coluna, do pouco peso ao transpirar com as asfixias, rebenta um ser com humidade, aproveita a distância das salas para se esquecer do duche, sentada num banco no exterior. Prolonga-se o que se vive no corredor entre camas, nos bancos fora de casa, espalham-se pela natureza até terem capacidade para soletrar, enfiam comprimidos pela boca, mãos levam à boca os comprimidos, engolem água sem respirar, enquanto uma operação se efectua outra pára durante a travessia das ruas, dos squares, cais, aproxima-se da compreensão se vê água, canais para repetir o lugar do norte. Vive em repetição por ter sido rapariga com agilidade para deslocar-se sem falar, sem contar, sem comer, cospe a comida, vestido usado por outros e outras, vestiram-na dos dois sexos, mesa sem objectos, copo na mão, ele com plissados, de chávena na mão, enche o depósito chávena, cobre-se com as mãos, olhos para pestanejar, correr com a vista de sala para sala, dedos colam às letras da parede, lê o local, não indicam casa a quem não tem onde dormir. Diz-se dormir estar em casa, de pé durante o dia, à noite na cama, sem se deitar não resiste, pessoas resistem quando têm cama. Violência na conversa, insulto de cada, dirigem a palavra para o insulto, enchem-se do que lhes falta, agressão, paragem do todo como ele sobre a mesa, puseram-no na mesa com capacete de couro desapertado, preparam-se para exame do interno, abrem-no sem que o sinta, já não sente, alguém disse que o podiam abrir com bisturi, corte é o que exercem sobre ele, abrem-no para verificar a corrupção do ar exterior. Sorvete molha os lábios, mala de mão onde coloca lenços, rouge à lèvres, botões, preservativos, bilhete de avião para uma direcção qualquer, basta ler. Aperta as veias do pescoço, enfia-se na água, vento para diminuir a temperatura, desaperto das roupas, pés de fora dos sapatos para refrescar a cabeça, os membros colam, cabeça com capacete de couro desatado, morto sobre a mesa é verificado por homens com papéis na mão. Fixo-me de pés presos a nada, imagino-os presos ou pendurado o todo, sou um todo com idade e sensações de pés atados, entro onde não me chamam, verifico a vida nela, a perca de visibilidade nele, morto sobre a mesa. Outro ocupado a lavar-se no duche depois de sair das galerias, carvão traços que o desenham. Despe-se sem falar, pénis marcado por traços de carvão, disfarça para onde olha, fixa o que está na frente dele enquanto se despe, nu como ele, pénis colado à coxa, preparam-se para o duche, entra cada um à vez. Engordou com os anos, distorcido balofo, gordura divide-lhe o tronco em três partes, gordura adquire-se com trabalho, facilidade a ingerir poeiras. Sentido do distorcido debaixo de água para se acomodar ao que pensa, mãos sobre a carne dispostas a apalpar, tensão sexual neles próprios durante a lavagem, percorrem o que conhecem, onde não têm proibição. Cadeados fecham os cacifos, guardam roupa enquanto nas galerias, distorcido atravessa espaços pela cabeça, pela corrente do vento, passa a mão pela cara, lava-se, tensão cardíaca. Toque com os dedos no tecto, os pés sobre o estrado, tem óculos de condutor de tank, confunde-se com o morto sobre a mesa onde o examinam cadáver com terra sobre os olhos, no cabelo, abrem-lhe a camisa. Manga estendida, braço estendido, veste-se com plissados, chávena na mão

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