samedi 25 mars 2017

Desabitada - (I'm so Happy) - Homem Morre - (Montagem Wiseman) - Alberto Velho Nogueira, 1990 - Primeiras páginas

constitui-se a sombra pelo interior duma casa numa divisão cujos móveis irregulares foram feitos sem jeito por ela. torneira presa ao cano que sai da parede. fio eléctrico. divide-se o desabitado em três partes que correspondem aos cortes em fatias. saber se as partes são separáveis, se subsistem com vida se são cortadas com a ajuda dum objecto afiado antes de se introduzirem na água, num líquido que cobre as partes. se está sentada, resume-se. cobre as indicações do resíduo dela, ainda viva. diz-se quieta para que o que pensa se mexa por dentro dela com a actividade dos músculos e a presença de gente que a não deixa concentrar-se sobre os obstáculos do dia. operações desdobram-se devagar, pertencem ao dia. olho para a continuação da sala, o corredor estende-se, passo por ele devagar com os pés descalços ou de sapatos, conforme o momento do dia, operações a fazer, saída do recinto. as mãos escorregadias da gordura que retiro do frango com a faca, os objectos citados fazem parte do dia, estão pendurados à cintura para que estejam à mão. à volta do que sou feita, em parafuso, à roda, a base são os pés, vestido que me cobre serve de pano de cozinha, as atitudes embrulham-se comigo própria, não as distingo do que se faz inerente ao tronco que tenho. meias escuras, o tecido artificial, não o foram buscar aos animais. não há presença de animais no centro, habitação. não se toca senão no mínimo, a relação ao que se descreve, e de todos os gestos os mais repetidos fazem desaparecer o que ontem se fez, fixam-se fora da memória, ocultam mais do que marcam, formam carapaça para trás do dia, envolvem-na quieta. foi sentada desde a infância na cadeira direita, o assento em veludo. os que vieram ver, vieram ver e mais nada. percorrem com a vista, o órgão serve de caixote de lixo, fixa-se no mais inoportuno, enche-se do mais próximo da lixeira e dos cheiros que saem das vasilhas espalhadas pelas ruas que não foram retiradas pelos serviços, serviços de limpeza em greve. mostram-se lentos os que a viram sentada e que lhe medem os membros, a parte frontal da cabeça, a profundidade de tudo o que se vê fora dela quando se é outro. se se vê para além do traço, a rapariga confunde-se com as idades e as sensações, com os habitantes que frequentam a rua, as ruas, a cidade, o país. conhece a zona pelas saídas, abanar dos membros, olhares percorrem as zonas. aprendizagem pelo contacto com as sensações e pela frequência de gente do que virá a ser a coacção de estar sentada a maior parte do tempo até encontrar as satisfações na cadeira, com a esfrega das pernas, os dedos nos lábios molhados, esfregas de tudo o que há a esfregar-se com o próprio. contagem do tempo pelos que passam diante dela e voltam a passar, fazem círculo sem outra actividade, prolongam o exame dela e o comentário, nada a dizer, repetição do que já foi falado. dureza do tempo a passar com o que foi escolhido para habitar na mesma casa, quartos pela casa, conhece-se devagar a ocupação da casa, como estão mobiladas as divisões, algumas com poucos móveis, uma só peça mecânica, mecânicas das casas, máquina de coser, caixa de botões. cai-lhe o cabelo com a passagem dos que a vêem, desabotoam-se os botões, a queda duma parte do vestido. um homem frequenta-a com assiduidade, invade-lhe o terreno onde está sentada, a cadeira, para desaparecer diante dela, passagem mais asfixiante do que a presença, corte no tempo e nas limitações do espaço da casa que faz esquina e que cobre o canto de dez metros para cada lado, várias entradas, saídas bruscas. fugir-lhe para prolongar a ausência dele, por saber que horas são e que rotinas são executadas, foge por saídas contrárias às entradas dele, o homem engorda com o transtorno, a obesidade engordura-o conforme as fugas dela, ausência de relação com o que ela é de corpo e vestida, de corpo e nua na horizontal. instante entre focagem dos olhos, percepção rápida do globo ocular. dureza nos côndilos. deita fora a produção salivar, enrola-se no que produz interno para se molhar, sair da secura. homem engorda, enche-se de gordura, a vista diminui conforme as partes escuras da casa, as gavetas, uso de arrumação, os sobrados encerados. contacto com as ceras e a água suja para lavar os pés, o cu, as partes bocais. lavagem, lavagens produzem cheiros, dedos preparados para se encontrarem nos corredores e perguntarem com os olhos o que lhes falta entre eles, a mulher não sai das divisões partes da cozinha, portas de dupla dobradiça, aberturas e viagens fazem-se para matar o tempo entre isto, o corte, escapadela, não o quer ver entre as refeições, antes da refeição, instiga-a a dar-lhe de comer. vê-lo diante durante as refeições, os beiços, jeitos exteriores, apreender a comida, engoli-la, as manobras fazem-se para a engorda, a testa diminui com o peso das garfadas, julga ela que o vê engolir e mastigar, dureza dos maxilares, a força que tritura a comida, a deixa em bocados salivados para serem engolidos depois em bolo, guardanapo de pano serve-lhe de aparo ao que fica de fora, prato vazio conforme o olhar dela de vestido sem bolsos, arrancou-os ontem, hoje, num momento do dia, linhas saem-lhe dos bolsos, fixou-se na caixa, nas caixas, nas prateleiras da casa, a organização da casa é igual à duma outra. jarro de água, copos de vidro, a fábrica funciona perto, fabrica os vidros da casa que corresponde à esquina, inclinada para a esquerda por defeito de construção. casa inclinada pesa sobre ela. infiltra-se nos códigos, leituras, esquecimentos e mudanças bruscas de terreno, calças em vez do vestido, tem vestido, foi enfiado de manhã, marca o tempo, inclina-se como o prédio para dar à rua a estreiteza que quer, ela enforma-se das palavras que lhe quiseram reter para que fosse diminuída aos poucos, mudaram-na de sexo na cabeça, não é o que era por fora por terem exagerado os defeitos, assimilação à loucura do dia, hoje diferente e igual a ontem, mesmas palavras, capacidade de receber os choques mentais, perigos e subtilezas de cada um à volta, as fintas do vocabulário, instalação de cada corpo num terreno com tintas, escorrer da pasta que lhe enche as gengivas, os dentes, forra-os por dentro, infiltra-se-lhes até às raízes. confunde-se com os restos de comida, ela igual a ele, instala-se nas gorduras de cada palavra, nos planos traçados a partir da fúria e dos medos. foi feita aos poucos, esquece-se do sexo, infiltra-se nas correntes da cidade, não indica nomes, rótulos, audições de cada palavra para fora da bolca dele, não realização do que pede, pede-lhe. senta-se na frente dele para lhe encher o copo de água, servilismos, atitudes que aprendeu e viu, assimilou, infiltrou dentro da cabeça, já no movimento dos braços, nas pinças feitas pelos dedos, nos buracos escapatórias das correntes nervosas. disseram-lhe que a existência só tinha a ver com o nervosismo, estalar do sistema nervoso, ocupação pelo linfático, propriedades que a aterram, a enchem do terroso, divisões do estado mental em partes que correspondem às cores da pintura, (ela) é pequena no meio das palavras ditas, constituição dos discursos, falsificação do constituído à volta dela que se prolonga na natureza, morte de cada partícula. servem-se das leis para se instalarem em tribunais, trabalham em prédios antigos, escadarias escuras, cheiros a lenços de assoar. os braços caem com o uso de legumes, fruta, pesos laterais que lhe incham a cabeça, aparecem-lhe pesos durante o dia com as alucinações dos metais, íman, atracção. a presença dele e da gordura, sobretudo da gordura, os beiços, peça que lhe incha com a comida. exercício da comida, ele diante dela, os movimentos dos lábios que cospem, soltam a carne do animal, galinha, os ossos presos aos tendões, partes iguais às dele que o viu cuspir-se devagar. insistir nisso, entristecer com as cavidades lambidas da galinha deitadas no prato, tem prato, mobília, galheteiro, peças transmitidas pelas gerações precedentes, ela sentada na frente dele, disse ela, por estar a vê-lo e a repetir o que já não quer ver, prepara-lhe a morte, uma morte, a partir daqui o tempo necessário para que desapareça da maneira mais cruel, imaginada, basta imaginar para ser cruel, a nevrose aumenta-lhe com a vista, a repetição. desvia o copo da frente, esforço para o adivinhar entre tábuas quieto sem mastigar, vê-lo quieto nas tábuas, em quaisquer tábuas para que não se diga caixa, não quer pô-lo em caixa, caixas prefere-as ela. cabelo redondo sobre a cabeça, cortaram-lho, cortam os cabelos a todos, não se prolongam por muito tempo, não significam nada, servem de toque aos dedos, à tesoura, à máquina de cortar o cabelo dos homens, máquina própria para isso. parou. parou. não ouve nada, mastigou-a, ensalivou-a, lavou os dentes com o sopro. meter os dedos pela boca, limpeza dos dedos ao casaco, guardanapo de pano, servem-se de panos de algodão, único tecido em casa para se cobrirem, lavarem, vestirem, embrulharem as partes. nada direito, a casa inclina-se, prateleiras indicam o desvio, a inclinação para terra. o prato esvaziou-se na proporção do que comeu. deu-lhe um golpe, deu-lhe. dá-se a presença dela pelos movimentos e, se pertence a um grupo, vê-se pelo exterior sem falar. pertence aos deteriorados e se caminham é para encontrarem alguém que os conheça, a presença do campo que percorrem, fora de cidades, deitam fora os restos espalhados perto das portas das casas. lembra-se da palavra, a formação na cabeça dela, o inchaço rápido que lhe dá peso e enjoo, os volumes da cabeça alteram-se com o que pensa, diz trazer uma faca ou outro objecto de cozinha para se servir dele não para cortar o frango mas ele em partes, tem diante a figura dele quieta, tal a quantidade de gordura que o enche. a gordura cola-se ao interno se fizerem uma autópsia, se lhe perfurarem o estômago descobrem-lhe a fome. nem que ele perceba o que se diz, faz, se sente, ela sente, a ruína lenta, as palavras dizem para enquadrar o quotidiano, o terreno que vai daqui ali, posições do dia debaixo do efeito do sol, da temperatura, do caminho a percorrer para se perder e nunca mais falar nem pensar nele, na idade que vão vivendo, o susto de o ter de manhã. se se encontra a lógica, apago-a, não lhe diz respeito, pertence à idade que tem, ao mergulho, funciona por impressões e restos de procedimentos que a atraem para os sítios que já conhece, repete-se até ao enjoo, não há senão repetição nisto, a circunferência do corpo estraga-se com os dias, hemorragias forjadas pela idade, vasos pequenos rebentam sem que beba vinho, só água e já chega para envelhecer pelas pernas, pelo uso da cabeça tamanho do olhar, o tempo que organiza à volta dele e o que olha todos os dias por defeito, entrada dela na sala com um prato na mão, viu e repete o que viu fazer a todas as mulheres, ainda há mulheres para isto, servir o prato de refeições repetidas, a mesma desconfiança da parte dele, disse ela que o via comer com o olho vazio, em frente a janela aberta, o intestino dobra com as dores, parte já estragada, o mesmo ambiente diante dele, quadros reproduções, objectos falsos como a comida, o vinho de produção local. o nascimento da filha com a cabeça como ela, como as mulheres do grupo que marcaram a memória com os dados repetidos entre todas elas desde o dia do nascimento de cada uma. usam o mesmo vestuário, passam-se os algodões conforme as idades, têm idades, disse ela que incha com os anos e com o olhar dele. não se ouviu a voz (dela) desde que começaram a comer a horas certas, os dois fechados no que foi a primeira casa deles, onde nasceu aquilo de cabelo curto, barrigas, uso de barrigas como emblema social, como o uso do chapéu, os nomes das crianças, forças autoritárias de cada um, violência dos nomes seguidos dos apelidos que confirmam donde se vem, nenhuma liberdade na constituição do estado familiar, reage-se como se pode, alguns esquecem-se do sítio que ocupam, esquecem-se do lugar que escolheram, abandonam, fogem, acabrunham por não haver que existir entre os outros, disse ela, resguarda-se da utilização das palavras e das obrigações nomeadas pelos que falam para obrigá-la a seguir o já pensado. a mão sufoca com força, resolve o caso dela conforme a dureza do pescoço. o nó. ninguém assiste, ficam entre eles, fogem do uso das coisas, arrefecem os talheres, a comida, as portas fechadas. esfregar as mãos, sentir que o corpo produz calor e sobressalto, inversão das palavras dentro dela existe como experiência sexual, apesar da secura. levanta-se a cada gesto dele. por fora, a fachada, o limite, cheiros e memória dos toques, obrigações do tolerável, o estoiro do qualquer. nota-se o que ele é pela presença como pelo rastilho, os restos do seboso espalham-se, assiste ao marcar do terreno dele pelos passos que dá em casa, o terreno espalha-se para fora, pelas ruas, pelos usos dela. comprar o que comem, ela não come, poucas vezes a vi comer, pouco esforço do corpo, outras razões. esquecimentos perturbam-no, fazem-no desviar-se do caminho de casa ao café, usos, países de usos para marcagem de cada actividade, ligação aos cheiros, ao restolho deles. a vista enfraquece pouco a pouco, perturba-se pelo uso das narinas, o cérebro atrofia-se, o que está dentro que não vê, já viu num animal aberto. cabeça depois de aberta não serve para nada, se a dele fosse aberta (agora mesmo) por ela não serviria para nada, nem para o espanto dela, depois de o ver ainda mais fraco, vê-se sente-se despeja-se amolece esvazia-se pelos tubos de que é feito, ingere-os com as comidas e as digestões, fabrica-se desocupado. cansa-se nas actividades quietas, nos planaltos, ausência de montanhas, a vista prolonga-se em bruxelas ou nos arredores por usos, fabricação da produção do ver para sentir ter existência, experiência do mundo. não ter mais circuito palavroso por não ter mais experiência diferente do nervo, uso diário do nervo em frente dele, na casa, por fora a reconstituição do clima mais propício à morte dele, a qualquer forma de assassinato capaz de a desculpar, aliviar aos poucos, não logo a seguir ao acto, ao perfurar o estômago. tinha tido a dor lateral com os abusos do álcool, fígado queimado, sujo de surro, borras. pancadas laterais sobre os canais que levam o sangue ao coração, prepara-se para cada esforço diário, disse ela, levada para casa para cozinhar a refeição, espalha-se pela casa e pelos sítios que há na casa, dizer o que viu, aglomerou, dizer para ela própria como se alimentam as pessoas, o que as alimenta devagar até dar crime, soluções com gozo à medida que os braços perdem energia, a musculatura descai. pertence às que perdem a crosta por dia, a condição da memória para saberem ainda de que é feito um homem, as condições de silêncio a ter diante dos beiços buracos, homem na frente é feito de buracões, esferas e placas de marfim, dentes mal situados na boca desfeita aos poucos conforme o uso como recipiente, as saliências do dia. o que lhe parece mais agitado perde-se na utilização obsessiva das palavras e do sistema de cozedura por onde elas passam para sentir o efeito do sistema nervoso alimentado por olhares, nadas encontram-se nas ruas em bruxelas. dizem-lhe coisas que repetiu, outras que separa para as enterrar, nada explicável e que diga respeito ao que a rodeia, fora o esquecimento dos anos, a impossibilidade do que pensa e executa devagar, sem isso não tem satisfação em continuar, chama-se viver a isto, aglomerada às funções diárias e às comidas, isto de cagar, sexo atrofiado pelo social, dedos chegam para se infiltrarem nas buracas. concavidades, recipientes, arranjam-se sítios para pôr as mãos enquanto espera sair de casa para se dividir entre geografias, o terreno movediço do qual se aproxima sem calma, revelação abrupta do que (ela) é, encostada à cadeira, gestos entre alargar e aproximar do centro dela, mãos abertas perto do boco buraco, abertura por onde enfia as partes desfeitas conforme soletra as palavras e vê diante dela um buraco, abertura para garfadas, e não só, o resto do homem não é só aversão. dificuldade em olhá-lo, presencia a respiração dele, gestos arcados dos braços, peso da língua de fora, imagina-se a língua por dentro perto dos alimentos. as ideias dele desaparecem à medida do olhar, do sentir dela enquanto o fere, lhe dá a quantidade de comida que o incha, não se resume a suores, gases. uma parte flutua, agradável à vista, fluoresce conforme o uso de medicamentos, da natureza, a frequência do ar exterior menos apodrecido do que o que se respira dentro das casas, cestos, recipientes que o acompanham cada vez que sai, a confusão das geografias fá-lo desaparecer com pouco esforço, ele próprio abandona o local, enche os buracos vazios, embrulha-se em toalhas, provoca a agitação dos que o querem ver, funcionário, todos os dias abertura da porta à mesma hora, de manhã, obrigação dos gestos, ferrugem da porta, escarrador, bocados dele saem conforme os usos e a limpeza interna dele, escova dos dentes amolecida. teimosia, impertinência, esquece-se do que diz, aqui outra escolha de cada dia e repetição, intervenção de cada um na escolha do que não se diz, o mais necessário para que não se destruam. agridem-se com monotonia, agarrados aos objectos e toalhas, o quotidiano infiltra-se, mastiga-se na bolca, na bolca está a relação com o diário, com as temperaturas, dores das queimaduras. ouvem-se entre espaços-vácuos as vozes de cada um, a produção de sons exteriores, lamber dos lábios secos, teimosia nos objectos, no torcido das actividades, ignomínias, atrasos, aberrações, choques entre gente, agri/dem-se, impulso. deixou os talheres nos mesmos sítios, o resto são caixotes de lixo, bolca aberta, dentes à vista, os remendos da bolca, buraco. quiz lembrar-se do nascimento, nasceu com o apertar das forças, pressões da barriga vaginal, lábios, aperto do que foi à nascença a guloseima escorregadia, pedaços que compunham um todo, disse ela repartida e composta de bocados sentados na cadeira, enquanto olhava (olha) para ele quieto, o sono. daqui para mais longe pelo esquecimento das datas, dos recortes dos quadros que viu, fugiu para o mais longe dele, foi vista à entrada de museus, garagens, portas de casas suspeitas feitas para zonas de recreio dos homens, galerias de bruxelas, visitas a quadros de pintores preparados para pintar o que se ouvia, as tintas escorregam, aproxima-se desde o nascimento dos líquidos e do escorregar próximo do desleixo do corpo que ele tem e mostra diante dela, disse ela, depois de o ver sair da mesa, a barriga inchada, calças abertas, hemorragias contínuas dos intestinos. verem-se de novo, ela vê para fora, olhares para o mais externo dele e dela, o comportamento não se decifra mesmo dividindo o corpo em partes tamanhos quase idênticos, fatias dela. gestos de pendurar carne, panos expostos. entre o dito e o esquecido figuram eles perdidos entre ruas de bruxelas, "lulu's back in town", enquanto se dispersam as tintas espalhadas por ela sobre terra, plano inclinado, está perto dela por onde se bebeu, ainda sobre a mesa se as acções se seguem e se há ligação por fio entre as coisas, guitas presas, sem guitas não há nada, nem a existência deles se faz para fora das guitas, do que é engolido. as comidas mastigam-se sem esforço, apesar das dúvidas das actividades do resíduo e da necessidade de água para beber, engolir pelas cavidades buracos dela, a começar pela bolca, palato, entrada de minério pelo esófago, quanto mais brinca com a terra entre mãos e dedos, punhos e braços, mais se aproxima da influência do interior fechado que não se abre senão por acidente, operação, estrago. toma nota do que faz entre pulmões, cama, colchão de arame velho, materiais servem para fazer e seguir uma arquitectura do interior, a disposição dos objectos iguais a ela. traça linhas desiguais, carreiros impregnados de terra, massa cozida italiana, hoje perto de roma entre mamas à vista pela abertura dos botões do vestido, a corpa estende-se à vista entre temperaturas e mudanças de estação, primeiros dias de maio quente, a máscara na bolca, respiração asfixiada pela falta de corrente muscular. pediu um copo de água, instalou-se nos barulhos que chegam das casas de janelas abertas, vozes distribuídas aos poucos pela rua, confusão. sentou-se para saber com clareza se se trata de bruxelas ou de roma. foi fácil colocar a máscara na cara, as borrachas estanques não deixam entrar a podridão do ar, da data, 1964, à volta não há ninguém a esta hora. preparou a mala para dividir o arranjo dentro de casa, pediram-lhe que embrulhasse guardanapos, rendas, tecidos, toalhas, inventário do que se ignora e não se utiliza dentro das casas, actividades de secagem, corpa entre as águas, lavagens da carapaça superficial do corpo e das louças, cus de crianças, reproduz-se em cada um o que surge nos outros, sobretudo se são crianças sem autonomia, confundem o que fazem contra os outros com o provocado pelos outros, cria-se a crª dentro do terreno neutralizado dos adultos, aqui aprende-se a fazer um círculo com as coisas, frequência dos objectos e de baldes de tinta, caixotes de transporte de comidas em camiões de bruxelas para todos os lados, de todos os lados para bruxelas, a comida dele, ela não come, digere o ar podre com a máscara, pendura as roupas molhadas, os alguidares já vieram como recipientes das palavras que diz, altera o discurso com a urgência de dizer alguidar, água, transporte por fios e tubos de circuitos de água que desembocam em alguidares, recipientes servem de limpeza ao corpo, transpira-se em gotas com a temperatura, exercícios, força gutural para se falar para o exterior, acusar o cinismo da linguagem. fala-se por circuito educado, resposta à pressão dos ante/passados, fizeram a sociedade e o processo de se estar fechado com a comida diante dos olhos, os seres, neste caso homem e mulher com crª do sexo fem., comportamento secular, fizeram a ciência disto: ouvir-se a frase que vem do uso da voz, ut, como ela os cabelos pintados de quase branco, mamas embrulhadas em tiras, correspondência estreita entre barulhos e saídas para fora diante dele sem instrumentos retirados das gavetas arrumadas durante o dia. atira a cor sobre os cabelos que mostram o visível, o círculo das coisas passa perto deles, condiciona-os à limpeza, sem limpeza não clarifica as coisas, olhos turvos, perde o ângulo da vista, provoca o vómito. entre isto e outra coisa só a permanência dos objectos e a passagem da língua pelos lábios secos. mania, pára de mexer com os lábios enquanto escreves, tocas com os dedos na masturbação, a função do dia quieta com o alguidar furado, precisa de amolador, o chão é composto de tiras de pano rasgado dum lençol para que sinta os pés frescos, inventa a passagem de corpos por tamanha obrigação, por entre buracos, engolidos para dentro. um tamanho aumenta com a deslocação dela, o peso escorregadio, teve-o dentro quanto tempo, enquanto dura a pressão + a circulação sanguínea, trabalho da imaginação até ouvir a produção da fala em sussurro, barulhos perto do ouvido, para dentro dos panos e dos jornais que compra, um canal tubo que lhe dirige o som para o próprio ouvido, da fala para o ouvido, do dentro para dentro, até ver que ele se afasta por falta de

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