mardi 28 mars 2017

Função do Dia : Pentearem-se - Alberto Velho Nogueira, 1991 - Primeiras páginas

Posição na cave entre azulejos, material disposto por alguém que desenhou, traçou o corpo do edifício com dores nos braços, nas mãos, pouco hábito dos braços e das mãos ao que se faz por dia, desenhos de casas com cave, traçado dos corredores com armários onde se guardam dossiers, papéis escritos à mão. O que me sucede está entre mãos de gente que trabalha em laboratórios, analisam a merda e o mijo, fabrico dejectos por dia, preciso só de comer, não sou dono do que se fabrica devagar e pela monotonia. Os nomes são outros para quem está doente, traçam-lhe a merda sobre placa de vidro para que lhe digam o que sente, leitura da merda como biologia, bilhete de identidade de cada um, se há cada um, sinto-me um e único na cave entre corredores de acesso aos lavatórios, salas com cadeiras de madeira, usam pouco a madeira, produzem objectos doutras matérias primeiras, mesmo pentes. Mostraram-lhe os últimos efeitos produzidos quando à luz e ao nível do rés-do-chão, um salto no exterior. Deslocações em silêncio, a mesquinhez do percurso, a inferioridade dele. Objecto cortante abandonado, latas de conserva, facas de papel de ponta aguçada, brinquedos de lata. Uns penteiam-se durante a passagem do corpo dele pelos corredores, dão com o pente na mão, caem aos poucos com sono, aspecto dormente do que se vê nos corredores, há mais corredores a outros níveis do prédio, há mais gente à superfície, sobre a cave, sítio com pouca luz, portas fechadas cobertas de chapa metálica, enquanto o natural existe, forma-se à superfície, vi a natureza funcionar. O que foi ontem a divisão geográfica não serve hoje os que utilizam a palavra, entrarão nalguma cave como eu, não fechado mas dentro dum recipiente maternal, conduto que me leva a mais raciocínios do que à superfície; guardam dossiers na cave sobre a constituição da saúde, guardam o mental. Vejo-me nos azulejos, nos indícios de poeira, pó e gordura, ar vem da cozinha que trata a condensação, as correntes de ar ou a respiração humana, presença de alguns para tratamento da cor, da existência das cores sobre o que se diz, écrans com palavras a cores enquanto dura a sensação de falta de comida, roupa velha com a qual se veste, vista repetida sobre planos que foram brancos, hoje sujos de poeira, gordura vinda dos pulmões. Passou gente por aqui, foram levados aos poucos para a limpeza, fizeram deles gente pronta para a entrada no urbano, prédios para residência dos que se apropriam, levam daqui o que a sociedade lhes dá. Preparam-me a inércia, deram-me sapatos de lona, fabrico do oriente, mão d'obra barata. Porta aberta por onde entra luz, mesmo que continue pelos corredores. Apertos da garganta, corredores divididos por sectores têm portas fechadas, colam às paredes, aos caixilhos, trincos fechados, nada se altera no que sou, dirigem o que faço, dirigem e pagam, alteram, transformam dentro de corredores sem que haja renovação do ar. Chão mostra existência recente de móveis, limites dos móveis de madeira. Recolhido por gente depois de abrir a porta por onde passa quando perde a memória dos gestos a fazer, como se vive à superfície. Peso dos objectos na cave. Arquivos, objectividade do tratamento dos dossiers dos que ainda são doentes ou permanentes, não há hospital à superfície. Sinais de cada um são o que vi à superfície nos que se apoderam das salas, mantêm o infantil, tratamento quanto mais rendoso mais ligado ao infantil, ao que é a causa do que se dá depois, (eu) instruído pelos que escolhem para onde vou, o que faço, o que respiro. Edifícios à volta têm a mesma altura à superfície, 8 pisos. Passagem de transportes públicos, o arbitrário nos corredores, não vejo os que estão sem corredores à superfície, (eu) entre dossiers, papéis escritos a lápis. Passaram pelos corredores os que se fixam à superfície, organizam-lhes o que são, penteiam-nos, há maternal em cada gesto, fixação do olhar enquanto obrigados a sentarem-se, falta de força, fragilidade própria do humano, se se trata do que resta. Partes sujas dos corredores onde os móveis de madeira e armários de metal guardam dossiers, organizam a que penteadela nos preparam. Há crianças à superfície, algumas de biberão. Maternal nos actos, foi preenchido pelo que resta de gestos à volta dele numa circunferência exacta, apropriação dele aos poucos pela mulher que penteia, limpa, executam-se na limpeza dos que estão como (eu) quietos e presos ao chão, ligados por planos e disposições dos que governam, uns acima do nível da cave, (eu) fechado numa rede de corredores, armários, visões curtas da vista entre paredes em linha recta duns 4 a 5 metros, esquinas em ângulo recto, armários, portas fechadas. Quanto mais escondido mais ligado a mim próprio, ao que resulta do choque de me ver uma só vez sem plano. Vários dentro de casa acima da minha cabeça, situo-me na vertical da casa a uns metros de profundidade. Não comunico com gente por telefone, os que há estão sujos de pó, presos às paredes, assinalados por etiquetas fluorescentes, única fabricação humana. Outros objectos, produtos, caixas deles não têm luminosidade, esquecem-se deles por falta de sinal que os indique. Nos que esperam por mim há gente nova de chupa-chupa na "bocca", risco ao meio, cabeça com cabelos duros, gente de pequena estatura, quiseram indicar o maior dos presentes, mediram as pessoas a partir do mais pequeno, rapaz ou rapariga de chupeta na "bocca", centro deles na "bocca"; não andam por falta de espaço, utilizam a mesma língua, englobam-se nisto, desatentos. Sem saberem o que faço, onde estou, uns sentados com a idade, sexo feminino e caras rugosas, "bocca" aberta de duas delas cuja função é rirem do modo como tratam o corpo, anos nos mesmos locais. Introduzirem sentimento no que é estarem sentadas o dia inteiro, organizar a produção do trabalho para os outros, vítimas do cardíaco, sistema nervoso incapaz de actividades com outros sem doença mental. Pernas esticadas magras sobre cadeira, apoiam-se para a economia do físico, das andanças, olham para os mais novos por estarem sentadas com eles à frente. Parte da casa tem tecto, uma outra parte usina hoje abandonada, pertencem ao mesmo núcleo, nasceram aqui, buraco. Não há conversa, engelham, controlam pouco do lugar em que estão, para que servem, para que serviram, se tiveram relações uns com outros ou se se serviram dos insucessos metidos nas cabeças pelos familiares, pais e mães fechados, influências do que foram, mortos a maior parte deles. Nenhuma correcção do que são, ligados ao infantil, mesmo adultos viram-se para a infância, fazem-se vítimas do que foram diante dos pais, não saem disto, do buraco, da casa que os abriga. Mulher penteia-os: 40 anos, meias pretas, impressões imediatas de mulher com mamas, uso de flutuações sexuais do aparelho, aqui reserva-se a cor para indicar a palavra, cor vermelha ou amarela, ou azul, traço a top marker fluorescente. ƒculos na maioria, lentes naturais não funcionam. Saltos dos novos, saltam na divisão/casa com tecto. Saltos dos novos repetem-se com incómodo dos velhos, rendas sobre as partes laterais das meias da mulher de 40 anos, não nome. Ocupam-se, água em quantidade, nenhuma fúria, calma completa, castração. Nenhum conflito, fixam o tempo a nenhuma actividade, o zero mental, ocupação com o que a tradição deu, discurso usado, na cave não se ouve. Saem-me palavras com volume, falo para os que me ouçam, procuro os tubos do chauffage, da entrada do ar, há correntes de ar na cave para que os outros me ouçam, dossiers arrumados nos armários, trataram de tudo e de todos, existe organização, dossiers escritos a lápis, a tinta vermelha, indicações aos que querem viver na vila, cidade, local, burgo. Indicações dos sítios donde vieram, para que servem. Crianças são filhos de alguém ainda novo, crianças novas, 4 a 5 anos, ou menos, mudam, crescem, falam enquanto os velhos se enganam nas palavras, ecolalia nos dedos, nos sentidos do corpo, confundem o direito com o esquerdo, precisam de guia para se levantarem, andarem, distinguirem a rapariga do rapaz. Joelhos à mostra, gente dos dois sexos. Uma põe os dedos nos ouvidos, não ouve, dizem o que há na cave. Se havia buraco aberto, se desci as escadas para cair num terreno vago, pouca luz por serem 18h15 mês de fevereiro. Nos corredores, entre armários, a vista segue as esquinas, ponho no chão o que transporto, sacos, um saco, não dois, levei-o comigo ou descansei dele num dos corredores, não há outro sítio por onde passar, corredores e armários fechados, esquinas. Portas fechadas não labirinto, mostraram-me o caminho para que saísse do trabalho, dossiers guiam-me para fora, têm como função indicar o caminho aos que trabalham como eu, fixaram-me ao sobrado para que pensasse no que me arranjavam, trabalho absorve. Em cima penteiam os que entraram de novo, escolher entre o rés-do-chão e a cave, em cima olho para os mais novos com biberão, pastilhas elásticas, distracção dos velhos penteados, arranjam os mais novos como os mais velhos, arranjo igual, sem dignidade não aguentam estarem fechados com óculos, mãos nas orelhas dos que não ouvem, recusam-se, tapam as saídas, mesmo as "boccas", anorexias, veias das pernas e tendões seguram mal as pernas, TV diante dos olhos, estão ao corrente do que se passa no líbano, união soviética, roménia, sudão, palestina, nenhum inventário, fundo monetário, nenhum inventário, braços e pernas contam-se pelas veias salientes, pelos óculos e sonos dos que vêem TV, adormecem, lenitivo. Contraria a cabeça, mete-se no percurso abaixo do nível do mar, pressão da água no sangue, mesmo que esteja longe dos corredores, não vive abaixo do nível do mar, percorre pelos corredores distâncias que correspondem às da superfície, cansaço é maior abaixo do nível do mar, percorre por engano, manobra abaixo do nível do mar, sentir pressão sobre o aparelho sanguíneo, é todo sanguíneo, percurso do sangue dentro dele em sentido contrário, independente, sangue circula mesmo quando (ele) pára. Abaixo do nível do mar para ouvir os do rés-do-chão, dos outros andares, edifício tem apartamentos, fecharam-nos por organização locatária, não pagam renda, foi-lhes dado um regulamento, modo de funcionamento no edifício, nem se vive como noutro sítio, não pagam renda, limpam 1x por semana. Crianças de biberão, centro delas, substituto da mama entre dentes, borracha para ser mordida, mordem o que é mole, lembram-se da consistência da mama, trincam à vontade, memória do prazer. O resto, dão restos às pessoas, habituam-nas aos restos, são penteadas como substituição do sexual, as mais velhas sentadas não têm pernas para se mexerem, as mais novas não têm autonomia, o que querem não serve, dão-lhes objectos a chupar, morder, actos com a "bocca", "bocca" indica-lhes a produção de prazer, nenhuma saliva, secos. Para que serve subir a câmara, planear, preparar o desenho da cena, gente sentada se estão sentados, não saem daqui, preparam as salas para que o quotidiano seja igual ao dum hospital, fechados, tratamentos, nenhum paleio fora o dos que organizam as doenças. Resistências, órgãos internos, fixação do sexual em nada, num cara a cara com pente, objecto de dignidade, a que tinham desapareceu com trabalho, falatórios, foram objectos de sensações, ligações ao dinheiro. Paleios preenchem. Objecto de respiração e olhar, olha as paredes, centros (dele) deslocam-se, infiltra-se nos sons, o que ouve da produção sonora inverte-se, único som. æ superfície é esquecido, produção liga-se à superfície à produção económica, inventaram sons a ouvir, produção de músicas, vendas, compras, ouvido ouve o que a produção lhe dá a ouvir, deixaram de produzir sons próprios, as máquinas corporais enganam, produzem dejectos e defeitos. Produção de som por fios, um a um, devagar, reflexos ou ecos do que se passa no exterior, percepção do mais longínquo, distingue o ponto central da produção do som, donde vem, quem o fabrica, para que serve. A que distância da superfície, se está mais longe, se se afastou, longe do sítio, quando o caminho à superfície é igual ao caminho na cave, equivalentes, não se perturba com a diferença que não existe, aqui protegido dos sons da superfície, aqui é único, único pelos sapatos, pela olhadela para os sapatos de lona, nenhuma despesa com ele próprio, quanto mais demora na cave menos gasta, menos deseja, menos produz, menos vê, compra de objectos, livros para ter e não ler. Tempo encurta-se segundo o que se diz, menor nele, menor para ele. Ocupam-se deles à superfície, deles não sabe quem, não especifica, não determina, não conhece, desiste, inventoria e inventa. Percorrem a cidade, burgo, vila, estância, lugar, para dar de comer aos que se fecham na casa à superfície, existe quem se encarregue do que se dá de comer. Procura comida, aparelhos da comida pedem-lha, órgãos pedem comida pelos reflexos, transmitem a dor. Na cave sem ver a saída, saco ou sacos num dos cantos, distingue o local, não os perde (o perde), não se cansa a transportar o que tem, despe a roupa, temperatura a 20°. Canalizações do chauffage pelos corredores, vê os tubos, aquece-se. Cabeça rodopia, engana-se com ele próprio, perde o conhecimento, introduz o balanço no corpo, nunca se viu balançar, estremecer, tremer, sacudir-se, engana-se na circulação das águas pelo próprio corpo, corpo medida dele, corpo é uma medida, não a principal mesmo para o humano, corpo não serve quando o massacre e a ignomínia funcionam, corpos são enfiados em caves, em fornos, em campos fechados, em fossas, tendência para o buraco, para o que resulta em sepultura antes do termo, buraco aberto pelas próprias mãos, fazerem-lhes abrir o próprio buraco, caírem nele, cratera, quanto mais crateras melhor, mais poder, redução do humano a corredores, metido em cave; outros inanimados à superfície. Manutenção dentro de casas/apartamentos do que se vê de fora, gente à janela, nas varandas, "sossego e bem estar, organização e limpeza", dão-lhes folhas com regulamentos, índices, notícias na TV, aparelhos japoneses, alemães, ninguém mais produz, humanos penteados são produzidos como labels. Cuidam deles por dia, feito por dia, organização minuciosa do que é o engano deles, velhos, outros novos, cada casa fecha uma quantidade de gente. ågua cola os cabelos ao crâneo, à caixa que não pensa, caixa de depósitos, sensações organizadas pelo maior número de informações, notícias e filmes, publicidade, ilustração do que se faz fora, nas ruas, nas zonas divertimentos dos humanos. Caixa de depósitos não tem funcionamento próprio, parasita da imagem publicitária, do mais propaganda do humano, do humano, retrato do humano, constituição da linguística fechada do humano, adaptado ao que se fala nas caves. Começou pelo biberão, pela trincadela, pela chupada, hoje chupa paredes, o mais rugoso, língua exprime-se quando lambe paredes perto dos tubos do chauffage, do mais quente, presença humana na temperatura, na condensação à volta dos tubos, ar que respira tem humidade. Estado ilegal, manutenção dele fora do pente, penteia-se a si próprio, procura o saco, abre o saco, olha para o interior do saco, não tem nada que fazer se não se distrai com o que lhe indicam como trabalho, resultado da actividade sanguínea. Subordinado à caixa cabeça de depósitos, sem caixa nada a contar, a resistir, a fixar, a utilizar, os nomes dos objectos palpáveis, o corredor arquivo. Copia as normas, tem lápis, continua o trabalho iniciado quando tinha acesso à superfície, tem lápis e luz, corredores iluminados, lâmpadas sem abat-jour. Filtro verde escuro, não musgo nas luzes, lâmpadas verdes iguais às da superfície, luzes fracas para que não tenham expansão, ligam-se ao território fechado, ligação entre a luz e o espaço, organização do espaço deles à superfície em relação ao hall de entrada da casa/apartamento, prédio de oito andares, iguais por fora, construídos ao mesmo tempo, avenida completa, portas interiores com vidros e cortinas. Separam as actividades não os sons, fornicavam sem que se visse, produção de sons, cagam sem que se veja, olham para as feses como exame do comportamento dos órgãos, vêem o interno pelo exterior, pela superfície, à superfície, pelo estado da superfície, envenenamento. Gastam os termos até não terem necessidade deles, infiltram palavras em tudo, sem utilidade, sem manobras, em publicidades, imagens rápidas, as que se fixam não nas paredes/écrans mas no interno da caixa de depósitos, na falta. Caixa organiza as faltas de gente, faltam-lhe os humanos que o precederam, esqueceram-se do que era andar, vêem crianças de balão, objectos do ridículo imposto às crianças, trituração de chewing-gums em vez de mamas, crianças seguem a educação. Filtro cobre o que vê no rés-do-chão, preparam o lugar à entrada, não passam do hall de entrada do apartamento, sentam-se numa fila, várias cadeiras, encostam-se à parede para não ocuparem espaço, multiplicam-se os dados por serem vários, verbos no plural. Sem atitudes pessoais, funcionam por grupo em grupo na necessidade do grupo na "fala" comum vala comum, alguns saem vestidos e lavados, compostos, pano atado aos queixos, morrem. Arranjam-nos na sala ao lado, apartamento prolonga-se não sabem para quantas salas, se são salas, construção de 36. Superfíce lisa como a do rés-do-chão, mergulho sem jeito da cabeça, corpo inteiro mergulhado, braços são gestos funcionais, avança até ao mais profundo, sai do equilíbrio, de cabeça para baixo, não vê da mesma maneira, esquece o que está à superfície, rés-do-chão do prédio de 8 andares, engana-se, perde-se, não traça nada, caixa de depósitos vira-o para outro lado, menos difícil acesso, cabeça mergulhada puxada para trás, erro grosseiro do pescoço, magreza do corpo em gestos aquáticos. Agilidade inventada pela precipitação, gesticular dos braços na água, local aquático, superfície com barcos, redes, pescadores, pouca agitação das águas, nenhuma onda superior ao abatimento do vento sobre a superfície; nada entre peixes sem nome, olhos abertos pela água, força da água, braços estreitos pela magreza, nenhuma comida, pouco peixe a comer, peixe não engorda, não têm fome nem braços gordos, nenhuma gordura nas mamas masculinas. Homem mergulha, serve-se da experiência para se mexer na água, calções de banho ou cuecas cobertas por lenço atado à cintura, membros rugosos não cuidados, lavados por estar dentro de água. æ superfície, homem estendido na estrada é o equivalente do que mergulha, respiração fechada gesticula aprofunda o corpo na água. Abandono do saco deitado ao lado, distância de quase 1m, coisas espalhadas são poucas, toalha, linhas de coser, pão com queijo seco, pão seco, queijo seco, não foi penteado hoje nem nos dias que passam pelo termómetro da penteadela. Mulher penteia-o de manhã antes do trabalho, organização do dia passa pelo trabalho diário, levanta-se para o trabalho, enfia-se no trabalho escritório, anunciam-lhe quanto ganha, quais as promoções se as há, para que servem, destinam-lhe o horário para os próximos 20 anos de rentabilidade, opinião igual à dos patrões. Levanta-se para cair na estrada, caixa de depósitos na valeta, punhos da camisa sem botões, saco despejado, cabeça por pentear. Preparam-se para o trabalho no terreno ao lado com tractor e botas, mulheres de pernas abertas pela força dos gestos de trabalho, alguns fazem-nos com minúcia e estrago, estragam, rebentam com o que há a rebentar, destruição do que se apanha debaixo dos instrumentos de trabalho, tractor esmaga, homem deitado na valeta. Ligação do esforço do mergulhador com o que se vê à superfície, não no prédio mas na estrada, terreno separado entre dois campos, estrada conduz a sítio nenhum, nunca a percorreu. Conheço pessoas de vista, nunca lhes falo (falei), pertencem aos que falam pelo gesticular, comer, regar. Foder. Recebem dinheiro, paga, têm as calças curtas de mais, não chegam aos sapatos. Caiu na valeta por descontrolo do corpo que não tem por dia a mesma capacidade, corpo cai, rebenta, provoca, derrete-se, perde a pele. Não come, corpo é peso, leva-se dum lado para outro pedido pelo dinheiro, passagem pelos campos, fugas do banal, distâncias, o tempo do acordar. Demora a vestir-se, vestem-no, preparam-no, lavam-no, massagens, corpo deforma com a idade, magreza dos membros, cara clarifica-se com rugas, silêncios, paragens na casa de 8 andares. Outra vez a data, local, indicam-se as fases do dia, as direcções, para que se veja o homem, a mulher que penteia, referências, olhares para a constituição do corpo, limita-se por palavras, é ele dentro de gente que cai, mergulha, cose. Não se penteia, começa o dia pelo mergulho, corpo delgado sentido dentro de água, cabeça para baixo, inclinação forçada em relação ao pescoço, defeito do corpo ou capacidade de articulação do corpo magro dentro

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