mardi 28 mars 2017

Câmara Escura (Black Box) - Alberto Velho Nogueira, 2006 - Primeiras páginas

[Ex-Militar] dependo da black box do Kentridge que me abriu ao domínio público, dum alarme que me indica as zonas cerebrais disponíveis, afirmo o masculino com apêndice e outras masculinidades que se exibem nos terrenos desportivos, nos campos militares, poderes enchem-me o cérebro com o militar/desportivo, absorvo a televisão global, sou um global reformado inserido como outros na black box onde revelo ter sido ocupante filmado e fotografado em acção militar. Kentridge fez a radiografia duma ocupação, a minha feita pelo autor deste texto, escrita não me altera o estatuto, tive existência cinematográfica garantida pelos documentos oficiais que definem a minha câmara escura colonial por ter feito guerra colonial, ocupei postos administrativos, mostrei a eficiência do cérebro, ocupantes têm feições, eu não as tenho, perdi-as nos lugares por onde estabeleci os factos, produzi-me como militar ocupei um lugar fiz um contrato organizei a guerra com o material que me deram, fui pago para a fazer, mercenários organizam-se com armas e objectivos militares, armas exibem-se para os filmes que documentam o que fizemos sem fanatismo, nada a esconder, os braços com armas para que se veja e saiba, (eu) não ocupo, já ocupei, estou na black box do Kentridge, na minha, na do autor, ocupámos o que nos disseram, masculinizados, somos matéria subjugada, fomos armados até à morte, figuras da Grécia mitológica alimentam a escrita dos militares que procuram a grandeza nos factos, nos textos que escrevem, a escrita que se propõe vem dos gregos, Kentridge propõe uma black box exposta na Deutsche Guggenheim, Berlin, dois mil e cinco, faz o que quer, eu uso da (minha) black box cerebral constituída pela memória da ocupação, pelo que se tramou contra as populações locais, operações localizaram as populações atribuídas aos lugares, perdi o nome delas, Kentridge fabrica os ocupados com papéis arames cola pilhas madeiras lâmpadas, filmes e fotos demonstram que existi com órgãos que me propuseram a respiração a circulação a digestão, doenças catalogadas pelos lugares, lepra malária tuberculose cancro militar, intoxicação vem da ocupação territorial, da renúncia à respiração, as palavras bloqueadas à saída do órgão falante, só saem ordens e talento para as cartas íntimas à Mutter e à mulher, lugares coloniais colocam-me a língua e a zona verbal em actividade para a escrita, não sei como salivar como terminar os sons como articular as imagens que vão com os sons e os materiais, fecho-me na minha câmara escura, estou fora das imagens que o Kentridge montou, Kentridge abusa, não me confesso, não tenho oralidade fora a que aplico nas operações, o meu percurso a examinar nos documentos, ocupei lugar colonial na África, autopsiaram-me antes de morrer, preparado para as doenças, examinei a fecundidade dos que se miniaturizaram com o peso das armas, a cabeça aberta como o todo, (eu) aberto na horizontal, posição inóspita de quem não quer mostrar-se, aberto de lado, membros assinalam varizes e gânglios que não me transmitem doenças conhecidas, não me atribuo um estado, os ocupados não falam, autistas recusam os que se infiltram nos territórios deles para lhes assinalarem a existência, fabrico vocabulário, entra-me o vocabulário dos que aplicaram as palavras às ocupações, circuitos vocabulares ajustam-se às ocupações, adquiro os hábitos da língua que se expõe na câmara escura que se sobrepõe à black box do Kentridge, câmara escura pessoal serve-me de orientação para a cabeça, ocupei um lugar histórico, lugar da impressão dos filmes e das fotos, fui fotógrafo num lugar distante por estar distante da Mutter e da mulher, fui ocupante, agente fotográfico, servi os intuitos coloniais, não quero estar na black box do Kentridge, sou eu próprio uma câmara escura cerebral, a cabeça na caixa escura colonial, ocupo territórios coloniais, sou colonialista, aplico os conceitos que vieram da Grécia, Eros e Thanatos, encho-me de Thanatos e de Eros à medida do enchimento da câmara escura, da manutenção dos órgãos que caracterizam o militar que fui, sou um colonial reformado, tive lugar numa guerra colonial, construo a minha caixa escura com isso, imito a do Kentridge, não estou na black box dele, não sou o que o Kendridge denuncia: a mecânica da ocupação africana, eliminação e extermínio são os resultados dos lugares ocupados, 

[Ocupada] vou de Hiroshima a Kolkata, uma deriva da outra, das práticas de Eros e Thanatos, do que a cultura formulou sobre a morte, efeito da canícula, da calúnia colonial, efeito das palavras que caracterizam a morte, da nascença à morte, conheci a vertigem adequada à música do Rüdiger Carl, do Mats Gustafsson, dos que me mantêm sem gesso nem arames, tenho documentos sobre a ocupação, os campos de concentração, a morte por numeração, por asfixia, dou-me um nome masculino ausente do colonial, um nome, LF, o mesmo, morto sem que lhe conheça a causa, fígado, cancro, atingido como os ocupados pelo fio que vai de Hiroshima a Kolkata, o urbano rasado como está rasado o autor deste texto, assistido pelo autor da black box que documenta o colonial, as deficiências do mental colonial, as atrocidades que desembocam em Kolkata, produtos da tecnologia acompanham a distribuição da miséria, mental fabrica castas e domínios, desprezo e figuras da fome nas ruas onde se lavam como me lavo, me incluo nos ocupados que o Kentridge trata na black box, câmara escura construída com materiais usados, eu usada pelas mecânicas que me levam a Kolkata para verificar o que entra na caixa cerebral dos habitantes que se lavam nas ruas, furam as canalizações, obtêm água corrente, lavagem ritual, ritualidade da fome, da morte Kali, habitantes predispostos para a catástrofe, para o fanatismo, empurram-me, colam-se-me, colam-se à black box, entram-me na cabeça/caixa, no que possuo dentro dela, papéis tesouras fios eléctricos, construções feitas para funcionarem, autor usa os materiais do Kendridge, a câmara escura usa dos olhos dos membros do palato das narinas que absorvem os cheiros de excrementos dos habitantes, excrementos marcam os lugares, habitantes sem lugar reconhecível, fui formada a partir do LF, criei-me com o que morreu, não conheço a causa da morte do LF que habitou um urbano sem o reconhecer, conspirou contra ele próprio, contra o Vater que abandonou à cera, o Vater esculpido com pele veias músculos cabelos/fios, figura de cera, visível o que se formou desde a nascença, o que é a nascença como se obtém donde vem, de Kolkata, LF nasceu em Kolkata com a água das canalizações furadas, a chuva não conta, os terrenos de cricket desenvolvem a integração nacional, desporto serve constrói conspurca as black boxes, o fanatismo cresce, fanáticos constroem caixas escuras fora do desejo, coleccionam armas, defendem os materiais, a computorização do social de que fazem parte, não saem do labirinto, não conhecem as regras, a manutenção delas, os anúncios da morte na mecânica dos aparelhos que se vendem para separarem o urbano da morte, o que está nos cemitérios está morto, transforma-se em água corrente para os rituais dos que se lavam nas ruas, lavo os membros, fixo o que esteve antes no escuro da câmara, sou feita de caixas, de correntes de água da canalização furada, fanatismo aglomera-se nos lugares saturados, circuitos fechados pelas limitações coloniais impostas, câmara escura mostra o que acumularam, black box do Kentridge denuncia o colonial dos que fizeram o elogio das ocupações, da pertença ao militar, honra, aspas, sobe à cabeça, tem o predicado de trepar à cabeça para dar autoridade e substância, cabeça ganha conforto, se alguém ousa escrever tal palavra, enquanto fabrico uma caixa para aquilo que me fabrica os nervos, a saída das águas pelos canos rotos, canalizações internas obedecem-me enquanto for matéria viva, dominam-me os membros, falta-me controlar a cabeça, ver a black box para sair do colonial que o Kentridge apresenta, dependo das mecânicas computorizadas, dos aparelhos que analisam por dentro, que controlam a fala, o diálogo com os restantes por haver restantes, habitantes sem lugar, não tenho lugar determinado, estou na caixa escura, na black box anti-colonial que me fabrica frequentadora do Kentridge, sou habitante teatral, recuso a morte do LF, personagem que enterrou o Vater, conspirou contra a Mutter, fez dela terreno para se esconder, reconheço o autismo do LF, reconheci-o enquanto aparelho vivo fora do lugar, 

militares são chamados para a ocupação, não elaboram fora dos lugares ocupados, o que me pertence garante-me ver a câmara escura, faço parte do vocabulário da caixa, pertenci às caixas de bolachas do Boltanski, fui numerada, não estive em campos de concentração militares, não pertenci a formações militares, formei constituição sonora, não física, não tenho arma na mão, nunca tive, não me ensinaram posições estratégicas, formo-me sem lugar, despejo os detritos que se formam nos rins, areias pedras cálculos provocam-me dores, sou executante do que sinto, o resto é indolor, a vista parada sobre a black box que decifra os coloniais, os ocupados atacados até morrerem por fome doença do sono lepra abominação armada, à escolha entre os regimes que o colonial criou, fabricante da evolução das castas, das classes, dos grupos fanáticos, desportos ajudam, computadores pertencem à memorização, vão em linha directa da aparelhagem à memória, do eléctrico ao fenomenal dos nervos, da fome às canalizações para a lavagem, vejo apetrechos para uma barraca, um automóvel ao fundo, nada de descrições, uma mulher com a condição dada pela foto urbana, um ser sem existência localizada numa caixa de bolachas Boltanski, temática repete-se, incluída a do LF que morreu sem que (eu) saiba a razão, idade doença volubilidade teimosia tendência à depressão à desocupação dum lugar. Ao fundo o quê, nada que se caracterize para ser desenvolvido, papéis na mão, um tema musical nos ouvidos, numa cena, “mel. F, berliner/früh um fünfe”, mil novecentos e setenta e nove, Berlin, referências vêm-me de dentro, escapei ao militar, não escapo às caixas numeradas do Boltanski, aos locais sem definição, caixas armários câmaras obscuras, pesadelo das caixas, dos fechamentos, organização está presente, alguém lê, outros penduram roupa, actividades dos que mexem os lábios, esvaziam os pratos, outros de bicicleta, alguns agarrados às vedações, a black box informa, a câmara escura vê antes de mim, factos alteram-me os membros, as pernas inchadas porquê, as fotos prontas para a acção, câmara escura fixa os movimentos dos masculinos armados, masculinização aumenta, linha separa-me dos que usam de kalachnikofs para exibição do que são, grupos pertencem às organizações para defesa do nacional, para ataque ao humano, sobretudo ao humano sem localização, desloco-me, sigo a urbanidade sem localização dos sons que vêm da sala de concertos, Berlin mil novecentos e setenta e nove, outros mundos deram Kolkata enquanto a câmara escura fixa uma rapariga com criança nos braços, nada de comiseração, as sandálias japonesas significam descontracção, personalidade ligada ao desenvolvimento, à domesticidade das compras, dos alimentos, criança crescerá, crescimento com arma se masculino desportista adaptado ao demonstrativo que lhe pedem, o publicitário na camisola, nos braços musculosos, adjectivo, na expressão, sem ferocidade não há crescimento, não tenho contacto com os que cresceram, não os chamo, acumulo necessidades, sinto sem lugar sem dores sem fotos sem funcionar com os dedos, não tenho músculos militarizados, a (minha) musculatura é o desenho dos braços, nada mais, nada feito a partir da ferocidade que me impregnam, faço parte do todo, fizeram dele, ocupante, experiência masculina nos braços da rapariga/Mutter de sandálias japonesas, nenhum outro efeito nenhum outro resultado, os dois, Mutter e criança masculina, são pormenores deste texto fazedor de acções com a câmara escura, black box do Kentridge analisa as presenças colonizantes, a situação colonial, dois mil e cinco, necessário clarificar o ano, deixei mil novecentos e setenta e nove com o Sven Ǻke Johansson, fixei sons na câmara obscura do cérebro que se desbota com o tempo que me foi atribuído, sou constituída por defeitos e sintomas sem morada, não tenho localização, tenho lugar artificial em Kolkata, protejo-me da poluição, restos de comida no chão dependem dos mercados, das cozinhas de rua, como fritos sobre folhas, habitantes empurram-se, ruas abertas para consumo, aumentou a produção e o consumo de alimentos na Índia, estou em Kolkata para efeito do sonoro urbano, da poluição que compreende o local e o urbano que não me pertence, sigo o fio de Hiroshima a Kolkata, não me localizo, assusto-me com o urbano que me aumenta a masculinização, o meu contrário, um ser contrário não obtém significado urbano, perdi-o com o crescimento, tive um ser, construí formei (um) ser que me retira a condição, insubmissa cresci para retirar o significado do lugar urbano que me deu as sandálias, o t-shirt amarelo, a publicidade sobre os mamos, a indicação territorial, recuso o todo, pertenço aos que se lavam nas ruas, não entro no crescimento militar urbano, casas e habitantes compradores clarificam o urbano, o que ouvem donde vêm para onde se dirigem nos fins-de-semana, cimento e alcatrão onde ponho as sandálias, plástico não me causa alergias, alérgica a nada, defino-me sem força muscular, tamanho mede-se pela largura dos ombros que não educarão militares, Mütter hábeis de sandálias de plástico nos parques de cimento, nos supermercados, são agentes das compras, soletro sem que me ouçam, feita para não ser ouvida nem por mim própria, sujeita aos factores que dão comida doces guloseimas excesso de açúcar de gordura batatas fritas diárias, trabalho diário executado, a casa arrumada para a câmara escura que fotografa os estragos feitos pelo urbano de quem veste t-shirts com publicidade que localizam as Mütter sobre o cimento, sobre o alcatrão, as ruas planificadas, urbanização existe, uma casa, o número da porta, a recepção do correio, cartas indicam-me os usos diários obrigatórios, fase seguinte forma-se nas coxas engordadas, cara tem máscara para a impressão de ser rapariga, o resto dentro, ser mulher vê-se pelos órgãos que se formam no interior à medida do crescimento dos seres que não formei, não sou Mutter, não os alimentei com os mamos, com os órgãos da fala, esponjas mamos acrescentam sons, formam palavras, ajudam a formulação das frases, gramática forma-se com as chupadelas dos mamilos, dizem as habitantes prontas aos militares que cresceram com a condição dos mamos, adultos masculinos frequentam a black box do Kentridge, têm medo da black box acusadora, antes receio do que medo, o medo não é com eles, não lhes foi criado, receiam a mecânica da black box que lhes determina o silêncio, os lugares fechados, o cérebro lacado, o que fizeram, o escuro abre-lhes os olhos, estão representados na black box do Kentridge, colonialismo habita-os, criados a partir do colonial, tiveram Mutter de sandálias sobre o cimento, fala-se de bairro, de conjunto habitacional, habitantes vêem os museus de fora, o que se produz para os museus é-lhes vedado, não se projectam, as coxas das Mütter guiam-lhes as comoções, a publicidade do t-shirt idem, publicidade não me localiza como Mutter, estou dentro do texto, da black box do Kentridge como ocupada, feita por pormenores que se colam, partes constituem-se num lugar ao acaso, não tenho particularidades, sons sentem-se até à morgue ao cemitério ao crematório, depende do que quiserem fazer de mim, depende do lugar, da forma adquirida pelos pedaços depois da reconstituição a que me sujeito por força dos que defendem as ruas, armas nas mãos, braços adquirem significado universal, significam raiva e fúria vencedora, armas não escolhem alvo, atacam ao acaso, há vontade nisto, 

instalação voluntária da rapariga/Mutter na black box, pertence ao colonial, à publicidade inserta (insert) no t-shirt, no que se produz de natural junto do cimento, ocupo-me do que me vem pelos canais que me despertam para a tremura que os sons dão aos membros, condição de quem vibra com o que a caixa transmite, vem tudo da caixa, dependo da caixa, do que ouço dentro de mim, de caixa a caixa, de matéria a matéria, lavo-me com a água das canalizações, banho ritual, tudo ritual de quem perdeu, os que perderam ritualizam-se com a exibição das armas, formam a crise fanática, estruturas fanáticas vêm das crises, das ocupações, os que crescem pedem armamento, crescimento compreende as kalachnikofs, foram feitos para isso, são suporte de armas, miolos pertencem ao armamento e ao desporto que os formam prontos para uma caixa escura, para a difusão tv/internet, Kentridge analisa a formação dos lugares coloniais, o que cresceu e cresce deriva dos lugares ocupados, este onde estou ocupado pelos coloniais, predação, referências dependem das caixas onde os meteram, onde me meti, involuntária, metida pelo que sinto, refiro-me ao que vejo na caixa escura que demonstra o colonial, às dimensões que a caixa me proporciona, não existo para além duns quantos metros quadrados, a distância mede-se em presenças de materiais humanos aproximativos, uns governam o que as cabeças transmitem, o colonial é analisado pelo Kendridge, pela caixa idêntica que construo, meto-a na cabeça, assinalo a frequência do colonial que me rodeia por ter sido criada nos lugares que formaram o cérebro para o colonial por haver criadores do colonial, de lugares a dominar, lugares dependem do uso das armas, do levantamento dos braços endurecidos pelos treinos, treinados ocupam a caixa colonial com as manobras da caixa craniana, caixas desenvolvem-lhes poderes secretórios, secreções descem aos testículos, depósitos da matéria militar analisável como fecunda, fundadora de recintos de caça, de zonas militares, de quartéis onde se confundem os líquidos com a fundação dos lugares, estes escolhidos por (eu) estar fora da produção testicular, (eu) imprópria para consumo, para despejo, não despejo, não me identifico com o que o testicular fabrica, com o que se fabrica dentro, sons chegam-me pelos aparelhos leitores, instrumentos favorecem-me a especulação, os efeitos medem-se em linhas sinusoidais, aparelhos medem o humano que consome e se sujeita, submissão necessária à percepção, o pensamento está nos choques eléctricos que me estremecem, não há manipulação dos choques e do eléctrico, são produzidos pela vontade, pelo que executo na caixa de bolachas, o mais comum dos terrenos, dos lugares que não criam potências e forças, estas criaram colonialismos, armas e músculos, Eros e Thanatos, termos repetem-se, aplicam-se por prestígio por acumulação por erro, exibem a herança grega para a compreensão dos fenómenos, nada mais vem da Grécia a não ser o turismo solar, as paisagens de Santorini, os vulcões e tremores de terra, o telúrico não pertence ao conhecimento dos turistas, autor dirige o texto para as raparigas/Mütter nas caixas escuras, câmaras escuras, projecta os políticos epocais no fundo da caixa, nada de silêncios, presente a produção mundial que fabrica materiais para a morte, para o poder da morte, para a frequência dos ataques, a manipulação do tempo disponível para atentados e ejaculações, Eros e Thanatos, nenhuma ligação entre os dois conceitos, um vem sem o outro, as aproximações são justificações para o domínio territorial, os militares fiam-se como os turistas nos regimes que inventam, forçam os ocupados nos lugares escolhidos, este escolhido por mim, 

black box examina o colonial agarrado às condições das armas e do desprezo, militares transportam materiais para a ocupação, nada a mais, actividades com braços e armas nos terrenos onde põem os pés e os braços, as actividades mortuárias, as definições do Eros, quanto ao Thanatos as experiências provam o que desenvolvem na cabeça, Thanatos ocupa lugar, propõe os lugares que não ocupo, zonas militares delimitadas por arames alarmes projectores guardas, lugares protegidos pelas armas, militares compreendem a existência que se estende dos dedos às balas, da cabeça aos aços, siderurgias musculares a desenvolver nos terrenos classificados pelos que conhecem o colonial, ocupam ruas praças zonas desportivas estádios, acções dependem dos que são maltratados, condenados, eu em Kolkata por não haver outra racionalidade a não ser a dos canos rebentados, canalização pública serve para as lavagens, este o sítio, enquanto noutros as arquitecturas desenvolvem movimentos de grupos, de casas, de transportes públicos, enquanto o Kentridge mostra sem comiseração a rapariga com criança na black box, o que os masculinos ocupam, os terrenos vermelhos, a terra onde se posicionaram os que ocuparam pessoas antes de ocuparem as terras, o territorial foi medido a partir das medidas humanas, nenhum fracasso, instalação funciona, install funciona na rapariga/Mutter com criança, install da criança masculina para função futura, criadora de funções futuras, t-shirt publicitário representa as fases da ocupação, a astrologia dos ocupantes, supermercados mostram abundância, nada dos excrementos de Kolkata, a produção agrícola indiana aumentou, não há fomes endémicas, se não comem é por não haver transportes para que a comida lhes chegue, onde estão os camiões, transportes têm limites, falta de iniciativa para a distribuição do aumento da produção agrícola, onde estou à procura de lugar não há excrementos a não ser dos cães, não tenho cães, não passeio a obediência animal, obediência tem limites, já o vimos no texto anterior da Pertschy, esta, que sou (eu), não é masculina, distingue-se dos militares, produzo o conhecimento psicológico dos homens, mulheres não os conhecem, dizem os militares, para se conhecer o militar é preciso frequentar as casernas, sentir a camaradagem, dizem os que se forneceram para sempre do militar, que passaram pelo uso das armas coloniais, mesmo que tenha sido ao ombro, estão informados, conhecem o homem melhor do que as mulheres, nenhuma excepcão, mesmo as Mütter não os conhecem, recebem cartas dos filhos desconhecidos que, em permanência nas guerras, mercenários pagos pelo país, enviam cartas, informam sobre o que faz sentido, aspas, o sentido inédito que as Mütter e mulheres não conhecem, militares falam das Mütter e mulheres amadas, de amor, sentimentos fora da carnificina, são homens por chamarem Mutter à Mutter mulher à mulher filhos aos filhos, comiserações, militares estão na casa dos vinte, o futuro na massa cerebral, constituem futuro, escrevem-no para as Mütter e mulheres, escrevem como sentirão o futuro, cérebros ao serviço das armas, da territorialidade que a black box demonstra como se trata, onde se actua, como se abatem os recalcitrantes, abater, palavra escrita pelos militares que descansam do colonial, praticam o abater com conhecimento de causa nas cartas emotivas aos familiares, o emotivo chorado nas cartas, a verdade escrita, o resto está descrito na black box do Kentridge, a função dos ocupados chamados ao controlo dos militares que os executam, execução dá camaradagem que forma instintos na massa cerebral, o futuro garantido nas autoconfissões, são camaradas na defesa do território, defendem-se dos ocupados, garantem o emotivo que escrevem nas cartas para as Mütter e as mulheres, os filhos contemplados, palavra do regime que o Kentridge analisa na black box, examina a ocupação, traços a carvão, black box representa os restos que se apanham nos territórios coloniais, ocupados são restos garantidos pela contagem demográfica, contados a dedo a baionetas a metralhadoras, a morte é garantia da eficácia, mortos contam, vivos são demografia, mortos não se enterram, deixam-se aos abutres, o que viram transmite-se às Mütter às mulheres e filhos, abraços e beijos contemplam, aspas, os filhos, dizem-se humanos nas frases, sentimentos exprimem-se com a verdade que o território pede, evocada pelos que contam os ocupados pelos dedos, publicada pelos filhos que se lembram do emotivo que os genitores/militares exprimiram nas cartas, documentos da guerra, militares choraram o isolamento, a distância, a separação idílica serve-lhes para exprimirem o melhor deles, militares têm o melhor, fabricam instalam o melhor nos territórios que abrem com armas, não kalachnikofs por não as terem na altura das cartas, outros militares continuam as ocupações, abrem outros territórios às ocupações, não faltam motivos para escrever cartas aos familiares distantes, distância conta para a escrita dos sentimentos ferozes, adjectivo, são ferozes, nada de contemplativo, militares ferozes escrevem às Mütter e às mulheres como sentem os rumores os humores as cores as cordas os ruídos, roídas as cabeças, as colunas estalam as costelas doem, cérebro assinala-lhes o que estoira o que se esmaga o que esmagam, escrevem cartas íntimas para reterem as impressões, registam a distância que lhes forma imagens virtuais dos familiares e amigos, cérebros detêm o melhor, detêm os locais, emoções caducam com o tempo, formam-se imagens que destroem as anteriores, militares sem ficheiro, virus entrou-lhes pelos miolos, contam com as referências aos familiares com os quais entraram em familiaridade exaustiva, a coerência não se desgasta, a escrita deles é a razão da verdade, funcionamento garantido pela razão da distância, do trabalho executado, o dia a dia formado pela preparação física a que se sacrificaram, termo militar, endureceram o carácter, dão a vida por, são detectives, aproveitam a experiência para os romances que escrevem, o que viveram transpõe-se, só o que se vive se transpõe, romances baseiam-se em factos reais, o real transpõe-se, crêem no real que se apresenta diante, das da, o presente consciente, inicia-se a segunda fase, a da rentabilidade da ocupação dos territórios, a fecundação do cérebro, emoções desenvolveram-se, não com as Mütter e as mulheres mas com a realidade, militares executam, produzem romances, o vivido escreve-se, o vivido marcou no cérebro as fases da ocupação dos ocupados antes da dos territórios, exploração militar dos ocupados, sinais dos tempos, militares são sinais de que os tempos se mantêm, o que se passou nos anos sessenta setenta tem hoje repercussão, hoje dois mil e seis, outros escrevem com kalachnikofs, equipamentos evoluíram, a economia militar progrediu, as cartas progrediram com o que sentiram, o que lhes interessava era a separação, a distância, a fidelidade sexual, escreveram que o sexual demonstra fidelidade, não usam das mulheres locais, têm nos cérebros o virtual das mulheres, Mütter serviram para a culpabilização, são sistemas de segurança, são figuras da matéria social desde que a escrita existe, são a fecundidade o tabu o cliché que fundou a virgem e senhora dos céus a proteger como a máfia protege, militares ditam o mais sagrado, o mais profundo deles, confessam às Mütter o que não dizem aos capelães presentes para a óstia nos campos ocupados, capelães acompanham os militares na absolvição, actos, é útil actuar dizer escrever confessar o que se fabrica nos territórios, Kentridge descreve o que eles não dizem às Mütter, nem sequer às mulheres que não lêem o relato dos actos que lhes enformam os cérebros formatados, militares servidos pelos lugares que os formataram até ao social de hoje,

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