mardi 28 mars 2017

Lacada - Chocolatier - Alberto Velho Nogueira, 2005 - Primeiras páginas

“My paintings are more “unfinished” than ever, because I unfinish them as I paint”, Fairfield Porter

“Hanno cercato di persuaderci che le parole hanno un significato e non un suono, o se hanno un suono, è un suono immorale. Credo che le parole siano certamente un suono, ma non sono sicuro che abbiano un significato”, Manganelli

REPERCUTE O QUE OUVE, dramatiza o que tem, refugia-se no interno, forma reacções químicas que desenvolve com a voz que lhe impõe um vibrato, vê a camisa mudar de cor enquanto alguém põe os ouvidos à disposição, ninguém se intromete no terreno, transporta-se para os lugares onde não a ouvem, terrenos deslocam-na para fora, acaba no Metro, num terreno vago, num hotel, num quarto duma Pension da qual desconhece a utilidade como são inúteis as que se deslocam, que se consideram sem fala, só ouvidos que não captam o exterior, vê a transformação da camisa, fala para alguém enquanto os órgãos lhe confirmam o sonoro interno, modifica a voz para a primeira pessoa por estar a vê-la, dita-lhe o que escreve, escriba toma nota do mais pessoal, nada a sentir diante da que se confunde com o silêncio apesar de virada para o lado sonoro, escreve o que se dita, o terreno afasta-a das outras, não está na mesma fotografia, é pessoa à parte, entes alinham-se em duas filas, alguém lhe tira uma fotografia para fixar a deriva do terreno para uma sala, para um lugar onde não se ouve, ar poluído a respirar sem haver necessidade respiratória, respirar é inútil para as que se apercebem da respiração, da rarefacção que lhes enche os pulmões sem acção para a purificação do sangue, o oxigénio rarefeito, não morrem por asfixia, compensam a falta com a abertura das janelas, a respiração diminuída, algumas no Metro para obterem resultados, atingirem lugares distantes dos lugares onde sufocam, porquê sufocantes, nada de novo nisto, quem vê não relata, retém na cabeça, centro do emocional e do consciente, a consciência imediata obtém a mudança da cor da camisa, mudança causa-lhe distúrbios, a camisa muda de cor no texto que elabora sem biografia, este texto (aqui) sobre a que se multiplica conforme a representação num quarto: mulher de costas para as que se deitam na mesma cama, onde há confronto físico não há fala, só a luz do candeeiro com a qual se realiza o que alguém vê, um método nos dedos que se tocam, uma mão visível, a outra debaixo do lençol segue o movimento da que se levanta para se tocar com os objectos úteis, demonstração da capacidade de reflectir sobre a deitada, sobre ela, sobretudo sobre ela que sai da cama depois de ter estado num lugar de trabalho onde não viu a mudança de cor da camisa, não viu o organizador do trabalho das que se deslocam de Metro, terrenos forçam a deslocação, distribuídas pelos lugares urbanos, uma levanta o lençol para sair da cama, afasta-se das outras, nenhuma relação, nada repetido, nenhuma função sexual repetida, repete outras funções, deseja o repetido, coser roupa à máquina, função clandestina, sair da cama, enquanto alguém se ocupa da fala que não lhe sai, da roupa a vestir depois do falhanço, alguém fotografado por ela para ser posta na parede do quarto, falhanço e incapacidade causam-lhe lesões na pele, transformação do que era no que é, a perversidade na mão direita, no lençol que levanta, descobre-se virada contra a luz, causadora da sombra no lado sombrio do quarto onde o que se passa é inútil, estar aberta não demonstra nada, capta o exterior por haver motor e líquido, ar por haver janela aberta, a falta de ar vem dos órgãos em desfalecimento, morde o lábio inferior, o que sente deriva do insatisfeito que lhe percorre as partes sensíveis ligadas ao consciente enquanto os aparelhos funcionam dentro das carapaças, da circulação do líquido intenso nela, do afásico, temperatura aumenta nela, não fora, propõe sair de Bruxelas que se desfaz por erro económico, o erro dela na deslocação para fora da cama, não, não erra, sobe a colina, descobre os pneus usados o cão a galinha a árvore, a avalanche, passou por aqui uma carga de água, torrente criou uma linha de destruição, escavada a terra, não há ruas alcatroadas, há ruas alcatroadas, habita lugares conforme as pressões, desagua neste lugar por defeito, volta ao primeiro onde construíram cinemas, videoclubes, acessórios para o sexual dos que tocam as moedas no bolso, constrói o que a consciência do falhado lhe fabrica, não tem necessidades, apetece-lhe não uma salsicha mas a explosão, a garantia de que os produtos continuam a funcionar dentro dela para a lubrificação, para as despesas internas, para a leitura do que vai mais longe do que os vestidos, a passagem para o nu das que passam no luminoso, basta um néon para as ver nuas através da roupa, ver o que satisfaz as glândulas, as abre, trabalho excessivo para quem está num quarto propício às quantidades, lugar de trabalho nutre os motores económicos, as informações enfiam-se pelos órgãos que não saem do trabalho, motores nas cadeiras, na construção de cada, o tronco segue a linha dos cotovelos aos ombros, a decência mede-se na camisa que desbota, na pele que seca com o trabalho das que não são peritas de qualquer coisa, peritas do ar a respirar, Sein und Zeit sufocam-na, uma delas, agressão do trabalho, a rentabilidade diminui, a rentabilidade deste texto, aqui, como dos serviços que a clandestina produz sem segregar consciência, esta foge-lhe, aparece-lhe no quarto depois de lhe atribuírem o lugar, o tecnicolor das toalhas com que enxugam a cara os pés, o resto é excesso que não se lava, vai à piscina comunal para polimento dos órgãos externos, dos buracos, das saliências, despe-se nas cabines, a autora na piscina estuda o interno para participar do que se trabalha, forma a consciência da mudança, dos líquidos, da magreza que aumenta com o abanar da toalha, com a extensão de células a limpar, ausência de sol causa-lhe perturbações da pele aos tendões, das articulações ao órgão sinónimo de distúrbio mental, de desvio da atenção para as linhas e mecanismos das máquinas de coser, em vez de sentir o que se acumula no lugar de trabalho a partir dos néons, do sonoro que não se repete, nada repetido por não haver duas respirações iguais, duas oralidades iguais, duas posições que contribuam para a mesma artrose, respiração inverte-se do fácil interior para o difícil exterior, opressão causa-lhe tontura. Itinerários percorrem-se com as ventoinhas dos motores, inventariadas pelo número, a autora fora do quarto, no quarto, na medida de cada gesto e consequência do motor que lhe levantou as pernas, uma espécie de camisa aberta nos ombros, decote, olhos verificadores da consciência captam o esforço das pálpebras que pesam com o transtorno, não sono, autora não dorme, a discussão avariada com os resultados, queres resultado imediato, saber para que serve a luz do candeeiro que projecta o amarelado na foto para documentação, arquivo depois do trabalho, a indeterminação nasce na secreção dos ácidos que te dispõem à comida sem que comas, engulas, percas tempo no uso da bôoca, do esófago, et cetera, passagens rápidas para os intestinos que, caducos, não acompanham o ritmo das glândulas salivares, incapacidade provoca vómitos, não digeres o que engoles, não engoles o que te cozinham com ajuda do amarelado do candeeiro, língua ajuda com os movimentos inesperados que te fazem mordê-la, sangue é corrimento diário, os dedos furados pelas máquinas, a menstruação relógio assinala a mudança da lua, autora não ligada à lua, muito menos à menstruação, amenorreica, presa ao órgão genital pelo trágico, não pelo sangue, candeeiro projecta a sombra, morde a língua inchada com os movimentos nervosos que a trabalham na bôoca, o peristáltico da língua, o resto na olhadela para o que reflecte o amarelado do candeeiro, sangue coloriu a toalha que lhe deram, alguém lhe fornece os vestidos, alguém lhe compra os utensílios, os objectos para o arranjo da cara, das pernas com meias de nylon por onde passa os dedos depois da mordedela da língua, actos têm seguimento do mais simples ao mais idiota, ao sofisticado na bôoca que revolve as intensidades nervosas, da bôoca resulta a saída da cama, o lençol que a descobre, perde a perícia dos gestos no instintivo da língua que segue os mamilos desde a nascença, hábitos da bôoca dos lábios do movimento lingual do aparato salivar, secreção bôocal em excesso cospe-se para a mão que desliza entre as coxas depois de levantada da cama para se manifestar na casa de banho, as coxas consideradas como lugar de calor, massas transmitem-lhe temperatura mais quente do que a do ar que respira por haver pressão nos pulmões, a pressão vem do terreno que se desloca para lhe dar a realidade do trabalho no quarto com companhia indesejável, companhia perde-se nas sugestões, nas massas que já disse, lhe disse, tens massas que fornecem temperatura adequada ao que falta no quarto, um quarto a ocupar, a desembaraçar do que demora a esvaziar-se, terreno tem jardins se houver quem o descreva, automóveis a lavar, a constante que vai das ervas das flores e plantas à que irá ter nome por lho atribuir não a ciência do comportamento mas a do registo que o dá a quem nasce, identificação, chamada, pontuação do tempo, análise do que cresce adoece e morre depois do trabalho onde se dispõe à voz que não canta, ninguém canta, não tem voz, ouve a do agente que as dirige, o nome, pede-se um nome que se inscreva nos documentos comunais, autoridades repetem-no, confirmam, assumem a chamada que atribui pela primeira vez o nome ao ser e ao tempo, nada de Heidegger, só papelada sem foto, a fotografia faz-se quando chegar aos 39, embora pareça mais, o que é parecer mais, parecer forma para a sugestão, as sugestões, como produtora do que propõe com a tremura dos órgãos que lhe criam sarcasmo, aparelhos funcionam para a tontura, a autora fora da cama entre sombras, entre as raízes do quarto, sombras dão (são) raízes, multiplicam-lhe as intensidades, saída do quarto dá força muscular, força, mudança de temperarura, a luz acesa, verbo sugeria velas, combustíveis, lâmpadas não ardem, a incandescência nela, dentro dela, no interno que marca com o lápis, coça com a ponta, fere-se, insere-se no texto, cria substâncias vasculares, circuitos sanguíneos sem nome, pressões atmosféricas nos ombros, nos pés, deixa marca por onde passa, a sombra do andar, a pressão nas madeiras, órgãos da natureza transportados para casa, chama-se casa a isto, ao sair da cama onde relata para si o fenómeno da renúncia, fotógrafa fotografa personagens sem profissão, cópias dela, reproduções, fotografa com raios X, com o nuclear, temperatura até ao incandescente, à queimadura interna, a bôoca a 40°, não febril, resultado das sapatilhas, da borracha, das borrachas que lhe isolam os membros do choque das temperaturas, forno por perto, rua tem fornos, indústrias plantaram-se perto da casa, quem fala, não a obrigo a exprimir-se, detém a palavra, trava-a, constrói com perímetros novos os circuitos que nunca ouvi, fala deturpa-lhe o conhecimento mental, a consciência derrete-se na cama, sem contacto com a natureza, em contacto com as cores das fotos que tira aos transeuntes identificados pelo regular da operação, autora não fala, temperatura aumenta nas zonas de borracha, mamas e coxas de borracha apanhadas pelas mãos dos que se desfazem na natureza, ela não tem natureza, não a teme, autora não teme as plantas as flores as árvores, exercita a vista enquanto alguém produz sons, vozes de crianças na creche, gritaria de quem confunde o medo com a natureza das cordas vocais, verificam-lhes as tiróides, abertas as gargantas, cicatrizes assinalam a gritaria em contacto com a natureza, espaço ocupa-se com vozes e plantas, natureza funciona sem a autora fotografada no sombrio, autora existe, iluminada pelo candeeiro ao sair da cama para se separar da natureza que não suporta, regista o medo da invasão do natural, afasta-se das que lhe introduzem a natureza, a fenomenologia da respiração acelerada, sangue derrete-lhe os miolos, não tem temperatura, um fluxo banha-lhe os caules, tem caules e pés, calça sapatos para abandonar a casa, desfazer-se da natureza que lhe propõem sem sons, a fabricação deles vem do atelier onde o IM (Informeller Mitarbeiter) Hürey (citar não o nome mas a deformação dele) lhe preme as têmporas, o pescoço, os gânglios linfáticos, onde a asfixia vira ao assassinato, a prova no inchar da cara, no amolecer dos membros inferiores, IM Hürey não lhe toca, como tocar-lhe, como sufocá-la, pernas (do Hürey) incham-lhe com o ácido úrico, autora sente pressões no tórax, palpitações, dores nos intestinos, identifica os que a tratam depois de refugiada nas sombras onde fabrica a saliva com a memória e o inconsciente, se não existe inconsciente que lho fabriquem, não o sente, censura não se produz durante o sono, não dorme quando a hipnotizam, segue a luz, sistema pára-lhe a vista, foto grava-a com a vista parada, diz-se vácuo um estado como o da Roberta, disse a autora que a introduz no apartamento sombrio fotografado a preto e branco (Maio 1938, Edmund Engelman), as marcas nas costas, retrato a preto e branco, Roberta faz parte do terreno que atribui preto e branco à que o habita, apartamento transmite o preto e branco, Roberta pede água, não abre as torneiras, não sabe o que são as camadas freáticas, tem os lábios molhados, sombras provocam-lhe água no interno, sombrio acorda-lhe a memória que lhe vem à saída da cama, ao afastar-se da natureza, na pausa do visual, o visual fechado, acalmado pelo sombrio a que a forçam para ser inconsciente sem fala, com fala a deitar para fora um discurso que equivalha ao mais superficial, tem profundidade social, o silêncio garantido pela superfície, pica-se com a ponta do lápis, é fotógrafa como todos os moradores da rua onde lavam os automóveis, fixadas as cores deles, a natureza não lhe descobre as cores, natureza assiste à invasão do olho que dispõe as fotos, a coloração delas no trabalho orientado pelo IM Hürey que as dirige, só há mulheres, os homens nos quartos com aparelhos perfuradores, disse a Roberta ao próprio inconsciente, se o tiver, a realidade no mais fundo, o natural na cama, na natureza, na floresta onde desemboca quando sai do Metro e a percorre para sair de Bruxelas, o inconsciente aberto à ferida possível, ainda não aberta e ferida depois da passagem na floresta, as casas distantes, floresta traça balizas, tem raias, coordena o urbano, bebe dele, (ela) tem sede, vem-lhe dos caules que lhe puseram para resistir, engana-se no trabalho quando lhe dão água, laranjadas, nunca cerveja, bebidas alcoólicas fora do trabalho, nas Beisln até cair, Roberta cai na sombra onde se refugia com os aparelhos inconscientes, inconsciente serve-lhe para reter o gravado nos órgãos, o exterior modifica-lhe a consciência, estratifica-lha, pesa-se depois de absorvidos os choques, absorve o que a Mutter lhe disse, as figuras habituais da gestação, da fabricação usual dos seres que se irritam com as bebidas alcoólicas, que as absorvem para denegrirem o familiar de que são origem, Mutter Vater Brüder, inibidos pelo que os nomes lhes causam, silenciosos a respeito deles, Roberta tem lábios grossos, a dentição inclinada, reumatismo invade-lhe as articulações do pescoço, movimentos artrósicos criam-lhe a resistência ao que se forma com a campainha que lhe assinala as crises, sons vêm da creche, feminizada até à sombra nas divisões que teme por temer o que lhe entra, autora, assistente do fotógrafo que fixa as sombras, inventa uma precipitação, uma correria, uma fuga que a não persegue, não lhe provoca a morte, tudo construído, cenário para a vista, a natureza fabricada num estúdio, o inconsciente metido num saco com as roupas, com o visionamento do que lhe fizeram, não como vítima mas como observadora do desgaste mental das que trabalham onde o IM Hürey as abre à força, lhes aumenta a transpiração, lhes fornece motivo para o que ocultam, as cores desenhadas no cérebro até que as bebidas alcoólicas as limpem do trabalho diário que nutre os circuitos nervosos, basta um circuito para que a gritaria se ponha em marcha, a tiróide atraia o nuclear, os choques se repercutam nas sombras, no que vê no escritório onde a instalam para lhe apalparem as zonas borrachosas, ancas e mamos, onde há elasticidade há borracha, contradição existe na Roberta que chama o fantasma mais próximo, autora apura-lhe os fantasmas, cresce-lhe água na bôoca, frase provisória, autora quer outra, língua transmite-lhe enjoo, fora com esta frase, fantasma vê-lhe as coxas, a borda da saia curta, adjectivo, “Non si può fare a meno dell’aggettivo perché si può fare a meno della miseria, non del lusso”, Manganelli, curta a saia, a distância das mãos às coxas, ao redondo, basta deitar-lhe os dedos, aproximar-se e fazer-se lésbica dum golpe, correr pelo corredor, pelos quartos até apanhá-la pelo cu, meter-lhe o dedo no buraco, atravessá-la com um espeto, tremê-la com a ponta da língua enquanto sente que a perfura, lhe gasta os líquidos, os tímpanos, justifica-se por não ter feito as análises às feses, à urina, não comprou os recipientes de plástico, alguém lhe exigiu a justificação não a partir da voz mas dos dedos das coxas das mamas, condições anatómicas que o meu conhecimento não reconhece, não reconheço ligação à natureza se me viram para a floresta que restringe o urbano, por onde fujo dos que me perseguem, do fantasma que ela representa a partir das coxas, dos mamos que me toca, perco-me nas bebidas alcoólicas que ingiro com os que me utilizam como funil, personagem do Bosch, funil na bôoca, na cabeça, pernas curtas, patas de galinha, prontas a comerem-me, antropófagas comem-me com cerveja, só mastigam as mulheres abandonadas pela história, pela tremura histórica, pelo devasso que formamos depois do trabalho, iguais aos homens, falta-nos a vibração da verga, a capacidade de perfuração. Existem cemitérios, organismos sociais administrativos do ser vivo e morto, organizações para o vivo e o morto, depois de morto, depois de morta, confessada pela que lhe constitui a sombra e o preto e branco, não da foto, da realidade na borda da floresta, isolada pelo vento que denuncia a testa, cliché, não só cliché mas realidade que lha abre, descobre o estar presa à circulação de tudo menos do sanguíneo que não vê, prende-se ao que vê, às sombras e quilos que pesa, que levanta no inconsciente quando se serve do fantasma feminino que lhe garante o inerte, na cama as angústias de vergonha até empurrar o candeeiro, deitar as toalhas para a banheira do quarto do hotel, fácil ter quarto num hotel, não ter domicílio, fora da cama que não lhe garante existência, mesmo a existência sensível que deveria nascer do contacto com as coxas, a parte interiorizada, Roberta estirada, obrigada ao estirão, à incapacidade de resposta àquilo que lhe dirige a cabeça, os membros, agarra nisto, ordem, isto é carne estragada, o pútrido que me fornece a garantia das sombras, do preto e branco sem ser fotografia, sou ser vivo fora do cemitério, vejo o sítio onde se evaporam os litros bebidos, onde se absorve a natureza que contribuirá para a putrefacção, o urbano nos altifalantes do Metro, ali está o histórico indestrutível, a constante que a Roberta/Irina ouve, o funcionamento dos órgãos de transmissão, as correntes que a levam ao mar, haverá mar por perto, água faz parte do existente dela, lagos e poças sim mas mar não, faróis e luzes fora do quarto, mar inexistente, sombra dela, sombra da natureza, a evaporação desastrosa, a ineficácia do mar de Aral, ela eficaz sem mares, sem a água, só a que está nos copos, nas massas, bebe o alcoólico até cair como caem todas/todos nas Beisln, conversa, se existe, se ela existe, ela, não a conversa, investiga a articulação dos lábios, a experiência da língua enrolada, virada para o farol, a língua e a Roberta/Irina, as duas separadas, uma serve um bôocal: a língua, a outra não serve nada nem para nada, existe inconsciente definida pela floresta, pelo urbano onde carrega os sons que o IM Hürey lhe proporciona por dia de trabalho, leis sociais, explorações, termos significam-lhe desaguamento dos líquidos, torturam-na com as análises que a consideram anémica, inibida no cemitério onde fotografam os mortos, onde confirmam a limpeza do lugar, onde averiguam o nível do mar, sente que há mar por perto, a costa frequenta-se no inverno, durante qualquer período, mar a ver, inconsciente a trabalhar com os sons que a água provoca, a do bidé apressa-lhe o cardíaco, abate-a sentada nas bordas de porcelana, é de porcelana o material sanitário, de que material é a que se inclina para o bidé onde lhe nasce a dor, não engole não respira, asfixia lenta, perto um adolescente caracterizado pelo olho que a designa fantasma criado a partir da lavagem do sexo no bidé, administração nova como da nova fazem parte os aparelhos que a condicionam ao visual, a tv, os jogos electrónicos, ao auditivo, os CDs, equipada para referir-se a si em permanência, a si a jogar a si a ver a si a patinar a si a ferir-se a si a abrir-se, liquidada, feita para a liquidação no cemitério que me garante o inconsciente e a frequência de alguém nos quartos, nas Beisln onde emborco cerveja até cair antes de voltar onde me concentro nas roupas a coser, adolescente persegue-me, faço parte do material à disposição com o qual aprende a manutenção do sexual, a tremura, a excitação no ranger dos dentes, aferra-se ao triunfo dos materiais, reconhece-os, adivinha-lhes o modo de funcionamento, aptidão para o reconhecimento das tecnologias que o fabricaram militar até morrer, o crescimento admitido como condição masculina desde a adolescência até lhe significarem a morte por doença ou ataque, resistiu aos ataques, predestinaram-lhe doença fatal, subordinado inerte numa casa/depósito onde ouve o diagnóstico, análises dizem-lhe o que fabricou, não as paisagens, não o fantasma da mulher no bidé, não a floresta que marca o urbano, instalado até ver o que se relaciona consigo, a invenção dos modos e objectos para ser militar na afirmação da violência, diário da guerra urbana nas ruas a percorrer de noite até dentro da floresta, desafio não aos que atravessam o sinistro mas às que ousam infiltrar-se no obscurecido sem capacidade para a sombra que recebem quando se lavam no bidé, tudo traçado, não destino, nada definido, vontade do adolescente determina as operações a percorrer que, aliadas ao poder masculino, lhe darão oportunidade para sufocá-la à saída dum atelier, não comprovado, percurso do atelier até à entrada da floresta, programa da autora que tem propensão para o desastre, para a tragédia da qual será desviada, não só ela mas também a Roberta/Irina, distantes do trágico que se planeia neste texto, aqui, texto abrirá um inquérito sobre os que a observam, e se a observam é para lhe entrarem, lhe possuírem o que pertence ao bidé, às operações nos supermercados, autora compra garrafas de vinho, bebe cerveja nas Beisln, exorbitância da que se dá à bebida, a outros fenómenos, à leitura de livros sobre a condição do tempo, das poluições da água, dos dilúvios, da guerra permanente do adolescente que a programa, intensidade adquire-se, está nos que a observam, o cérebro perturbado pela audição do que lhe provoca repetição, vibração do mesmo, cérebro repete a mesma frase, recebe o diagnóstico da doença, não escapa, propõem-lhe o mortal, investem-lhe o mortal, tem os dias contados, as referências ao tempo moderam-lhe a existência no vaivém entre o atelier e a borda da floresta, hesitação, entrar não entrar, mudar de rumo, voltar ao atelier, verificar se não há outra possibilidade, retroceder, meter-se noutra esfera para fornecer outros canais cerebrais que a façam voltar ao dia cronometrado sem o que a aniquila antes do golpe final, haverá golpe, trata-se do ficcional que a autora fabrica a partir do sombrio dum lugar fora da casa dela, tem casa, não confirmado, tem lugar sem ter casa, instala-se onde a fixam, para onde a empurram, nomeiam-na no sombrio onde alguém a ouve, ouviu, ouve-se, boomerang dos sons que lhe saem da bôoca para uma viagem curta, anulados pela bôoca apanhados pelos ouvidos, negligência, empobrecimento das condições, instalada entre fios e máquinas de coser, matérias arrefecem, não há matéria que aqueça por si, a não ser a dela, disposta para a floresta o bidé a sombra, a morada escolhida pela que se inventariou entre a população, ficção é criar veias e cérebro, a vontade no motor que faz o levantamento das propostas, avança sem estrutura, sem gente, o plano nas fotos do que vem de fora, não produzido por ela, engole comprimidos para a gripe, outras necessidades vêm das análises que fizeram ao que a fantasma, que a pontua com linha de coser, máquinas formam associações de gente, umas tantas pessoas adquirem posição sem se confundirem, deslocam-se para lugares próprios, onde estão basta abrir o cérebro aos movimentos peristálticos, às deficiências graduadas segundo as intenções e as consequências de cada acto, disseram-lhe que crescesse até ser apontada para, enquanto (ela) se caracteriza pelo tamanho do pescoço que tem proporções erradas em relação ao tronco, à cabeça, à disposição das pernas e ao que bebe, frequenta manhãs tardes noites, dividida em tempos caracterizados, texto não lhe impõe o que diz, com que sombras em que lugar em que tempo, clima favorável aos critérios ocidentais, à disposição dos membros, ao cinema do Michael Haneke, produção precária, ideias guardam a precaridade, sustentam-lhe os nervos, a condição da precaridade, perde o paleio se a instalam no sombrio, perde a invenção dos músculos, o uso dos olhos, a caracterização dos que a olham para lhe atribuírem duração experiência e métodos, não pára, se há paragem é à entrada da floresta onde os clichés se instalam, o do perigo, o da narração tradicional à l’orée des bois, narração determina como se veste, para onde se dirige com a mochila, o tronco convulso, as glândulas fabricam a intenção do cérebro e dos que a empurram para lhe significarem alienação, sarcasmo, deitada, sentada, em movimento, o que lhe entra fixa-se no cérebro que assimila o que a sufoca, ansiedade pára à entrada da floresta, nenhum sentido simbólico nisto, o símbolo nos instrumentos que a abrem para lhe averiguarem o interno, o deperecimento que se assinala nas análises, o resto é redução a fantasma para adolescentes, uns tantos diante dela enquanto no bidé, sujeita à utilidade mínima, à água entre as pernas, ao comando do cérebro que lhe pede lavagem, anulação do cheiro, tem olfacto, aparelhos de apreensão, onde estão os que a acompanham, há mais gente, a maior parte condescende com as transformações do quotidiano que supõem política comida e hospital, regência administrativa dos transportes, trabalho e repouso para consumo das ruas, do dentro de casa, do dentro deles, vozes nasaladas cospem mais palavras do que engolem, ninguém mas faz engolir, as que não me sugerem estragam a língua, corro por elas sem experiência própria, instalo-me nas sombras, não só nas sombras mas no sombrio, nas cores do vestido, das paredes, variações do sombrio nas costas, no genital, nas condições de absorção das ideias, dos resultados das análises que me fizeram, alguém me transforma em fantasma no bidé, água é coincidência com o que foi escrito por alguém, onde está a água está a chuva, 2004-11-11, intrometo-me no urbano, atinjo o tempo das análises, a referência ao hospital, desloco-me x vezes por semana, atribuo o que me constitui ao exterior que o confecciona com material apropriado para aberturas e cortes, o que estava previsto passou à realidade, a primeira a ser neutralizada marca a fragilidade do narrativo que tem a mesma fragilidade da que não assimila o que lhe dizem, o exterior é sempre exterior, condição do exterior, o que se vê do externo passa a fantasma, a autora no bidé, o clima adequado à humidade, à corrente da água das chuvas, pessoas descalçam os sapatos, mostram as meias, estendem panos à margem do urbano, o que consideram a margem do urbano, uns estendidos outros de cócoras, espreitam-se, apoderam-se do que não sabem, adaptam-se ao poluído, admitem o esforço, não lavam roupa, inclinam-se para o lado que lhes facilita a digestão, treme-lhes o estômago, criam dificuldade na autora que se forma no sombrio sem história, o drama fora dela, a ausência nela, criada na orla da floresta, junto das primeiras árvores, urbano altera os indivíduos, fá-los iguais como o adolescente que me fantasma até tornar-se adulto para me destruir, o que se toca destrói-se, que se reserve um lugar para iniciar-se o novo processo, autora desloca-se do atelier à floresta, vê os que apanham a poluição que lhes satura os órgãos da respiração, sacos garantem doenças, pessoas garantem a existência do doentio dos sacos respiratórios, ninguém que dialogue, ninguém lhe responde por não haver nem familiares nem conhecidos, atelier é edifício para imigrantes que recebem por dia pão com Würstel, geografia identificada pela Würstel, outros pormenores na poluição debaixo da ponte que construíram para transporte de mercadorias, bens dispersam-se, urbanistas edificam hospitais, criaram psicologia adaptada aos parkings, ao sonoro, criaram o ranger dos maxilares, a respiração controlada pelos vizinhos que a vigiam espiam controlam, não lhe sugerem como desenvencilhar-se, a que filosofia fazer referência, o que se edifica no cérebro, autora sente a pressão glandular, o lacrimal aberto, alergia, nada de choro, as glândulas lacrimais vêm da bíblia, o drama nas lágrimas, na água salgada de que o adolescente se apodera, faz-me fantasma a destruir quando chegar a adulto, ele, adolescente, ser adulto pede acto autónomo, reconhecimento das relações com os que se estendem debaixo da ponte, noutros lugares de captação do urbano, nos canais, nas chalupas junto das fontes, nos bancos dos jardins, no que se toca, natureza farta-o, enchimento transmite aos sistemas sensíveis o necessário para me desfazer, para me abater no sombrio, maltratam-me com exames e análises, faço parte do necessário ao urbano, justificam-se com o que me fazem nos hospitais, na orla da floresta junto do arame farpado, na fronteira, estado geral do urbano é medido pela fronteira generalizada que se instaura à volta de cada urbano planeado para a protecção dos habitantes de tudo o que vem do exterior, urbanos não desenvolvidos administram a morte, o respiratório não melhora, o defeito urbano nas contruções que os arquitectos produziram, cubículos para habitação. A herança genética, tenho o que já outros tiveram, genética desfavorece a individualidade, sou igual aos antepassados, contenho a mesma carta identitária dentro das fronteiras onde me puseram com a justificação de ser/estar com os que formam o social que me impuseram, desapareço de Bruxelas, a fuga quando estiverem a dormir, desaparecimento, polícia investiga, procura-me, fotos nos postos de polícia, o administrativo resolve o que o grupo pede: que me identifiquem, destruída pelo adolescente/adulto em idade militar, consciência militar, consciência e idade, dois elementos comuns do estado adulto masculino, ser adulto masculino é ser consciente militar, masculino consciente do militar que o habita para me destruir, estou no saco-cama debaixo duma ponte, descobrem-me ensacada depois de esfacelada para germinar microrganismos, bestialidade desenvolve-se no que não resiste, vestido marca-me o exterior, o chapéu na cabeça, tive chapéu, não me reconheço, não tenho imagens ou fotos do que sou, do que fui na cama, no bidé, basta-me um descuido para sentir as imagens atribuídas pelos que me rodeiam, recuso as fotos que me tiram como autora na orla da floresta, no bidé, nas acções privadas em Bruxelas, sou independente do que me fazem, da luminosidade para ver os habitantes, faço um movimento rotativo da cabeça até onde posso, inválida quando fixo um ponto sem mexer, válida quando progrido na visibilidade dos que se multiplicam como clientes no quarto onde me puseram a foto a cama a mesa a cadeira, a teatralidade representa-me com a luz dirigida à cabeça, luz apanha-me inteira, descalço-me dispo-me, pronta ao estagnado, sem circulação interna, tal o susto e o esfriamento causado pelos que me desolam, desolham, modelos sociais provam-lhes o que devem fazer, sou um resultado amoral, sirvo para a negação, exemplo negativo na orla da floresta, incólume sem deitar palavra, a elasticidade exerce-se na marcha forçada do trabalho ao quarto com cama e bidé, montagem teatral coloca os clientes para que efeito: sou representação pública para os clientes, alguém me dá instruções, mise en scène, posições a que obedecer, como engrossar no sofá, como garantir filhos, a quem, como gerir o crescimento e a gestão do futuro deles, que garantia lhes ofereço, termos do administrativo: ofereço-lhes garantias de, sou a garantia dos fenómenos que me alteram, passo do são às vertigens, à ocupação da cabeça com miudezas, estremecimentos, aglutinações provocadas pelo sombrio, causo-me desastre sem que me examinem, estou de costas, não me altero diante dos que se inclinam para facilitar a saída dos gases, os sacos respiratórios não me garantem a continuidade disto, sacos deficientes rebentam se aumenta a tensão cerebral, a tensão psicológica que me localiza com perguntas, a quantas estou subordinada, a que geografia, alterações vêm do social, das retenções da água, do uso do bidé para o amolecimento dos órgãos femininos, não trato dos masculinos, não me incumbiram da administração deles, autora nas escadas que descem até ao patamar do lavabo, à torneira, à queda da água no lavabo, o circuito da água dentro e fora, a língua da autora de fora, pronta à limpeza dela própria, de mais nada que lhe recheie a cabeça e os membros, os terrenos onde põe os pés, inveja os que habitam no mesmo prédio, não se esconde deles, espera que morram antes dela de doenças acidentes assassinatos, que se percam nos patamares onde há lavabo, o patamar sujo, cores desbotam-se, buracos na parede, o que elabora vem do útero, do interno escondido, protegido pelas mãos, tropeça nos degraus, os braços descobertos, de sapatos rasos, autora veio doutro texto, presente neste para confirmar o terreno de Bruxelas, não tem onde estar, o rumor identificado pelo psíquico, os membros encurtam-se, autora sai de carteira de mão, ouvem-na, paredes lavabo torneira ouvem-na, objectos têm comportamento específico, transformam os possuidores, inquilinos estão junto do lavabo, empregam frases em relação a uma língua, uso da língua local, quem não a conhece fica de fora, de fora a autora que se identifica com várias, de sapatos rasos adequados ao rastejante, ao rasto, sacode a poeira a terra a lama a água dos orifícios por onde entram os motivos sociais, as regalias

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