mardi 28 mars 2017

Linha de Morte - Todesangst - Alberto Velho Nogueira, 2000 - Primeiras páginas

Todesangst: a dos rodiziantes cria-se nas administrações, a dos rodiziados é criada pelos corpos tecnico-científicos e económicos inventores do interno, cerebral ou não. A dos rodiziados é fantasma.

[opereta/folhetim] 

Não funciona sem os produtos, canais, fusões, sem a Mutter que lhe ocasiona a Todesangst. Preso ao motor materno, ao materno, LF separado da Mutter pelos aparelhos sociais, pelo jogo directo dos fantasmas feitos pelos que administram, que criam fantasmas para sobreviverem, atribuem-lhes lugar nas ruas, a decisão pertence aos que os apanham. Texto sem outro resultado do que iniciar uma função hospitalar, a natureza dos actos desenvolve-se por haver fantasmas. Texto sobre matérias, recintos, sobre uma secretária de direcção, sobre os que têm animais a caçar, sobre directores que têm fantasmas que os servirão, texto marcado pelo que a electrónica ocasiona nos sótãos onde os directores criam a disponibilidade e a flexibilidade da massa de opinião gerida pela electrónica, fixam as normas dos que existem junto deles e se desenvolvem na massa de opinião. Anomalia do braço e das pernas, um só braço que o equilibra quando fora de casa, habitante sem casa, acabaram-lhe com a casa, as casas, o Heimat, representa-se junto dum resíduo onde se constroem não só os obstáculos mas os lados que o cercam: um percurso errado desde o começo, os membros molhados de quem revive o que viveram os que estiveram no lugar antes dele, houve antes, gente circula no mesmo lugar por haver quem procure o que não os abata. O de hoje passa por onde estiveram outros, não usa da voz, de qualquer manipulação sonora, ser silencioso garante que não se ouve nada dele a não ser os passos a que se sujeita, cria um lugar na cabeça, fixa-se dentro, deforma nele a carapaça de que é constituído, feito de carapaças. Habitante caracteriza-se pelos defeitos, pelo peso não dos ossos e dos membros mas do lugar que lhe enche a cabeça, nenhuma capacidade reflexiva, abandona-se a um traço habitado pelos que estiveram antes dele, ocuparam a rua sem alternativa. O negativo dele é a sombra, o que ouve ao andar na direcção do que lhe põe os membros em movimento, membros falham, não os balança, a fala não lhe responde, não volta ao que lhe meteram na cabeça, falta-lhe a emoção, o que lhe sai da massa cinzenta é aparelho que se desfaz na rua à vista dos que lhe perguntam por que existe em Berlin, indicam-lhe o nome da rua, não sente, falta de emoção garante-lhe a assistência social dos que trabalham nos gabinetes, estabelecem guias para os inocupados, funções garantidas pelas administrações. Entra na primeira função que o texto organiza, LF personagem da Mutter que trabalha em casa, fora da percepção do LF, tarefas manuais, abolido o sexo enquanto trabalha com as mãos, fora dos contactos, contactos com as farinhas, a roupa, as guitas, os fios, Mutter fabrica o ausente nos corredores, fabrica o que a Mutter dela fazia, cópia da Mutter, sequência sem sexo da Mutter para a filha, ausência, ambas num corredor sem se sentirem. Mutter inventa o ausente, a fabricação do ausente, Mutter instala o que quer, abolido o sexo, o corrimento, os líquidos, trabalho qualifica a Mutter de avental na tradição da que a precedeu, os aparelhos domésticos produzem, conhece as máquinas, identifica os sons pelo olho, máquinas são ameaça num lugar com corredor, casa de banho com banheira, Mutter presente de slip, os sons correspondem às funções com os utensílios, LF produz acções para a Mutter ver, LF no lugar ocupado pelos que o precederam e que pertenceram ao que foi, hoje pertence ao que é, representante dos que enchem os lugares onde se produzem sons de máquinas [máquinas], aparelhos torcidos, outros inteiros, outros desfazem-se segundo as normas, as exigências de quem como ele e outros trabalham para integrarem os sons, LF integra os sons das máquinas caseiras - termo do precário do LF -, desculpa-se diante da Mutter, quanto mais ligado aos sons melhor, não os produz nos intestinos, a pulsação interna oculta-se por ser interna, ouvidos ouvem o que circula nas ruas, camiões transportam cimento, dia de trabalho na Companhia de Seguros garante que não há faltas ao regulamento. Escrita desenvolve-se com as perturbações, emoções descarregadas pelos intestinos, pela bexiga, órgãos internos ocultam-lhe o que vive, produzem sons catalogados pelo administrativo, órgãos sem acções sonoras para o exterior, acções internas enchem-lhe o interno, ocupado pelo som dos órgãos, pelo que funciona dentro, o LF junto dos fogões, dos objectos limites da linguagem do LF, objectos exprimem o circuito da educação, o avental, virado para os fogões, a multiplicação deles, LF multiplica os objectos, paranóia dos objectos que se multiplicam para implicá-lo num recinto iluminado a lâmpadas que balançam, aumentam a incerteza, o contrário seria um silêncio sem garantia, sons e lâmpadas garantem existência, a única antes de entrar na cozinha onde põe os óculos na cara, protege o que olha, fixa os objectos que o ajudam no trabalho, contêm os efeitos que se espera de alguém que tenha a roupa habitual, que use de camisa, de calças, de qualquer que cubra as mãos durante o trabalho, que use sapatos ou botas, material classifica. Voz perde-se quando usa o telefone, desaparece o efeito sonoro dele próprio, quanto mais se ouve menos fala, mais trabalha na cozinha que lhe vibra os membros, mais os braços do que as pernas. Órgãos ocupam um lugar, o interno cheio, estômago preso por presilhas aos cantos do tórax, imagina o interior agarrado, não solto, nada solto, braços e pernas presos, vibrações tremem-no inteiro, abana, verte líquido urinal, funções agarram-no aos locais que frequenta a partir dos dedos, agarra-se com os dedos, abre a porta com a mão, uso dos dedos, da mão que agarra o fecho da porta enquanto na toilette lhe vêm sons dos órgãos que tem dentro, os de fora são uma extensão do que o ocupa, máquinas obedecem, não têm terreno propício, a mão dobrada, o braço dobrado em dois - outra posição, de costas nu, as pernas abertas de pé, os braços abertos sem oportunidade, a sombra projectada, o mais é não existente, nem sons, só cores a partir do verde, uma mancha vermelha duma flor não identificada, restos de qualquer coisa que fica de fora, o que lhe fica de fora, fora dos braços sem oportunidade, sem sons o todo, dorido o esverdeado, um futuro marcado pelo esverdeado - nada que o perturbe, alguns repetem o que faz, controla o trabalho dos outros, perde o controlo dos membros, dos órgãos internos que captam os órgãos que trabalham fora dele, os que controlam as máquinas da cozinha. Óculos protegem-lhe os olhos, parte que não produz sons, adquiriu posição de teatro, marcha leva-o à cozinha onde controla o uso dos órgãos internos, o trabalho dos órgãos que tem, órgãos funcionam por esquecimento, esquece-se do que ouviu, não faz inventário, não produz mais do que a fixação dos olhos nas matérias que escaldam, caracteriza-se o esforço pelo calor, a cabeça não estoira, volta ao início, vontade afirma-se nos passos nos membros na estação onde entra para não trabalhar, ócio, trabalhadores são os que não têm alternativa. Linhas contam-se, caminhos de ferro, agride quem passa, quem se senta, agride com os membros, começa pelos cotovelos, massa de ataque, acaba na cozinha onde aquece por haver fornos, metais, peças duras amolecidas pelo fogo, óculos na cara para que se diga que trabalha num recinto que lhe fornece temperatura, a cozinha, os fogões multiplicados, os aventais, é a cópia da Mutter, LF inscrito nos órgãos que favorecem os calores, panelas, água ferve, evaporização enquanto as emoções não funcionam, aglomera os factos, não conta não decide não funciona a não ser no S-Bahn onde dá a volta maior que o trajecto lhe permita, o tempo fora da cozinha, óculos na cara protegem os olhos, a base do LF, outros nas ruas protegem-se da geografia, ocultam o que se dispersa, o que se retém é o esforço dos materiais nos limites, ouve sons quando urina, urina quando ouve sons, a fabricação interna dos sons dos órgãos, líquidos saem dele, dobra o cotovelo, obedece ao gesto, serve, enfraquece se cospe o que lhe aparece na boca, guarda a saliva para olear-se por dentro, humidifica-se, lubrifica o esforço de andar até aos limites, trabalha com calor na cozinha, não há interlocutores, sons enchem o lugar e a cabeça, continuidade, aparece o que lhe fixará os factos, reproduz o já utilizado, máquina repete os sons na toilette, preso aos locais, não progride, os sons abafados pelos auscultadores nos ouvidos, óculos na cara, funciona sem dever, obrigado a nada, fixa-se ao movimento dos cotovelos, os braços em dois, dobrados em função trabalho, sem continuidade, os óculos não bastam, trabalha quando não o ocupam, quando fornece o que não lhe vem dos outros, dos lugares, ocupa lugar que tem nome por ter havido habitantes que lho atribuíram, deram-lhe um nome, a ele, ao lugar ao que funciona aos sons, exterior acrescenta ao já feito, história é o já feito, Berlin faz história nele, o que o ocupa é a história do que faz com os cotovelos, os dedos abrem portas para ser ele próprio um lugar que se enche, que enche. O S-Bahn liga-o às pessoas apesar da prática dos cotovelos para afastá-las, renuncia ao contacto com os sons que os órgãos produzem, identificam-no numa carruagem, prendem-no pelos cotovelos, não vibra não tem emoção, mexe, os olhos não se movem os cotovelos empurram a boca não conta os braços não controlam, dobrados pelos cotovelos, aluga-se ao trabalho, preciso no que olha, não no que diz, que não diz, oculta-se nas ruas, afónico, não tem aparelhos de comunicação, a mão no bolso da camisa deforma-lhe a posição do pulso, busca um objecto, tabaco, não fuma, lenço, lenços de papel no bolso das calças, gesto a decifrar, [LF, projecto autobiográfico, foto no bolso, bolsos correspondem ao tímido autista, fogões na cozinha produzem matéria sonora e calor, sombras e vapores, as lâmpadas abertas por ser norte, o norte], o que o pulso torcido faz no bolso, a camisa cobre-o na cozinha, vira-se para outra faceta, outro lugar de trabalho, influência dos genitores, dos dois, do genitor em cera, 53cm. Atravessa o pátio para urinar, ouve a parte sonora cada vez que lhe escapa o líquido, para que serve o líquido, serve para atravessar o pátio, a corrente eléctrica no cabo enrolado. Pessoal trabalha na Companhia, a temperatura não muda, o ar é o histórico que respira quando atravessa um jardim, lugar de controlo [dois lugares de controlo, jardim e cozinha com fogões que produzem sons, o sonoro aquece, trata da matéria quente, trata dos sons e dos vapores que o entontecem], de exame do cerebral, do que lhe atinge o cérebro, que o trata por dentro, lhe fixa o que trabalha dentro sem temperatura, a frio, a frio o fio que o liga à vibração, que liga o que lhe sai pela boca, saliva aquece-o por dentro quando o que se transforma não equivale a nada, o que se perde perde-se pelas vias naturais, as que levam ao desaguar dos líquidos tóxicos. Vira-se na cama por não dormir, os cotovelos sobre a mesa, tem mesa, corredor é melhor do que jardim, controla as divisões da casa, dão todas para o corredor, há caixas, armários, distância duma ponta à outra, dum lado ao outro, não corre, jardim controla menos do que o corredor, os pés calçados, nunca descalço em casa, susceptível não se descalça, não segue os costumes, Berlin descalça os habitantes em casa, sapatos de casa, coisa de interior que se cola ao dentro, exige funcionamento dos intestinos, dieta a favor do melhoramento, se não fala é para melhorar o convulso da garganta, agitação não o disturba, fixa-o, a decisão vem dos membros que se dobram, pernas e braços, não por haver gente que não vê, vontade exprime-se quando não os vê, ninguém no corredor, na cantina onde estão os que trabalham como ele, uns nus em casa, outros sem botas, descalçam-se à entrada, higiene dos interiores oculta a desordem das ruas, oculta o trabalho, higiene liga o trabalho ao resto, preparado para o resto, o que resta, o muito que resta, descalçar-se dormir comer reproduzir, os objectos limpos úteis para os seguintes, herança nasce nas casas, nos hábitos, nos fogões. Texto desenvolve o LF biográfico, meticuloso com os dedos, com os cotovelos, com as posições que tenha, se imponha quando se torce para ver atrás das costas, tempo fixa-se atrás dele, fora dele, fora junto dele, nas costas dele, junto dele mas fora, tempo junta-se ao já conhecido fora dele, pelas costas dele, sem que se cole às costas, ao físico que não protege, não educa, foge-lhe o que lhe diz respeito, dobra os cotovelos, o que existe fixa-se nos olhos não protegidos, fora do trabalho. Atribui nome ao pintor que o viu, construíu uma estrutura para sair fazer construir uma peça que não diz a ele próprio o que é, para que serve, como iniciar os trabalhos, pára, a pausa prepara ao que está para vir, ao que lhe foge dos dedos, construído pelas mãos da Bourgeois, da Mutter, não é o que deve ser, quem deve ser, como deve ser, como se deve ser, será o que eu sou, a Mutter do LF fá-lo obediente, forçado à Mutter, à Mutter, a ordem entre eles, a ordem nos cabelos cortados da Mutter, no que se forma dentro deles, nos dois em simultâneo, pelos membros que lhes são úteis por terem-nos presos ao tronco, LF prepara o retrato que se fixa quando alguém o fixa, o pintor fixa-o cinzento, LF/Baad fixado a cinzento pouco nítido, trémulo, a posição adquire-se com o hábito, fora do hábito perde-se o núcleo, a forma que caracteriza um ser que prepara o material na cozinha com fogões, virado de costas, onde se fala da casa, dos objectos que servirão para caracterizá-lo cinzento na cozinha. O edifício tem corredor, quartos, depende do espaço que tem, do jardim que olha dum quarto, texto considera que se veja um jardim, a metade do prédio onde habita, a condição da rua obscurecida pelo clima, condição climática, quando lhe pertence seguir o fio que os prédios e as ruas lhe pedem, Berlin ou outro lugar. Constroem edifícios que pertencem à ocupação dos lugares, construções crescem, aumentam a visibilidade na vertical, desviam o olhar para cima, vertical dirigida ao cinzento que o ocupa, a carapaça cinzenta de que é feito, assistido pelo social que existe, nomear um lugar, outros lugares onde consome o que faz, construções marcam o lugar, o dever das construções, construções devem, dever dos imóveis, dos móveis, do que cerca os habitantes com sacos de compras às riscas, alguns vieram para sentir o que circula, a rotação do pescoço, de costas ou de frente. A realidade adquire-se com os movimentos não só dos olhos mas dos ombros, a rotação na rua, não dentro de casa, imóveis habitam-se com os sentidos, de costas para os que o olham, LF tem convivência interna, sabe-se pelos ombros, pelos limites que se impõe, pela repetição dos ombros que assinalam o mesmo, as flores apodrecem, a realidade torcida conforme os ombros, a rotação dos ombros para que desapareça a cara, os sinais mais directos, certo de estar junto de qualquer fonte de energia, um lago, água provoca-lhe a viragem dos ombros, as cores acentuam-se, ausência de fundo dá fundo escuro, cabelos enrolados, não mulher, antes homem, não hermafrodita, o volume dos ombros. Tempo não o altera, redu-lo ao lugar que ocupa, onde tem função, explora-lhe o mental, adequa-se ao que vê como copiador do que os pintores utilizam, não só das cores mas dos tecidos que usa, da roupa, imita pela roupa, edifícios enchem-no, não se oculta, exposto na rua, anónimo, circuito repete-se, recomeça o esforço que o atira para o chão, quotidiano que não conhece aparece-lhe pelo olho. Publicidade não conta, não a ler não a ouvir favorece-lhe o que diz para dentro, dialoga com o palato, com a vibração da língua, a mistura de saliva com o que não diz por insucesso, o material da fala adivinha-se apesar da vista o classificar, nada nas gavetas se gavetas houver, se armários no recinto onde habita, se a casa se mostra, se se coloca numa casa a classificar como resto da guerra, desenha-a para que a vejam, a memória do lugar faz-se pelo que escreve, o resto esquecido, amortecido, apanhado para deitar fora da cabeça, do tronco, da rotação dos ombros, do que roda segundo as ordens da Mutter, ele acinzentado por ser cadáver disposto no asfalto, os objectos dele num recinto onde fazem inventário, possuía objectos, mortos hoje, alguém faz inventário do apartamento, a carta de identidade nos objectos, possuía fogão, gavetas, ocupava lugar que enchia com os objectos que se alteram segundo o olho, flores apodrecem, de amarelas a cinzentas, cinzento cobre o todo, deitado ainda não morto, social penetra em cada um no sítio que ocupa, social deita-o no alcatrão, muda-lhe o nome e a matéria, Baad forma cinzento estendido no alcatrão com os objectos que foram dele, são dele, objectos têm biologia própria, herdam, marcados pelo que os usou, pick-up armário estante, objectos prenderam-no, comprou-os, deram-lhe objectos, roupas têm as marcas do pintor que o captou, fotografias identificam-no, aparelhos produzem auto-retratos dos que os possuem, aparelhos estratificam, não apodrecem com ele, Baad cinzento, aparelhos resistem ao alcatrão, às intempéries, sucedem aos mortos, herança transmite-se aos que vierem. Herdou objectos que causam distância, provocam feridas nos ombros, rotações inclinações e sede, falta de água quando em casa capta as superfícies, o resto que completa o dia, escolhido para planificar o dia seguinte, prepara por dia o seguinte que existe por estar preparado, estendido na rua, de camisa, exposto, objecto social infiltrou-o, social infiltra capta fere atinge os objectos, um de cada vez. São dois, um homem-mulher, não um só, um dois, dois homem e mulher sem distribuição igual, diferentes nos objectos, no lugar que ocupam, Baad/Ulrike definem os lugares, agitam-se, agitadores dos braços, agitam o motor da frase para dentro, sem comunicação com próximos ou distantes, não aparelho de telefone, as frases na cabeça, no palato, efeito directo do palato no que ouve, nos sons que transmite, é aparelho sonoro, fabrica transmite impressões sociais sonoras, os sons apanhados pelo esforço social, copiador dos pintores, copia acções sociais a partir dos quadros, influência social apanha-o num apartamento, os móveis definem-no, ajustam-no, dão-lhe a memória que não capta dos outros, memória artificial nas fotos que a Mutter lhe tirou, garante figuras nas fotos que imita, oficiais, militares, social em movimento, juízes, personalidades sociais produzem memória, mãos habitadas pelo social que os objectos transmitem aos que se servem deles, objectos tiveram relações com os precedentes, exprimem a condição da cor, do movimento, ocupante sem direcção circula entre edifícios, nomeia um centro, um nome que a Mutter lhe atribuíu desde a nascença, fechado em Berlin. De costas aumenta a cor do que veste, as fotos estragadas com um canivete de bolso, uma faca, caras deformadas pelos riscos, fotos aos bocados fora dos olhos dele, fotos rasgadas não se guardam, perde o contacto com os que tiveram tempo comum, perde a roupa que outros vestiram, habitante do mais reduzido perde a memória, capta o que vem depois, esquece-se do que lhe marca os canais internos, o cérebro, adquire lugar e mais nada, Baad sobre o asfalto, o social nele, exposto com o social dentro. Em acção directa com o que ouve e destrói, treme quando come, soluça não de choro mas de tremura social, olha de mais para a foto que o faz cinzento, reduzido a um torcido num lugar indiferente, a cabeça num ângulo de 15 graus, nenhum sinal de despeito, indiferença, só a magreza por ser habitante social, sem o quadro cinzento não tem lugar sobre o alcatrão, não existe. A camisa assinala-o aos que o metem numa divisão para exame, questionário, afirmações a controlar, verificam a lógica que o prende ao social, ao normal que repete para se ouvir e ser ouvido pelos que o questionam, contacto com os habitantes que cruzam o social que o Baad cinzento representa, personagem ligado ao LF autista introduzido pelo texto autobiográfico, LF igual ao Baad, derivado do Baad, réplica do Baad enche a rua, assimila o que vem dos objectos dele, fura-se por dentro, fere-se nos órgãos próprios, o social dá órgãos aos que os pedem, ele pede, órgãos atingem temperaturas elevadas, exibem o Baad num lugar propício, foi história, ele próprio numa foto/quadro cinzento numa geografia com habitantes/edifícios, habita uma construção com funções que se formam nele por ter sido apanhado, controlado pelos inquéritos, social força-o ao lógico, exposto não tem lógica, não obedeceu ao que houve de social nele, cinzento, a língua na boca conta como experiência própria emprestada ao social, habita o que se prepara nele, o que lhe preparam, o que se teme do social, o que se constrói por haver social, a língua mordida, apanhada pelos que a prendem, torturam-no, a língua torcida, torcida pelo próprio, voluntário torce a língua na boca. Nasceu preso ao terreno onde o deitaram, a mão treme, as opiniões apanham-se do exterior, ficam fora, não se edificam dentro, nada se constrói dentro, os elementos fora, lugares desembocam nele, não tem limites, adquire o que vê, o que se acumula é o apodrecimento das plantas, das flores, calor imprime-lhe rotação aos ombros, a roupa a mesma, pullover cosido à mão, cobre-se com lençóis, tem aquecimento por haver distribuição de aquecimento social, água por haver lavagem social, roupa social, cores sociais dentro, olhos garantem-lhe existência própria, apanham o que os nervos apanham, cinzento cobre-o, implica a presença dos baldes, alguidares, recipientes de lata projectam-se sobre ele, os alguidares transmitem a linguagem adequada aos trabalhos. Edifícios renovados para administrações, volumes na cabeça formam-lhe o social que lhe edifica a sombra, a rotação dos ombros, a memória da língua, a frequência das frases na boca que o social transmite, não as que se formam nele por vontade própria, alimentado pelos canais usuais, pela boca, mastigar ocupa-lhe lugar e tempo, preso aos ângulos, ao que lhe escapa da cabeça, que se forma na saliva nos cotovelos no ar rarefeito, inútil respirar, agredir as mucosas com o que se desprende do palato, da saliva que o forma com fome, resulta da saliva engolir a humidade. Adquire no corredor a forma dos ombros, a orientação a que obedece, corredor fluxo, portas separam-no dos que se esforçam por desaparecer, batem com as mãos, apanhados na flexão dos braços, na imitação duns e doutros, repetidos no corredor, sou outro que ocupe o corredor, fixo-me com a memória da que usa saias, a Mutter, as unhas pintadas, pertence ao limpo social, habitante limpa, nada excessivo, social limpa-se, mortos lavam-se. Cinzento não é cor de cadáver, da que no corredor abre o ângulo das pernas para andar, entra no que o dirige, alguém o dirige, social dirige-o, social demonstra força nos livros nos discursos nas temáticas históricas, estudos, administração dos lugares, não é menos do que os que ocupam o corredor como lugar definitivo, ocupam o corredor de extremo a extremo, sem comer, definem-se sem comer. Acções interiores escondem-se, o que fervilha dentro não se mostra, nervos elaboram o social, fixa-se nos que o olham, estraga-lhes as funções do dia, não ouve os que o controlam, separa-se dos que comem no corredor, não há luz, ascensor não funciona, o que funciona está nele, saliva não escorre por não ser produto a deitar para fora, o que ouve emagrece-o, máquina de ouvir prepara-se para o que o social organiza. Usa dos aparelhos que dão água, máquinas despertam quando chove, quando protege a pele, quando dá a volta ao jardim que estabiliza os que passam quando o desequilíbrio está neles e no que olham. Sons nos ouvidos dos que ocupam o corredor, vibrações internas, prepara-se o que se acrescenta sem que alguém intervenha, o que se passa não se vê de fora, outros estão nos apartamentos, cria-se uma rede confusa, imagens não nítidas, experiências de quem não controla o que se dá na pele. Veio do terreno onde se prepararam as gramáticas com os que foram classificados pelo timbre, a voz condicionada pelo que viu, o que lhe fizeram transporta-se para mais longe, foi sinal de rádio, hoje de TV, a rádio encheu-lhe os ouvidos, locuções transmitidas pelos que criaram as regras, coordenaram a normalidade, ouve-se sem gritar, não fala mais alto do que o que ouve, circuito interno estraga a gramática, destrói o lógico quando lhe tiram a foto, lhe examinam as peles, as películas, a voz fala aos soluços, cria espaços neutros, voz sem circuito para fora decalca-se num saxofone tenor, tem nome, lugar geográfico a ocupar onde o controlam antes dos lugares seguintes. O mais demorado será mudar-se para o que lhe preparam na cabeça, na garganta, a gramática local estraga-se com o uso próprio, destrói o que ouve, ouve sem dizer, esfrega a língua na pele do que se aproxima, a boca reflecte o que lhe deforma o palato, a curva da boca abandona-se com a falta de discurso. LF arranja a cara a que obedece, muda-a até endurecê-la, cara fantasma em cera, a cara sobrepõe-se a si própria, fantasma inaugura-se a partir das duas caras sobrepostas, feito de cera,

Aucun commentaire: