mardi 28 mars 2017

De Cabeça para Baixo - Noli Me Tangere - Alberto Velho Nogueira, 2009 - Primeiras páginas

[Acto I] HUMIDADE INSTALA-SE NOS sinais sociais, progride para o lado esquerdo onde estão os sinistrados, apanha o confuso, olhos obedecem ao líquido que os vira na direcção que o cérebro rejeita, rejeito o ocular, não aceito o que me propõe, dependo da língua, das matérias a mastigar, das côdeas, porquê introduzir a referência à fome que inclui perda da vista, ao acidente imposto aos habitantes que marcam a estrada, estou no lugar do acidente, profissão socorrista, faço inventário do lugar, avanço com os materiais os sabores os gostos, tudo passará pela garganta depois da língua do palato das papilas gustativas, informações passam ao mecânico, agridem-me, afastam-me do centro, passo do vivo aos que morrem, matérias ocupam lugares depois de feitas pelas indústrias, não existem só mecânicas pulsativas, umas fizeram objectos pesados, outras ligeiros para consumo imediato, objectos interferem na actividade socorrista, aproximo-me do lugar do acidente com os utensílios, socorristas deterioram os materiais de socorro, vieram dum prefabricado, a temperatura inadequada aos habitantes, forçados à temperatura exterior por não haver isolamento, materiais degradam-se, outros passam à putrefracção, enganam-me, transformações estudadas por ter havido cálculo do que se construiu, da natureza, das estruturas, das desvantagens dos membros degradados, comportamento defeituoso exibe-se nas montanhas nos planaltos nos lagos nas estradas, os socorristas medidos pelo trabalho, membros falham, desvendam os defeitos dos martelamentos, do martelar da cabeça e dos órgãos que os dividem, estou dividido por órgãos, os olhos desviam-se do centro para encararem os membros, sinto pressão na aorta, vejo os planos da articulação dos membros, sou o plano, não tenho utilidade fora a do desenho que me constrói como matéria a engolir numa cerimónia, sou hóstia, pedaço de farinha a engolir sem tocar nos dentes, o toque elimina-me a vista dos pullmans dos automóveis das furgonetas, o cérebro em estado clínico, desgastes causados pelos acidentes, nenhum ciclone, a natureza foi vulcânica, nada de ventos, o lugar fechado, caserna conserva a baixa temperatura, a mão direita estraga-se, solução enfiá-la na luva, procurar alguém com quem dividir o terreno, armazenar os materiais para o socorro, nenhuma matéria viva, o que vive explica-se pela escrita, realidade não coopera com a escrita, as imagens viram-se de cabeça para baixo até mergulharem no inconsciente, outro material a armazenar, tendência do cérebro ao desastre, à inversão das imagens dum ser definido pelo fato ignífugo, pelas atitudes ao ar livre, gestos dependem dos que se avizinham para lhe medirem a pulsação, transmite informações sobre o estado actual, depende da respiração, da oscilação dos que o observam no local do acidente, saiu do casebre, dos detritos, nenhuma tabuleta, vira as imagens ao contrário, está de braços estendidos para quê, de cabeça para baixo, por que obstáculos se calculam as vibrações do cérebro, amarelos determinam a natureza que conserva uma cor quando há abundância de branco de azul, o azul da caserna, os materiais têm a cor da matéria, se ferro têm cor de ferro, os plásticos escondidos, esconderam a produção, estou limitado pela produção, acabou o período da guerra, da espionagem, começou o da inversão das imagens, de cabeça para baixo, a fiabilidade dum amarelo exposto que se separa do férreo, da bolca que se fecha para garantir que a respiração se fixe nos pulmões, dúvidas surgem com as imagens invertidas, os materiais não me pertencem, não vejo os que servirão para a construção das habitações imaginadas pelo arquitecto, pediram-lhe formas segundo a disposição dos materiais humanos: braços pernas órgãos internos pupilas, amarelo marca a língua, tinge os pés, a mancha visível perde o controlo, inverter imagens é o resultado da capacidade cerebral, alguém me indica a situação dos pullmans, o parque de estacionamento, a caserna ocupada pelos socorristas, um barracão ocupado pelos que preparam os materiais concebidos para o socorro, para a construção das habitações, os amarelos invertem as imagens conforme os circuitos eléctricos que se formam sem a natureza, tudo artificial, ignorado pelos que desconhecem a força do amarelo na edificação das habitações cujas bases são peças numeradas para que tudo tenha a ordem apropriada, amarelo estabelece relação entre o escrito e a matéria amarelada que consome, figuras conhecidas habitam o lugar, figuras políticas, mulheres e homens do pensamento, estruturas sociais criaram as condições do desastre do pullman, da existência do barracão, a objectividade depende dos amarelos, dos defeitos do cérebro, dos limites não desfeitos, não consome defeitos, estão dentro dele, contradição, retrata os amarelos, as preponderâncias sonoras, a garganta é órgão fundamental para a intervenção junto do lago, afirmam que há água perto, quem o guia até à clareira ocupada pelo albergue construído para refúgio, não abdica do que fazem os turistas na região, do que encontram além do parque de estacionamento, da divisão dos terrenos segundo a escolha dos poderes locais que prepararam a floresta a clareira o albergue o restaurante para os que passam de calções curtos mochilas picaretas, ascensão, geografia altera o modo de respirar, o comportamento é controlado pelos materiais, pelos médicos locais, pelos socorristas, turistas silenciosos meditam, comem com ajuda dos maxilares, continuam as funções presas ao natural, compram momentos, têm pacotes na mão, instruções a ler garantem a segurança, a qualidade da sobrevivência, nada a comprender se o aparelho pára, se se desarticula numa fenda do terreno numa ravina num precipício, mentalidade adquire-se com os esforços que o natural pede, que a natureza exige, predispõe os turistas reformados ao mundo da comida, à realidade dos amarelos que se distinguem por haver quem os isole, quem espere géisers, a multiplicação dos factos, a autenticidade dos grupos que se organizam para escaladas, para divertimentos na natureza, buscam os amarelados da montanha se têm aparelhos que os captem, a disponibilidade não se inventa, está edificada desde o início, o que é o início, como se desenvolve em cada turista reformado, desenvolveram capacidades segundo as instruções que leram, os calções curtos, mulheres copiam os homens, nada de original nas que ocupam a clareira, limpam os beiços da comida que mordem salivam não engolem, lábios/instrumentos perdem a função, guardam-na para o dia seguinte, para o seguinte, dia ou não, a calamidade do frio cresce-lhes pelas pernas descobertas, calções curtos têm um nome como cada um tem nome morada foto de identidade em caso de desastre, que outras clareiras se abram para os envolver, palavras exprimem desprezo por um número indeterminado de humanos dispostos ao desastre, amadores dos desastres, da classificação dos seres que passaram por sensações montanhosas abismos asmas varizes pás picaretas cordas atentados ao pudor, fazem as necessidades, e o necessário faz-se, não espera, escondidos pelas árvores, voyeurs verificam se as condições humanas são as mesmas, se se condicionam à montanha sem melhoria, se a melhoria está no que fazem todos o mesmo, não se perde a condição humana se há repetição, imitação sem escrúpulos, nenhum remorso nenhuma dúvida, a clarificação da existência vai da montanha à maneira como esfregam os dentes, higiene gera cidadãos prontos à reforma, socorristas acompanham os mais próximos, como se estabelece a proximidade, com o ketchup os hálitos a pele as manchas o cabelo o propósito do cérebro os tiques, socorristas organizam o que se come, piquenique preparado desde a pensão, a decisão a indecisão as indecisões, não concluem pela decisão quando são animais de ketchup circulatório quente que não se aclimatam às clareiras às mudanças do vento à inversão das imagens aos calções curtos às figuras que serviram de guia mental, escritores, sobretudo escritores, reformados dedicam-se à escrita que os compense das calamidades dos atrasos das refeições das comoções que os divórcios ocasionam até à inversão das imagens, confusão leva-os ao suicídio, ao crime quando ofendidos, preparam a guerra embora sem armas, outros crescem, têm em vista as passagens montanhosas arriscadas, constroem o brutal por períodos que parecem de calmaria, quando os nervos (só) inflamam as matérias, as imagens às avessas dentro deles, o equilíbrio com a mão no sexo, melhor, uns dedos no sexo, à volta ou dentro, depende do sexo, dos aparelhos da sexualidade de alguém isolado representante dos humanos na zona onde estacionam os pullmans, não há noção menos perigosa do que a do pullman, saírem do pullman para a natureza, espalharem-se sem efeito sem finalidade pela clareira, aproximarem-se do lugar onde comem, feito um programa como outro qualquer, como o que me prende ao barracão, não há vivalma, os pneus marcados na neve, a pureza germinou a confusão, a contrariedade nasce dos sentidos, turistas estragam os sentidos nos lugares da chegada, apropriam-se das manchas que os olhos deformam, a fisiologia desfigura-se até à morte, até ao que morre, pullman acidenta-se, carroçaria apodrece, materiais e órgãos ligam-se entre eles, canais fazem a tarefa, mantêm-nos de pé, o uso da garganta reduzido às interjeições às onomatopeias às intervenções da saliva, dos guinchos fechados, tratam das línguas, turismo internacional línguas múltiplas, assistidos pelos socorristas que tratam deles, são tratados depois das experiências com comidas e detergentes, ocupantes dos espaços com materiais domésticos foram controladores, usaram de apetrechos de pesquisa de desporto de distracção, irreflexão acaba com eles, desfeitos nos pullmans, ignorantes de que lhes modificaram a vista até ao desastre, como se garante a entrada nos pullmans, o começo da visita, embebedam-se com o prazer da viagem, abraçam-se entre cerveja vinho canções, advertências do futuro excursionista, as imagens ao contrário, a percepção delas invertida no cérebro, dispõem da sobriedade, da estabilidade que se forma com gorduras açúcares especiarias, o hálito formado nas bolcas, fulminados pelas gulas, pelas dificuldades guturais, os períodos escritos nos cadernos para saberem o que fizeram, como progrediram de cabeça para baixo, dois sobre uma mesa manifestam-se: um tem chapéu de cozinheiro de marujo de pirata, indefinido, a outra escondida pelas mãos, um caos insignificante, nada de caos, quem organizou isto, como se define a organização do espaço teatral dos dois seres representantes de dois sexos, há outros, representam sobre a mesa o batimento dos órgãos, constituem objectos factos respirações, encavalitam-se sem vergonha, nenhuma vergonha, antes luta, não luta, movimentos com os braços, os dois sobre a mesa fingem que se alimentam, que cevam animais de peluche, vertem tomate ketchup, espalham latas frascos boiões, líquidos caem deles para o chão, nenhuma atenção aos objectos, o comportamento deles sujeito ao que os manipula para que forneçam actividade, sem objectos os dois insignificantes não têm actividade, criam monotonia, insónia, desejo de crime dentro deles, cérebro indica-lhes a tendência ao crime, acompanhados pela leitura de textos que alguém, um outro, lê diante deles, passagem obrigatória dos que representam, duas cadeiras sobre uma mesa, montagem, teatralidade ocupa os dois seres que não comem o que a fome caracteriza, nenhuma fome, são simuladores não são esfomeados, fingem comer por representarem a comida a gula as indigestões, a comida exemplificada pelos baldes de spaghetti alla puttanesca, banalidade da comida que enche as bolcas, as excede, comida transborda das bolcas, não entra, baldes garrafas thermos são objectos disponíveis, excessos contam, identificam a produção globalizada, publicidade acrescenta o resto, são representantes dos grupos sociais, não escapam, terminam o trabalho às seis da tarde, exprimem cansaço, experimentam a ginástica a sauna o banho turco depois do trabalho, estafam-se na ginástica, na recuperação do gasto, no refazer dos órgãos, que órgãos têm, como os numeram, os protegem com bombardeamentos nucleares medicinais raios X scanners, oportunidades para verificarem o interno quando vestidos, ela de blusa branca, ele grumete cozinheiro conspirador porteiro de boîte, ajudante de qualquer fenómeno, ajustador pretende o habitual na cadeira sobre a mesa, o desfecho até ser considerado idiota, cair de sono por ter órgãos que pedem indiferença, pernas deterioram-se com o uso quotidiano, com as expressões genéricas que o envolvem, numerado pintado de novo a partir do nu, estendido num sofá, posição muda por haver quem o olhe, quem note o que se resolve sobre a mesa, espaço teatral desenvolve-lhes as cadências cerebrais, os besouros que os atacam por estarem cobertos de alimentos que chamam besouros melgas abelhas, representam os desfavorecidos que se enchem de ketchup, as mãos sobre os joelhos, que descem da mesa para excitarem outros seres, que os expulsem por não terem atingido os projectos desejados pelo montador da cena, pelo organizador que lhes indica como falharam, como deverão sair do teatral, deixar os vestidos os fatos nos armários, tomarem duche por estarem besuntados com os produtos da representação, tomate ovos sangria ketchup maioneses sumos de manga massas cozidas, o masculino em cena intitula-se agente profissional, marinheiro pirata capitão, função social aparente, confusão, é socorrista agitado sobre a mesa, que ninguém lhes toque, são elementos separáveis que se juntam para a representação do doméstico com que se lavam cozinham filmam por terem material disponível que os acorda para o futuro, filmam-se à noite, acaso, projectam o futuro, o que farão está definido nas imagens para dias semanas anos, seres representam, são simuladores profissionais depois de terem recebido indicações sobre como usar do ketchup das maioneses das geleias, agentes convictos têm produção sonora, não são turistas, propõem actividade, ele tem utensílios a deslocar, ela a divertir, são musculosos, as costas robustas, ele é socorrista, socorristas fazem exercícios de salvação, formam grupo de acção com equipamento avermelhado, cintos fivelas capacetes contra o fogo grampos botas para escalagens, nada abortado, termos justos, gestos adequados à respiração, socorristas treinados para o socorro a náufragos, a acidentados, socorrem políticos, retratos deles nas paredes, atiram-lhes fléchettes, alvos mantêm a tensão entre os socorristas que entram e saem sem motivo, deslocam-se em fila indiana, memorizam os lugares, filmam, confrontam-se com o futuro, não têm passado, o que se assegura está nos filmes que projectam no salão, no quarto, noutros lugares, na cozinha, nos lugares de repouso, termo neutro, ainda mais neutro do que o tempo do trabalho da sauna do banho turco dos vapores que lhes enchem os olhos as narinas os ouvidos, teimosos, fechados aos rumores, abertos ao que aumenta dentro deles conforme prevêm o futuro filmado, sem filmes sem publicidade não há imagens do que se desenrola nas cabeças nos fígados nos intestinos, dentro deles uma rede de animais que os devora, lhes aumenta a grossura dos lábios, os dentes cortam a carne que não engolem ao mesmo tempo que são consumidos pelos animais comedores dos órgãos deles, órgãos fornecem energia, constituem os dois sexos sobre a mesa, referem-se ao sensível que se combina com a atenção, sentimentos mixam-se com o conhecimento dos factos dos actos das narrações que elaboram, com a realização dos filmes que lhes dão futuro, o passado não existe, está preso aos animais que os consomem, animais consomem-lhes o passado, insistem nos tubos internos, mergulham no ketchup que se esfrega nas paredes das artérias que o empurram até ao órgão pulsador, artérias não são só canais, forçam o ketchup à experiência que leva os animais ao centro, consertam as funções, os órgãos que disfuncionem serão abatidos pelos órgãos rivais, órgãos estrangulam guilhotinam, lâminas enchem os corredores de ketchup, a representação é ketchuposa, feito o ataque diante dos espectadores depois de terem mastigado os alimentos, são eles os esfomeados que comem spaghetti alla puttanesca bebem vinho de Gaiole in Chianti, a agitação ketchuposa assegurada pelos animais que os frequentam, o homem é grumete cozinheiro porteiro pirata socorrista, a mulher é enfermeira, profissão dedicada às reparações, repara os órgãos preparados pelos filmes, cinema é publicidade do futuro, filmam as cadeiras sobre a mesa de três metros quadrados de superfície, o que fazem com a garganta é imitação das contracções das gargantas Tuvas, dupla voz, ingredientes apanhados à tona, à superfície, é pela cultura que apanham o que os outros fizeram, os fagocitadores filmados para o futuro explicam os órgãos, as matérias que expulsam, o trabalho explicado por movimentos peristálticos, pelas perdas de visão, movimentos conduzem-nos aos restaurantes, comem o disposto a isso, o disposto, a engenharia dos bocados a ingerir, respiram com a atenção concentrada na representação, são simuladores, fora do teatro voltam ao local, a um local, regresso é indispensável para a recuperação da teimosia, a manutenção dos cérebros próprios ao futuro não largarão o texto desde o início até à última linha, o crime cerebral nos filmes que se desenvolvem por haver orçamento para as actividades que lhes são necessárias, sem filme como passar ao seguinte, sem publicidade como conhecer o que se inventa, como entreter os órgãos sem saber que aparelhos os traumatizam, os devoram, publicidade devora os órgãos, refá-los, órgãos expõem-se ao sol no lugar nórdico junto do barracão que frequentam por desleixo dos órgãos, afastam-se do melhor, exibem o defeituoso, criam traumas psicológicos a resolver com o que não comem, com a publicidade diária, sem imagens perdem o que os liga ao barracão, à terra, ligação à terra evita os choques da electricidade que os infiltra por serem agentes que se apoderam dos lugares domésticos, adormecem adoecem, vampirizados pelos animais de pequenas dimensões que os comem pelas artérias que lhes canalizam o quê, para quê, com que método filosofia ciência, experiências, a garganta que lhes distribua não o comestível mas o comezinho o doméstico, a filmagem vai ao íntimo, provoca enjoo, detém o dia seguinte, projecta os objectos que enchem o futuro, bonecas de baquelite, outra vez a baquelite, latas de tomate de grão de bico de cuscuz, membros engordam, preparam-se ao inerte no sofá, deitados no sofá para a fotografia a pintura a informação sobre como se manifestam as grades, os muros, as superfícies aleijadas, os membros apodrecidos, ginástica conserva-os soberbos até ao período nocturno: cai-lhes a barriga, os membros relaxam-se, criam celulite perdem o controlo das funções estabelecem abusos, publicidade encarrega-se do superficial do ignorado do inconsistente, despem os calções, são adultos, nenhuma criança, adultos filmam-se, o futuro é projecto fílmico, filmado o futuro, projectado nas paredes da sala, instalam-se nos sofás com lata de cerveja de coca-cola vinho de Gaiole in Chianti, apoderam-se do que podem, beneficiam do que compram, enchem o frigorífico, decoram receitas, coordenam as fases do dia, se estão na cozinha é para a reconstituição física futura, têm plano para o futuro, engordaram com o crescimento, atingiram dimensões descomunais, julgaram rebentar, não saíram do lugar de nascimento para seguirem a política que se adapta ao que os consome, ao que filmam para o dia seguinte, o seguinte é a reacção ao que enfiam nas cabeças de javali que os guiam até ao lugar profissional, estão num circuito fechado, engrenados, têm trolleys, estão ligados à electricidade, transportam móveis para o barracão, cenários para peças de teatro, representam o que são nos sofás prontos à engorda, a começar pelos tubos que ingerem, pelas astúcias que elaboram, artistas consomem-se nos sofás, a densidade das carnes é proporcional ao que ingerem, ao que bebem, coca-cola anúncios publicitários, imagens provocam-lhes futuro, investem neles, têm remédios internos, soluções para os traumas que se despertam com a ociosidade, aumentam com a estadia nos sofás, com a engorda depois da quietude dos lugares que lhes reservam a conduta futura, os filmes iniciam-se na cozinha, consomem TV, internet, fazem listas para as compras, descalçam os sapatos por terem os pés inchados, a cabeça incha com o futuro, descarregam-na quando regressam ao mecânico, ao manual, aos abusos das fórmulas jurídicas comerciais expansionistas, estimulam o profissionalismo enquanto se bisnagam com ketchup maionese chocolate derretido farinha ovos crus massas cozidas, despejam o futuro filmado abusam do divertimento retêm no sofá a gordura que lhes indicará o futuro bisnago, o sexo, a cabeça enfiada no ketchup na maionese, representação teatral adquire-se com a cabeça, os olhos agarram o que captam da TV, da publicidade, as massas despedaçadas, dirigentes apropriam-se do doméstico, preparam-se para a manutenção dos orgãos, quem os deixou entrar, como se conservam, executantes manifestam-se com o poder das unhas dos dentes dos frascos, dos filmes, tudo resolvido em cinema, em imagens, em móveis, quadros nas paredes dos que demonstram riqueza estética, dos que obtêm compensações para o quotidiano publicitário constituído pelo futuro filmado, repetido no sofá que os engorda, gordura manifesta-se nos açúcares nas cocas, necessidades passam pelo corredor para chegarem ao quarto, dormem sem se despirem, necessidades caem no wc, o sono aperta-lhes os membros, recuperam a língua triturada, expulsam os gases do estômago dos intestinos, como sair disto, inventar actividades que se façam à luz dos flúores, assente a fase dos utensílios, da maquinaria interna, dos tubos dos pedais das linhas, material humano tem pretensões ao canto, às canções tradicionais, a garantia de que o cérebro se integra na ordem que se estabelece durante a representação do íntimo, a cena iluminada a flúor, a iluminação para o olhar captar as linhas as bainhas as coseduras, actividades estruturam-se conforme as cabeças se apoderam da luz que determina os objectos à disposição, adquiridos pelos cérebros que acumulam sem problemas de gestão, cérebros conspiram para se decidirem sobre o futuro que lhes restringe o dia seguinte, cérebros transformam-se em pastas moles adequadas ao temperamento de que necessitam para irem até à costa para se classificarem como cidadãos do lugar, o pirata cozinheiro grumete utiliza o cérebro, é um deles, ocupado na figuração teatral, localizado no teatro com qualquer actividade que se concentre nos soquettes da que se veste de enfermeira, a garantia de que os olhares se pregam na mesa, nas cadeiras, na ordem que os passantes garantem à cena, onde estão os que deveriam estar à vista e que se ocultam, fogem à representação, a exibição provoca, a interioridade manifesta-se nos beiços que comem por haver quem se determine numa acção específica, comer quando os outros se retraem sem esclarecer os critérios que leva uns a comer, outros a dividirem a cena em partes, a ocuparem os estrados, as cadeiras os sofás que favorecem os objectos que espreitam para dentro por haver buracos que mostram o interno, os bonecos esburacados, os frascos com pomadas cremes maioneses ketchups mostardas, consistências diversas, objectos como martelos pregos bacias latas de refeições preparadas, feijões carnes de porco, de vaca, aberturas comparam-se com as das bonecas/dos bonecos, sobretudo das bonecas abertas no ventre, as bolcas fechadas, os membros intactos depois de abertas no ventre, o buraco exemplar aberto para não se ver nada mais do que as costas de baquelite, matéria pertence aos anos dez, à industrialização dos seres que se consideraram complementos da baquelite resistente às temperaturas do barracão onde se enfiaram para a representação, nada que os leve ao Heiner Müller, ao Philoktet, ao perigo do texto, à deficiência orgânica do personagem que tem o pé avariado, avaria determinada pela baquelite que assimilou desde a infância, socorrista representa-se, outros representam, melhoram a baquelite dos que comemoram um ex-político que lhes endureceu os membros, os órgãos internos, a carapaça óssea que protege a massa das pancadas dos agressores que se ocultam nas estradas, assaltam pensões, habitantes organizam-se segundo as condições, não há acaso no endurecimento dos membros, na fase irascível desenvolvida entre dentes e saliva das bonecas/dos bonecos, nada de sexual, falsificado ou não, nos buracos que fazem às bonecas, abandonam-se ao teatral, repetem os gestos domésticos, agridem-se martelam-se atentam à comida aos produtos dos supermercados para a alimentação quando os elementos comestíveis deveriam entrar pela bolca, de preferência com salivação, o resultado lógico no engolir depois de mastigados, produtos colaboram na alimentação dos habitantes que se dedicam à compra para a engorda, não controlam o aumento diário de peso, engorda engrandece os personagens que se vestem de salvadores socorristas, exercícios com escadas cordas águas mangueiras botijas de oxigénio, obstáculos a saltar, caminhadas a executar carregados com material estratégico, melhoramento dos materiais de salvação, equipamento apropriado para salvar vidas sur place, recuperação in loco das vítimas, proveito social imediato, aproveitamento cerebral, nenhuma perda dos sentidos, recuperação para a economia doméstica, seres aspiram à saúde, à condição física, prioridade aos que não se assustam com intempéries avalanches inundações, actividades naturais são criminosas, dizem os mais tímidos, os mais fortes enfrentam as montanhas onde estão os socorristas com trinta quilos de peso às costas, sacos com utensílios que garantem a sobrevivência antes do grande socorro, sociedade socorre-se, prepara-se para os acidentes, investe nos materiais, o preferido a baquelite por haver quem faça figura humana de baquelite, os membros fixos, a cabeça enfiada nos ombros, nada que mexa, figura imóvel cor de chocolate provoca tentações sexuais seguidas de catarses no barracão, socorrista foge para o Metro, aglomera-se aos passageiros, ouve o zumbido dos animais como os passageiros forjam zumbidos ligados ao eléctrico, à electrónica que lhes desvenda as feições, alguns trementes outros com o cinto apertado de mais esperam o auxílio dos socorristas que entram no Metro para lhes prestarem socorro, as grávidas não querem ajuda, os velhos têm aparelhos doentes, não evitaram o radioactivo, avaliados por aparelhos medidores, medida a respiração cutânea, os poros por onde entram animais irreconhecíveis, habitantes ganham carga suplementar quando no turismo de montanha diante dos perigos que lhes constituem astúcias, os dois teatrais fora das montanhas, na sala das mesas, crepes sobre as cabeças, utensílios melhoram a condição dos humanos, relação constante com a profissão, sem ela estariam num social dividido em inércia e ócio, habitação e estrada rua praça Metro, S-Bahn leva os habitantes do trabalho às novas construções, vice-versa, socorristas deslocam-se de ambulância de auto-bomba de jeep, treinados como as empregadas estão treinadas para os dedos furados pelas agulhas, para a limpeza dos linóleos do estúdio do Metro do barracão, actividades adaptam-se, socorrista martela o cérebro das bonecas/dos bonecos de baquelite sem aparelhos sexuais, o espírito (sic) em correspondência com o martelo, os spaghetti sobre a cabeça, fora da cabeça, no exterior, no interior as consequências das marteladas, o efeito boomerang que se espalha até aos cotovelos aos tornozelos, o que lhe interessa é abrir a boneca, furá-la na parte ventral para ver o interior das costas, nada mais, de baquelite faz-se o humano, de baquelite as bonecas/os bonecos sem ossos nervos dentes palato, a caveira corresponde às feições as feições à caveira, correspondência mútua, as marteladas na baquelite dão o resultado esperado: aceitação dos materiais, alívio quanto à tarefa, os dois simuladores no barracão, numa cozinha com a TV diante dos olhos enquanto choram com as cebolas, preparam o molho para os spaghetti, enchedela directa pela cabeça, não pelos lábios dentes língua palato, as marteladas escorregam nos spaghetti, as mãos invadidas pelo que escorre da cabeça, têm cabeça tronco e membros, tórax para vestirem t-shirt, a camisa enfiada nas calças, gravata, compostos para o futuro que (ele) filmou, preparado para a ginástica ao meio-dia, recuperação dos esforços nervosos, colesterol diminui com a obediência aos filmes, a garantia de estar no barracão protegido pelos socorristas como ele, exercitado na salvação dos acidentados, socorrista receoso das escorregadelas, dos ataques diversos, uns provocados pelos exteriores desumanos, habitantes querem agredi-lo, introduzem-se no escritório para lhe partirem os membros baquelíticos, os verdadeiros escondidos em gavetas até à saída para a ginástica, para os exercícios até ao martelar, actividades humanas reduzem-se a poucas, numeradas pelos filmes que provocam o futuro, que o criam, lhes determinam quando entram os socorristas no barracão, no recinto onde se confirma o exterior execrável, os simuladores em mangas de camisa t-shirts blusas saias, barracão contém utensílios, engrenagens bobines cordas cabos lâmpadas grampos, socorristas chegaram ao barracão de furgoneta, transportes urbanos não chegam ao barracão, lugar fora do urbano, erro, o barracão está num quarteirão urbano abandonado pelos habitantes que procuram a natureza, deslocaram-se para lugares amenos (sic), fugiram dos barracões industriais que se transformaram em centros artísticos para os que se servem da baquelite, agentes impulsivos sem veia criadora, falsificadores das expressões artísticas, abandonados eles próprios à manutenção das bonecas/dos bonecos de baquelite, do livro único do piscinado, comemorativos construíram-se de baquelite, os membros endurecidos pela matéria baquelítica, agentes do futuro, da acção social em grupo, insultos aos que dizem frases longas, habitantes apoderaram-se dos registos humanos, determinaram como estabelecer o futuro, fixaram as condições de sobrevivência, culpados confessam a matéria que lhes constitui os cérebros, habitantes têm direito de escolha, dominam por terem fagocitado o livro único, ketchup espalha-se pelos culpados, simulador reactualiza os comemorativos, abre-os para lhes ver a matéria interna que, se existe, será recuperada, misturada com spaghetti, cérebros serão pastas equiparadas à grandeza dos intestinos,

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