mardi 28 mars 2017

Cromos - Epigramas - Alberto Velho Nogueira, 2011 - Primeiras páginas

[CUBÍCULO, CROMOS] Da brouette partem os fios eléctricos que lhe atacam a coluna vertebral, centros nervosos indeterminados produzem matérias plásticas, cordas confirmam-lhe o estatuto de prisioneiro, as pernas entaladas, os braços disponíveis para ser visto entre amarelos que lhe cercam os circuitos nervosos e sanguíneos tomatados, a demonstração nos utensílios que lhe indicam a que costumes se submete junto do museu onde o instalam para ver-se nu numa caixa, desenvolvidos os ingredientes que o ajudam a respirar, as cordas que o levantam, fios desagradam-lhe, alguém utiliza a terceira pessoa, um terceiro entre ele e ele, o terceiro ouvinte, o que o questiona, lhe abre a lata ração de que depende o movimento das pernas entaladas, os braços livres por andar pelas ruas que têm nome, o lugar indicado, os contrastes visíveis no musical que vem do violino alto, nas fotomontagens que o estabeleceram à espreita dos que se lhe opõem nos patamares edificados durante a guerra para os destruírem e construírem um nightclub com os utensílios que sobreviveram para os habitantes que esperam os transportes que os desloquem para os empregos a horas certas, para territórios anulados pelos cérebros que se monocultivam, se dissipam no gasto da jornada, ele cimentado nos lugares onde lhe entalam as pernas comunica por psicologias, os braços relacionados com o abecedário e os dicionários, sinais primários, embarcado num barco em miniatura, Giorgione estabelece a eficácia, o desleixo com que se inscreve nos produtos: pneus, borrachas vulcanizadas, injecções e vacinas mantêm-no entre o entorpecido e a cama, fotomontagens intrometem-no nos montículos onde se agrega, se forma com os amarelos que o enchem, enchido pelos incógnitos que o conservam vivo no armazém onde circula o amarelo da estrela que o mantém indiferente aos incógnitos, inerte não inerte na defensiva, estados limitados pelas horas de transporte até ao lugar onde se fixa, a desordem na cabeça ligada às talas, protegida a cabeça dos cimentos, dos grãos que se descolam dele por ter confundido os sinais, os materiais de que se forma, alterados os ritmos cardíacos celulares secretivos, os materiais de que se forma revelam-se de linho de algodão de terra estrumada, um Cranach junto dos materiais, um retrato do Bronzino, auto-retrato, figuração climatizada, desalojamento, membros deslocam-se por necessidade, prova de que tem actividade e que a actividade é sonora, brilhante o timbre dos sinos que alimenta o mental por ter talas que lhe limitam os movimentos das pernas, o clima nocivo aos materiais contraditórios, talas presas por cordas com que se dispõe num lugar abandonado, colam-lhe as madeiras com cola de sapateiro, a cola nos dedos, nas pernas atadas, traçam-lhe um limite no chão do Museu, o estatuto dele na caixa, espectáculo dos órgãos que se condicionam às vacinas que lhe espetam no braço esquerdo, poupado o braço direito, os movimentos do abotoar-se desabotoar-se garantidos pelo membro que não será alterado pelas vacinas, inchaços estarão na cabeça tal a pressão das cordas e das talas, luta contra os elementos que o ferem, que lhe diminuem a figura por ter a cabeça aberta aos sinais exteriores, alguns distribuem-lhe fruta e pão por julgarem que se atou por vontade própria, que estabeleceu a regra nas ruas por onde circula, oito de Novembro, Bérlinn, localizado pelas ligações eléctricas, pelos sons que saem dele, diálogos intempéries soluços frases soltas que coloca nos ouvidos dos que despejam o que têm sobre ele, carga a mais cai pelo esgoto do saguão, cola prende-se-lhe aos dedos, tosse por estar infectado, faltam alguns elementos, procura-os para escrever o que o leve à justificação das ruas que percorre amnésico sem soletrar mais do que duas palavras por minuto para ele próprio, inventa-se material a expor com reticências, os materiais catalogados pertencem-lhe, transporta-os para o Museu, para a pensão, atado para compensação do excessivo interno, entre paredes e portas, o mais gravoso é o que não lhe cabe dentro, isolado do exterior que o enerva conjuga verbos no imperfeito, outros tempos outras mudanças, não sente o que escorre por ele, atrapalha-se com os calções com o slip com o que vê a trezentos e sessenta graus, cabe neles, não tem alternativa, o que segrega vem dos órgãos que o protegem do exterior, órgãos são galerias, as operações: desdobrar cabos de aço, fios telefónicos, montagens, combinações de sinais, equipamentos de pesca, subir a cargueiros de petróleo, embarque, outros atravessam mares, falta de luz apaga-lhe os sinais de reconhecimento, esquece-se da máscara com a qual respira se lhe derem ar para alimentar o celular, os pulmões mergulhados em mercúrio, invenção dos pescadores como ele equipado com um arpão, isolado na embarcação, no petroleiro, confunde os lugares e a função de que subsistem sinais: botas e fato de borracha, marés sucedem-se como ele sucede aos que o empurram para a embarcação, nenhum sinal revelador do lugar depois de ter ocupado as ruas desde que saiu da embarcação para ser julgado como habitante sem escrúpulos, pescador com arpão eléctrico, canhão-arpão, nomes técnicos, elemento da frota, pescador provoca perdas de ketchup até à morte, deseja a morte por ser um incógnito sem valor, uma peça entre muitas, um infinito delas, um incógnito que desaparece depois de ter estado numa pensão em Wien junto dos movimentos orgânicos das ruas, esquece-se do que dizem os sinais que escreve para ilustrar o pescador com arpão-canhão, pescador de baleias de cachalotes de mamíferos que se dedicam à água como ele que não a aproveita para se lavar, esquece-se da água do sabão dos produtos que humidificam a pele, a sobrevivência garantida dentro de exíguos com objectos que lhe arranjam os nervos, bolbos crescem-lhe, não é pescador não usa do arpão-canhão, intitula-se drawing number seven, não produz, limitado pela procura ninguém o conhece entre os pintores que lhe determinam a exigência a oportunidade os flagrantes delitos, a distribuição dos habitantes incógnitos do mesmo lugar indeterminado por não haver quem o reconheça, assustado com a brutalidade, a memória garantida pelos que morrem, vivos não transmitem memória, os isolados fantasmagoriam ciladas e ratoeiras, clichés dominam os materiais incandescentes que lhe procuram calor dentro da caixa, da pensão de Wien onde lhe atribuíram um local, as actividades medem-se por distúrbios que lhe infectam a cabeça, lhe adormecem as células que atrapalham a pesca com o arpão-canhão, de gatas entre os lugares, deita-se sobre a mesa mascara-se de enfermeiro de pescador com uniforme e chapéu de borracha por onde escorregará a água salgada, arpão destrói-lhe o pensamento, organiza as associações, peixes escorrem fluxos por haver um fluxo na pensão de Wien, tomatada sangue existe por onde passa com os pescadores que simbolizam as correntes, tomatada nas mãos nos cotovelos no algodão que veste, os incógnitos presos a arquitecturas, à tomatada deles e dos peixes, preparam branzini para os pescadores na cabina iluminada pela lâmpada pendurada do fio eléctrico, há corrente, iluminação eléctrica abre-se com um interruptor que lhes clarifica a tomatada nas mãos, o atelier de pintura, será pintor e não pescador, fato de borracha é cenário, cenografia para os pescadores em greve, a tomatada sangue nos alguidares e outros recipientes que lhe desfazem o mental, desfeitos por deficiência das cores, tomatada estraga as associações de ideias, a conservação das relações entre os actos e os factos, as causas dos peixes e a morte deles nos alguidares, nos recipientes que enchem o atelier, pintor elabora novidades com peixes abatidos nos alguidares, recipientes garantem a tomatada que não escorre para o chão de madeira, os pés os tornozelos ligados por trapos de quem se desloca para os centros nervosos, pintor pescador de fato de borracha protege-se contra a invasão das tintas que atira contra os muros contra as telas, metais brilham depois do fracasso, automatismos acabaram, reduzido a manchas, à mancha que lhe sai do órgão, dos tubos do órgão que ouve, ligado pelo saxofone tenor ao órgão, aos tubos que lhe marcam a respiração se respirar é o que introduz pelos canais perniciosos que lhe aquecem o interno apesar de afirmar-se funambulista no limite do desequilíbrio que o levaria à queda, sem queda não há tomatada nem matérias inflamáveis, retratos de mulheres com câmaras numéricas, numeradas exibem cabeleiras postiças louras, contribuem para a deslocação dos homens como o pintor limpador dos peixes, o resultado nos alguidares, nas substâncias que o levam à profissão, depende dos objectos que tem nas mãos, lâminas guilhotinas tesouras escovas para escamas se querem comer os peixes a horas certas, cerimónias para adultos, o resultado no desequilíbrio dos canais cerebrais dos tubos do órgão das chaves do saxofone tenor com que se ilude fora dos peixes e da tomatada que cai nos alguidares, recipientes propostos pelas fotografadas ao que abre os peixes, que realiza o funambulismo no quarto, equilibrista até ao desastre, as mão grudadas de cola, trapezista pescador pintor dedica-se à morte dos peixes, representa a inibição Cranach, a força das cordas que o prendem ao cubo ao chão à mesa onde dispõe dos utensílios com que pinta a tomatada que cai dos peixes, não há matança sem finalidade, comê-los é a finalidade das mãos grudadas de cola, conhece o uso das talas, o atracar dos barcos, os mapas sobre a mesa, a posição dos objectos, o Arbeitsjournal obriga-o à notação, memória depende do consciente, responde o pintor à decisão do órgão de igreja, organista altera-lhe os tímpanos que vibram conforme o cortante da guilhotina para peixes, a operação das gengivas, dos braços soltos, os membros inferiores presos por cordas, artista de circo prepara-se para a queda, sem queda não há espectáculo baseado na expectativa da queda, órgão penetra-lhe nos tímpanos, agarra a cola, desfigura-se com a contracção dos nervos, deforma os dedos depois de tanta pintura de tanto desgaste, actos feitos para assistentes nevróticos no recinto onde exerce a profissão do que perde o controlo dos tubos do órgão de igreja, os dedos metidos na cola, manipulador da guilhotina para cabeças de peixe, o que escorrega cai em alguidares emblemas do autor, [SPOTS-INSTRUMENTOS DE CORTE], 

[CAVE, INTERNAMENTO] toucas sobre a cabeça, vapores, realçam os lábios, abraçadas, a pele esticada, as mãos nos pescoços, numa câmara escura, a sombra sobre as células inactivas apesar das bocas que se conformam com a falta de voz que signifique repulsa, extraídas dos lugares para se conformarem à vista do pintor pescador de branzini, as duas iluminadas por spots, pintor pescador desloca-se para o bordo da cama onde as instala, inicia um processo numa zona fora do que elas fazem com a massa nua abraçada, bocas exprimem o rouge, abertura será circular à volta dos dedos do pintor que os enfia nas bocas adversárias, duas que se detestam por o terem exprimido quando se tocam, forçadas pelo que as observa, observador adquire estatuto, pronuncia ordens por haver um temor nelas, caso contrário não haveria observador pintor pescador de branzini que se desviasse dos braços múltiplos, signo de protecção, de ginástica, de fenómenos ao ar livre que as leva ao ginásio museu onde não está ninguém, localização arbitrária das que se abraçam por sentirem a nudez que o observador castiga, uma mais aberta do que a outra por confiar no pescador de branzini, adivinhador das que observa, donde vieram os nomes inscritos nos documentos que lhes deram à saída do ginásio, do museu, iluminadas pelos spots do pintor que as referiu como figuras que exprimem a dúvida num livro onde figuram depois da observação do pescador que as reduz a peixes, a entrada de ar pelo abrir-fechar das bocas conforme o susto diante do pescador equipado para as espetar nos anzóis, presas fáceis de provocar com os dedos que escorregam pelos lábios pintados, o rouge confundido com o ketchup dos peixes que esquarteja para formar filetes iguais, as proporções estão no cálculo ocular, na perspectiva arquitectónica, no que se desenvolve nele por estar de avental de plástico, de chapéu sobre a cabeça no frio de Bérlinn Kraków Wien por ter repetido a função de pintor, a dor na gengiva, arrancaram-lhe um dente, a gengiva cosida, absorvido pelo ocular das nuas no ginásio no museu, zona obscura onde se trata a si próprio de pescador: redes bisturi fios guilhotina, pescador exprime o desastre dos instrumentos, conhece a profissão das que se abraçam sem invocarem a esfrega dos mamilos a que o pescador de branzini assiste, um Bronzino na frente dele, retrato de mulher da corte, oposição das duas que se abraçam, o pescador atraído pelos lábios vermelhos que propõem língua, o resto não está à disposição do observador de Bérlinn Kraków Wien que se submete às omelettes aux fines herbes, comer ovos pela primeira vez depois de vinte anos, pescador na piscina escura propõe duas mulheres iluminadas por spots que esclarecem os lábios quando (ele) se coloca entre muros separações e outros obstáculos para prosseguir pelas ruas que habitou durante tempo suficiente se é suficiente a duração entre paredes lojas corredores e Höfe, as duas abraçadas, nunca as viu separadas, abraço é o limite do olhar que se desloca para as bocas, descreve o anónimo no Arbeitsjournal, a indiferença até à morte que o liquidará como peixe sem cabeça, guilhotinado, fotomontagens espalhadas por cadeiras sofás camas gabinetes, pela piscina escura do ginásio que lhe garante a transpiração, espalha cola sobre a superfície, determina a pressão das tintas, as cores escolhidas a partir do rouge à lèvres, predomina o vermelho, os ombros nus por escolher entre o que vê e o que imagina, escolha arbitrária como arbitrária é a posição do pescador que se exprime por gestos anódinos, os sinais vêm do social, escolhidos na piscina, nos lugares por onde passou, sinais intempestivos, razões impostas pelo clima pela duração pelas hesitações de quem não vê nítido apesar dos spots que iluminam as duas abraçadas, o resto está escondido na zona escura atrás delas, reconhece os sons da água que alguém mexe, uma nadadora na água: touca braçadas respiração cadenciada, sons minúsculos, abreviaturas sonoras exercem pressão para que se abram dúvidas nas zonas escuras, não vê além dos spots, esconde-se nos lugares que frequenta, vai do café à piscina ao nightclub, zonas escuras aumentam-lhe a dúvida, atrás delas haverá mesas cadeiras cortinas toalhas portas do restaurante onde servem os peixes que limpou, as cabeças cortadas, a razão do abraço (delas) alimenta-lhe o Arbeitsjournal, como sair do internamento que lhe provoca amnésia, reconhece os ritmos, não vive o tempo do relógio, esquecido entre o relógio e a janela por onde reconhece o exterior, confronta-se com o escuro, a visibilidade anulada, zona escura determina o psíquico, esclarece o dia, nada mais, as abraçadas esclarecem os mamilos que se tocam, é no toque que se separa a dor do prazer, se escorrega dos mamilos ao púbis, mancha escura não lhe deixa ver o seguimento, as acções que formam a abertura das bocas, haverá significado nisso, exibe na mancha iluminada o Arbeitsjournal: as duas mulheres, relâmpagos iluminam o escuro da piscina, vê a nadadora, bate com a cabeça nas paredes até separá-las do abraço que lhes reduz a expressão oral, silêncio perturba-o, procura os ruídos, sente as pulsações delas, intervém entre elas, esquece-se do Arbeitsjournal, da função a desenvolver, da profissão de pintor que intervém onde o enfiam para mais vinte anos sem socorrer-se da memória dos livros da escrita da tolerância em relação a si-próprio, sem diálogo com as duas abre a boca para a respiração, nenhuma agitação para a compra de objectos, as dores na gengiva, pressões chegam à bexiga, não verte os líquidos, conserva-os até à explosão que lhe garante usar dos depósitos, expulsa-os no lugar onde corta os peixes, iluminação esclarece os ladrilhos marcados pela tomatada dos peixes esquartejados, marcas acrescentam angústia, pescador sente a urgência dos canais a irrigar para preencher o Arbeitsjournal que se desenvolve com os instrumentos de corte, os olhos vítrios, copia os peixes, atraído pelo esforço deles na respiração cadenciada fora da água até ao nulo, pintor pescador tem os instrumentos na mão, instala-se na cozinha para a profissão do corte, vinga-se do que o dentista lhe fez, guilhotina os peixes com a precisão adquirida pelos cortadores de branzini, age com concisão, obtém resultados imediatos, as duas sob a luz dos spots, sem os spots não vê mais do que um metro de distância, esquece-se dos detalhes, não reconhece os interiores, conhece as ruas de Bérlinn Kraków Wien as padarias pastelarias onde compra farinhas e doces, cobre-se com os ingredientes, cobre as duas, salienta-lhes as zonas erógenas, as protuberâncias que elas imaginam até abrir as bocas insonoras, abrir é o resultado do aperto dos mamilos, da descida até ao púbis à procura de pão para mastigar se não tivesse dores nas gengivas, as duas na zona iluminada, o social dividido em duas partes, entre campos e usinas dores e mamilos nuas e piscina, corrupção dos dedos, fabricação deforma os dedos, os instrumentos dele metidos numa caixa como ele próprio num balneário, deslocado para a usina onde se despe no beliche, a zona social indicada, nada improvisado pelos serviços sociais que lhe vestem a bata depois de ter sido escolhido pelos agentes psíquicos que o limitaram ao exame, que responda ao que lhe perguntam, nada de respostas abruptas, pense antes de dizer, assinalado como agente irreflectido próprio para as actividades da usina, do beliche onde viverá até desaparecer a produção, escolhido entre muitos pelas aptidões que exprimiu nos testes, a inteligência rara das mãos no corte, passou de indivíduo isolado ao colectivo para a produção do mesmo, os cortes uniformes, os objectos a plastificar no vácuo, a montar, a embalar em cartões para o transporte, serão enviados para a China onde progressam as bocas na respiração carpal, os olhos marcados pela maquilhagem as batas os uniformes o progresso dos t-shirts das sapatilhas, a reciclagem chinesa, pintor reciclado à janela do beliche, não haverá janela, a rarefacção do ar implica falta de pulmões raridade das expressões monotonia dos armários, as camas idênticas, os sexos separados por dormitório, pescador não está nos beliches, enlata os peixes para a alimentação colectiva, a preparação começa na touca, nos nervos do pescador imitador do Bronzino, as distâncias dele ao beliche preenchidas pelo corrupto que exprime, indeciso indiferente aos peixes, aos cobertores, beliche é a continuidade do sono dormido por alguém, não por ele que não dorme, alguém ocupou o beliche, ele não, alguém utilizou o colchão o cobertor, nenhum lençol, os panos a secar presos por molas, nenhuma entrada de luz natural, a artificial vem da lâmpada pendurada, as janelas serão para os privilegiados, os manipulados não têm luz natural, os néons no interior da usina, diante dos ecrãs de controlo, entorpecido não decide, percorre ruas de Bérlinn Kraków Wien, consulta um médico especialista, inflamação da pele, os incógnitos têm a pele inflamada, manchas nas mãos quando transportam do prato à boca, cerimónia colectiva na usina, a imitação funciona se vêem comer, colectividade mostra as funções quotidianas, o que se pratica nos beliches, nas piscinas a dança aquática, as duas na água esquecem-se da respiração, o nariz apertado por mola, esfregam os mamilos, as costas à vista do observador, tabuleiros distribuem comida igual para todos, os reflexos imitam-se, bocas abrem-se na mesma proporção, calam-se, silêncio no refeitório, os passos abafados pela borracha das sapatilhas, as falas esquecidas por se concentrarem, concentração anula o interior, concentram-se no tabuleiro, alimentos engrenam secreções involuntárias, indecisos como o pintor na usina por erro, não está na usina dos beliches, colectivos fingem mastigar, representam as funções com a mímica colectiva, as funções do dia que os observadores classificam, as disposições dos usinados no refeitório, contam o número de comedores por fila, multiplicam pelo número de filas, frustração mede-se pelas sapatilhas pela aneroxia colectiva pela indiferença aos beliches, dormem encostados a qualquer objecto, árvore se no exterior, coluna se no interno usinal, na piscina basta-lhes um degrau, transats não existem, destruídas pelo colectivismo, pescador pintor não conserva os utensílios, escolhe o esquecimento, repete o nocturno no Arbeitsjournal, corta o mesmo peixe, frustração inclina-lhe a cabeça para a entrada do ar, recolhe impressões, respira com a consciência dos materiais, [CIRCUITOS FECHADOS, BELICHES], 

[REPRODUZ A PRAÇA] dos envenenamentos que os alienam da comida se houver comida para os demorados, fome é natural para quem não estuda os climas, as virtudes do lugar onde se plantam na usina, onde plantaram a usina que ocupa um lugar pré-urbano fora de Kraków, escolhida como zona onde vagueiam os esfomeados, castigados não comem apesar de à mesa no refeitório, colectivismo, formam bichas por haver actividade cerebral, os que não a têm foram expulsos do lugar, não contratados pela usina que os explora na fazedura das peças, não conhecem a finalidade da produção, esfomeados entraram às seis horas da manhã, primeiro turno, os seguintes às catorze horas, praticantes dormem nos pavilhões pré-fabricados, ouvem a produção, enfiam-se nos beliches para obterem outro sonoro, as molas das camas, nada que contribua para a imaginação, o cérebro reduzido à penúria, à invasão dos metais, peças são metálicas, conhecimento reduzido do que fazem, do que farão no dia seguinte, organização ajuda-os à fabricação metálica, o pintor inserido no refeitório monta os objectos metálicos, dúvida subsiste apesar da proximidade dos materiais engatilhados pelos que se servem do pescador como prova, pescador é exemplo a seguir, limpador dos peixes, tomatada deixa traços no avental, nas mãos, utiliza o vermelho-peixe no que pinta, pescador de branzini participante do atelier do Bronzino, mudança de época vem com os peixes, com o atraso do cérebro fora dos beliches, elementos metálicos retrocedem-lhe o cérebro, insere-se no atelier do Bronzino, é o Bronzino, pinta retratos segundo o pedido dos mecenas, ajudado pelo pescador de branzini em bicha na usina, desdobrado, multiplicado por dois a três, os registos da usina sabem-no, registaram dois a três indivíduos com capacidade para produzirem o vermelho ideal, a controvérsia na usina, como se comportam os colectivistas no refeitório, diante dos ecrãs, nos beliches, onde lhes exigem colectivismo, o múltiplo acusa os tubos do órgão que ouve no beliche, os auscultadores nos ouvidos, sons enchem-lhe os órgãos internos, é feito de buscas sonoras, de intempéries internas nocturnas, de espécies piscícolas novas que corta com a guilhotina, escapatória para sair da usina e dividir-se entre o Bronzino e a revolução francesa, guilhotinado, assassinado na banheira, pescador reconhecido como Marat, assistido pela que o ensaboou para melhor lhe espetar o punhal, a morte desejada pelo pintor que exubera os vermelhos, o mesmo resultado no corte dos branzini, recupera a cor para gravar os elementos na usina, no refeitório sem comida, sacrificados ao fabrico de peças metálicas que saem pelos tubos do órgão para os ouvidos do internado no beliche, tapumes separam-no dos seguintes, promiscuidade, insultam-se no beliche, olhos fecham-se-lhe, atribuíram-lhe um nome quando se matriculou, inserido no comum, no colectivo, classificaram-lhe o sexo, disseram masculino como poderiam dizer inútil, perde a sexualidade no beliche, engenha-se sem efeitos sexuais, preparado para as bichas para a consulta do psiquiatra que lhe prescreve os modos de sobrevivência, retardado forma nulidade cerebral segundo as fotomontagens, na bicha por ter havido fotomontagens que lhe precedem as atitudes, fotomontagens dão-lhe a função, psiquiatras assistem os usinados, inculcam-lhes noções de desporto de tempo livre de comida a engolir de esquis a praticar de negócios desportivos de actividades fora da usina, que percorram os campos gelados, as atitudes programadas pelos psiquiatras que lhes dão sinais a cumprir: como se esquia, como se ocupa o tempo à procura de actividades culturais, ouvem os tubos do órgão, do saxofone tenor no isolamento das cabeças apanhadas pelo frio, alguns fardados anacrónicos outros de calças à golfe, equipamento anacrónico, hoje teriam equipamento publicitário, protecção contra as quedas, as articulações protegidas, como se equipam os colectivos que frequentam as montanhas, exercícios de divertimento denegrimento para todos, colectividade repete as avarias e consolos (sic) dos divertimentos dos denegrimentos, têm materiais para isso, comem quando desejam, não sofrem das condições dos usinados castigados quando não produzem a quantidade desejada, não usaram das mãos como estipulado pelos regulamentos, bateram com os garfos as facas os pratos de metal, sustentaram que tinham fome, os pratos contra as mesas, não terão direito ao feriado, castigados, nada de esquis, os beliches sem o sonoro das canções de rádio, dos hit-parades, sem sonoro como castigo contra os manifestantes da fome, acabaram os fenómenos sociais como a fome, não inventam outros nos beliches sem circuito sonoro, sem piscinas onde se abasteceriam dos divertimentos, o pintor na zona escura da piscina, os óculos redondos as botas os esquis, a manifestação dele nos anos trinta, as tintas sobre a fotomontagem, pintor ajuda alguém a esquiar, a suportar o equilíbrio sem desanimar, o desânimo nele, na manifestação de desagrado, não lhe compete agradar desagradar, compete-lhe ser alguém anacrónico, pintor tem avental, mudou de vestimenta, as mãos vermelhas, corrimento tem nome tomatado, líquido conserva-o na montanha quando lho permitem, as operações nada tranquilas, o pintor intranquilo, consequência da neve do cinzento das árvores que, cobertas de neve, são peças do interno dele, não braços mas tronco mas cabeça, construções dentro dele por haver um dentro que se aclara sem a fúria da fome, da abstenção sonora, corte do sonoro nos beliches quando da performance do saxofone tenor e dos tubos do órgão que lhe encheriam a cabeça se o deixassem isolado com os branzini, isolado no atelier do Bronzino, na claridade da montanha para onde se deslocou com o intuito de confirmar que está fora do cubículo onde corta as cabeças aos peixes com a guilhotina, Marat espera a morte por haver morte nele, vontade de morte, circuitos que, cortados, feridos, darão morte, a tomatada misturada com a dos peixes, a vontade de esquiar nos membros, na cabeça que monta peripécias, ideias sem desenvolvimento, pintor transforma as ideias em rebeliões nocturnas banhadas pelas guilhotinas, transpirações guilhotinadas, peixes cortados às postas a enfiar em latas, conservas que venderá aos colectivistas do refeitório dos corredores dos beliches onde se constituem como raridades sem circuitos próprios, ficam de fora as acções na montanha, as operações a que foram submetidos pelos aparelhos que, se existem, é para cumprirem as actividades para que foram nomeados, instrumentos cirúrgicos operam as massas que ouvem canções de rádio, um único alimentado por saxofone tenor e órgão de igreja, os tubos na cabeça, os tubos dentro dele para a manutenção dos sons captados pela celeridade dos circuitos nervosos, montagem sonora expande-se para fora dele, os dos beliches ouvem os restos sonoros que não cabem nele, sacos enchem o lugar, toalhas para a lavagem nada mais do que das caras, o resto esfregado com luva húmida, não há água para mais, refrescados para a melhor visão dos ecrãs para onde olham durante oito horas, consultam os psiquiatras, confessam-se-lhes, introduziram a confissão nos lugares profissionais, confessam o que sentem quando usam das mãos para a investigação pessoal, quando reconhecem os sexos nos beliches, insensíveis às manipulações dos órgãos que consideram exteriores, onde se encontram as árvores, os materiais para esquiar, onde se fotografam com barretes, imbecis cobertos contra o frio que os invade, reumatismo torce os dedos, entorce as colunas, deformados pela exigência social que os inclina aos desportos, actividades permitem-lhes serem embutidos na usina onde fabricam os tiques, as mãos na cura repetitiva, os mesmos gestos nos beliches quando ouvem a música de rádio, a ociosidade ocupa-se com canções de rádio que lhes enchem os cérebros disturbados, fotografam-se fora dos beliches, quando lhes permitem a saída, os fotografados são formas entre montanhas e cobertores, Bérlinn Kraków Wien são pontos de referência, é pintor segundo os planos da população, incógnito, pintor entre campos de concentração usinas abandonadas caminhos de ferro, ramais cumprem serviços sociais à população, raciocínios levam-nos aos campos, à repetição dos mesmos avatares, das mesmas peripécias, cumprem-se os anos repetem-se os costumes, pintor sai dele próprio, inscreve-se nos clubes, pratica sob protecção social, sai do beliche para os campos desportivos, para a piscina sem spots, entra na época do Bronzino, investe no tempo fixo, o recente é movediço, intermitente, termos impõem critérios que definem a que o olha com arrogância depois de despir-se no sofá, móvel convoca o curto-circuito do pescador de branzini, o orgulho da mulher está na roupa despida, no que apresenta ao pintor que vê nela o motivo do cubículo onde usa da guilhotina contra os branzini, pintor sente o fluxo tomatado a marcha dos órgãos a deformação dos artifícios, reconhece o artificial, o artifício que se identifica até chamá-lo pela profissão, que lhe corte a cabeça, que acabe com o circuito do orgulho, a cabeleira na mão do assassino depois de ver que lha corta sem testemunhas, a identificada sujeita à usina, vista na usina no refeitório no cubículo onde corta os peixes, pintor comete o crime em delírio, cabeleira abre-lhe o prazer do corte, carácter transmite o fracasso, a deficiência, a inutilidade como é inútil ouvir a música de rádio, as mãos na usina, no cubículo onde talha os peixes pela cabeça, a revolução francesa na cabeleira da disposta à representação no cubículo, aquecida pelo olhar do pintor que a manipula como objecto metálico, imitação cinematográfica, como objecto inerte depois da guilhotina lhe cortar a cabeça, apertados num cubículo, espaço estreito entre os dois, ligados pelo insonoro, pela crispação dos membros que se dilatam para o abraço, poster substitui a mulher do cubículo, prefere o poster, a presença ofusca-lhe o ocular, esconde-se no escuro da piscina, guilhotina actua no cubículo, não a executou, cabeleira postiça inclina-o ao sexual, composto de membros tronco e cabeça, o tórax aberto, transportou-a para o cubículo roulotte onde lhe enfiou a agulha, a cabeleira postiça, a estopa imitação de cabelos, que matérias toca quando se infiltra nela, de que materiais é feito o cubículo, altera o ocular sem iluminação no cubículo onde a espreme com os tentáculos, tem recipientes alguidares guilhotinas, utensílios à disposição para realizar a função de cortador dos branzini que dispõe sobre a mesa, o avental manchado, os instrumentos escorregadios como a mulher lhe escorrega pelos dedos, a cabeleira postiça nos dentes, dentista arrancou-lhe um dente, arrancado do maxilar, ela num cubículo com o que saiu do beliche da usina para frequentar outros lugares, saiu da piscina do museu da pensão de Wien do atelier onde se ocupa do retrato dum mecenas, abriu uma porta passou por um corredor entrou num paternoster para despejar-se na rua depois de ter ameaçado a cabeleira loura postiça, que tivesse o fim dos branzini, a cabeça da cabeleira postiça cortada pela guilhotina depois de despida, a revolução em marcha, o pintor colado à de cabeleira postiça, a cola usada no cubículo, a cola nas mãos do acusado de falta de limpeza, de mostrar o que desenvolve dentro, o que o desgosta, a incapacidade, não realiza o que lhe dizem, não ouve as mensagens orais, obnubilado pelos aparelhos de que se constitui, formado por aparelhos digestivo e cerebral, o resto não existe não lhe interessa, o uso dos membros no cubículo reduzido à repetição a gestos mecânicos, as pernas inertes, nem tiques nem espasmos nervosos, os braços chamados pela mecânica do corte, mãos agarram a cabeleira postiça loura, mulher modelo entra no paternoster, circula no edifício, pintor demonstra num lugar público como se usa a guilhotina, percorre a assistência à procura da que se irrita como a Bachmann, confusão ocular, retinas ocupadas com a alucinação cinematográfica, mulheres tiram fotografias, ocupam pontos na montanha para onde (ele) se dirige depois do cubículo da roulotte do beliche da usina do refeitório onde repete que tem fome sem comer, nenhum acesso à comida, os pratos vazios, os talheres arremessados contra as paredes, revolta dos usinados que consultam os psiquiatras que os ajudam à confissão, prática nova para os colectivistas que não usam dos costumes católicos, confissão admite mentiras arranjos poderes contra as cabeleiras postiças fotografadas em Bérlinn Kraków Wien, os colectivistas nos cubículos onde os enfiam para o envelhecimento precoce, as matérias humanas caem em depreciação, não se corrigem, alteram-se nos cubículos até à evaporação dos sexos, são aparelhos regenerados (sic) prontos para serviços suplementares, para enganos ferozes, para rigores com os ouvidos preparados para a música de rádio, o pintor ocupado com os branzini que corta, não dá por nada, esquece-se dos que lhos transportaram das águas para a mesa, minucioso no corte, no uso dos instrumentos com que elabora a cabeça, [BRANZINI GUILHOTINADOS],

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