mardi 28 mars 2017

Baldes - Restos - Alberto Velho Nogueira, 2001 - Primeiros textos

o que se vê está sobre a mesa coberta por lençol sobre a qual produzem actividade, sítio da existência de dois, umA e um a três quartos da câmara dirigida para a parede ao fundo, fotografias de mulheres, pacotes sobre a estante, escadote à direita, pés nas alpercatas, camisas e calças penduradas, fichas fios eléctricos, instalações estragam-se, não se vê a entrada nem a parede do lado esquerdo sem o que lhes marca a vista, a falsificação,
latas têm nomes comerciais, no lado direito a cama de 90cm de largura, cabeceira colada à parede do fundo, toalhas, objectos debaixo da cama, sítios incubados, alguém frequenta a zona defecta,

conduzem-no no meio de dois, não riem, conduzido apresenta sinais de desequilíbrio, os que o transportam arrastam-no, de tronco nu, entram no corredor, contador de electricidade, paredes escorrem gordura, porta tem cor, não se determina qual, cabide pregado à parede direita acima das cabeças dos três homens, dois sóbrios apresentam traços de fraqueza, não só magreza, braços finos, a idade na camisa entre a língua e a coisa, o curioso, a vingança,
o que se destapa da boina curva-se, é curvatura, índice do que bebeu junto da parede, do que se esfrega no braço,
têm volumes para dentro,



2
na banheira, cabeça fora da água, indicador da mão direita no lado esquerdo da bolca, esboça riso sem barulho, dentes incisivos afastados, cabelo curto,
(aqui descreve-se),
ouve alguém,
parede da casa de banho, ângulo curto, perto da cabeça daquele que ajudaram, surro nos limites entre as duas paredes visíveis e a banheira,
o resto atrás do Earl Howard, nenhuma bolsa, um fígado dependente, a força do menisco, a interferência do estômago, a marca do electrónico,

dorme sobre canapé, camisa vestida, braço esquerdo sobre a cabeça, despenteado, três fotografias dum outro na parede da direita, caretas, cara duma, quarenta a quarenta e cinco anos, identificada pelo que chora, a lágrima não é tema, é líquido, papel de flores vermelhas e grenás forra a parede, deixa ¼ descoberto, papel rasgado, pressupõe-se o quarto mobilado, outra fotografia dum cantor anos 50 sobre a parede ao fundo em relação à câmara, ao que se apanha,
insiste percorre, sopra sobre a superfície fotografada, a marca da camisa que retira para ser dureza,



recitador de textos, anúncios colados às paredes servem de papel de parede, instala o material próprio, escapa à fotografia, enrola o jornal à volta das pernas, embebeda-se, rapa a cabeça, nu no quarto se sozinho, aglutina-se outra vez,
perde o impróprio,
agita o bocal, forma-se o fumo, dá-se à garganta que sorve o líquido, outro, virado de costas a forma arqueada, antropologia da curva que emagrece para ver-se ocupado por trás, a sodomia escrita,

duas mulheres de pé, 52 anos, óculos de motociclista sobre os olhos, instrumentos agrícolas para bater cereais, cortá-los, nenhuma farda, vestidos do uso vulgar, camadas sobre camadas por causa do frio, justificação cerebral da roupa, mulheres têm pouco delas à vista, servem-se do olho para ver o panorâmico, dirigem-no para dentro das roupas que protegem do estrume, botas exprimem carácter,
ao domingo enxertam-se, desnudam-se, enfiam-SE nos aparelhos que os agrícolas decidem, homens limpam-nas do feno, não lhes retiram os óculos de motociclista, celulite abana, não distinguem o agrícola do animal,



duas idades duas mulheres ligadas por laços guitas casacos idênticos, barretes nas cabeças, mãos com luvas, a geografia adapta-se ao crescimento das varizes,

numa arrecadação, lugar sem parte iluminada, muro ou parede da casa,
a monstruosidade da bolca mede-se com o que procuram, com o que está dentro, agarram a língua, as línguas, plurais, as duas presas, línguas atadas conhecem a recusa do termómetro,

assina os papéis, escreve segundo as horas do relógio, o último respirar da fixada na cama pela condição de morta, estreita por estar estendida, cama coberta por lençol, a janela com pano, restos da humidade,
criança fixa a escrita, o desenho das letras, tem-lhes o significado na cabeça, mulher levanta a mão esquerda à cabeça, encosta a testa ao armário onde garrafas abanam com o estremecimento, bolsa do homem escreve expele bílis, sacode a frequência do choque que lhe sobra no beiço, estrutura de pé conforme o escuro, o que resta de superfície a cultivar de beterraba, couves impostas pela vulva morta,



com apetrechos, peças separadas dos automóveis, 2 crianças num jogo de guerra na frente da arquitecturaindustrial preservam a parte escura da usina, sombra para jogo, sentem as botas, mãos tocam a terra, utensílios tubo de escape panelas de pressão, não identificam os objectos corridos a pontapé, fixam-se para a exclamação, as casquettes sobre as cabeças, têm-nas iguais aos poros,

entrou para a cerimónia dentro de casa, alguns conservam-se religiosos com o estado da idosa, cabeças inclinadas para a toalha da mesa, o padre em casa, pediram missa junto do aparelho de rádio, mulheres têm lenços atados à cabeça, casacos apesar de estarem dentro, objectos pessoais por perto, ligam-se ao quotidiano que não sai de casa, trabalhos acabados, juntam-se em frente da mesa, trabalharam sem saberem para quê, incharam com comida,
sala com crianças diante da tv, aparelho a preto e branco, um adulto entre elas de cigarro na mão, fumo na sala com rendas, panos tapam as paredes, emblemas, cinzeiro, atenção das crianças sobre o filme, nada que se veja daqui, resultado do espanto em frente do que não se conhece, não conhecem o que se lhes mostra, não hão-de conhecer a transmissão, o transmitido,
que se confunda o ar com o mosto, com o fumo, com a velocidade do filme enquanto dura a missa para a doente na cama, exausta,



sobre relva, época outunal, cerveja enquanto descansam, casquettes nas cabeças, equipamento de treino de qualquer função, pertencem ao social, desenvolvem a actividade de terem meia idade, nenhum idoso em casa diante do padre, paragem, interrogam-se sobre o esforço, nenhuma atitude, alguma coisa interrompida, rasgada,
olho do que predomina na chefia, homens depois do trabalho, costas curvas, questão de sede susto e medo no castanho, no preto, na lã, casquettes viseiras, foram jóqueis,

sobre almofada no terreno húmido, saíu da prisão, come ou trinca relva, atrapalha-se com a respiração, morde morde morde indica uma data, refere-se ao escândalo nele próprio, coisa indescritível do íntimo, esconde a cabeça como parte principal, gatos olham para os centros-olhos humanos, fixam a identidade, como ele fixa as marcas nos braços, tatuagens, impressões diárias, tintura da carne, pintura própria, aguarelo pinga,



dois cães, homem e mulher idosos, volume deles, contacto entre animais resumem gestos a isto, afagos, línguas para fora dos animais não humanos, dois vestidos com material idoso, camisolas de malha, faltam botões, olham o que os olha, desviam a vista para o fechado na única divisão quarto cama cozinha sala parede muro cama cadeira dois animais cães mesa coberta com restos comidos pelos quatro, comem do mesmo prato dão-se de comer, os mais ágeis procuram a mastigação, cães lambem-se, viram-se para Leste, não adormecem,

decote mamas, veio gordo entre elas onde esfrega a caralhla, desabotoa botões da ganga, tem mamilos aproximados dos dentes, trinca engole chupa, infantil, aprendizagem pela fome,

cheiro a óleo dos aparelhos rurais, na periferia de Bruxelas com mulher de rego gordo, descanso da actividade do idoso, não há fornica, batimento dos aparelhos agitam a caralhla, a ponta das mamas até ao molhar do interior vagino, mulher exalta-se com a vibração do motor, esfrega mamilo na parede, mija, forma líquido com nome, tem rio e dentes, aperta-o até ao estrangulamento, asfixia-lho, gangrena despega-o, cães engolem-no,



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plano cortado, ao alto a estrada, saco estendido no chão, caído do ombro dum estatelado na berma, punho da camisa de fora, botão aberto, punho desdobrado, panos saem do saco, fruta, comida, estrada de terra batida, tronco das árvores secas ligadas ao terreno no qual homem dorme, parado pela bebida, cheiros embutidos de merda, estrume, nenhuma sinalização do terreno, local interior, dia do ano 1998,

dois humanos dançam presos, vigiados por dois três homens, mesas cobertas de plástico, botas nos pés com meias, chaminé do aquecimento a carvão, as mãos secam, dirigem-se para a direcção oposta à dos três homens, insistem na vigia, controlo, mãos nos bolsos apertam a caralhla por dentro, olhar fixo, medo nisto, transtorno,

exagero no fixar da mais velha do que ele, saliência debaixo do casaco, barriga da mulher pronta à esfrega com óleo de rícino,
alguém a lambe,



actividade dos que detêm o aparelho aberto, luz pouco intensa, filme estragado, passagem de cabeças, câmaras apanham as cabeças, há gente pela aproximação das feições à vista, as cores com sombras, barba, aumento dos anos de cada filmado,
estendem as pernas, forçados a ver o aparelho tv no ponto fulcral da divisão, garrafa sobre a mesa, cadeiras, sapatos de couro nele, baskets nela, idosa,
descontrolo do mais inerte, ela condensa o desastre no braço muscular, na testa larga, mancha na testa marca do arranjo mental,

ajudam-no a sair de casa, percorre o lugar com desatenção, pertence ao sítio, conhece-o pelos olhos como pelas pernas por ter andado kms, atravessa o lugar desde que nasceu, gasta os sapatos nisto, fala com os que o ajudam, chapéu sobre a cabeça determina a função, encontram-se nuns lugares marcados, não há outros com muro ou parede com sombra, janela de dupla vidraça, canos de esgoto, pescoço curvo,



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respiração, o escadote na mão, saída de emergência, máscara de gás na cara, os de fora riem, presenciam a falta de meios, a respiração Lager ofegante, os que respiram participam de máscara, as roupas atadas, abotoados enchidos cobrem-se com a pele dos testículos, dos intestinos, mãos cobertas, preparam-se para o alerta à explosão, inscrevem-se no esforço, alguém se esforça, se torce,

cadeiras alinhadas em situação favorável à vista, sala de espectáculos para receber os que respiram, protecções sociais, espectadores ao fundo, timidez enviou-os para o fundo da sala, fala o que se aproxima dos vivos, respira com ajuda exterior, hálitos, na mão os mamos, espirro do que manipula a rapariga, abriu-lhe os botões, foge do local para o exterior frio, passagem da vista ao mesmo tempo que respira, engole a saliva, contraste entre o líquido dele pelas pernas abaixo e a temperatura do exterior, pessoal administrativo ao fundo enquanto tomam nota dos presentes pelo nome enunciado diante da câmara, alguém filma, o resultado vê-se sem mim,
deixaram a rapariga sobre a mesa, controlador guardou a caneta, marcou as idades pelo exterior, usa dos objectos, caneta cadeira papel carimbo administrativo, retinas paradas nos mamos, cortina fechada, meteu-lhe as mãos pelas pernas, uma delas acabou-se,



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inclinam a fotografia, falta de certeza no que se destila do olho, a camisola forma-se para dentro do indivíduo, para o dentro de mais, espalha-se junto das tiras que envolvem a coluna de pedra,
fizeram as coisas, arquitecturas com pesos e cimento, o envólucro, a decisão, traçaram caminho, acto, imaginou-se-te o que percorres,

carris entram na usina, fábricas com o ponto de vista na chaminé, sítio mais alto, correria dos fumos, intox dos que respiram, outros calam-se no cinzlento, caem as partes mortas sobre os vidros, retêm o que há nos pulmões, asfixiam ao longo do muro, a parede que os empareda,
estilhaços medida do barulho, homem precipita-se para fora dele, para outro comportamento que aflija, gente morta dentro,
fora dele, acidente espalha a cor, amostra do que esvazia, esvazia,
lê-se em surdina interna ou não se lê por ver-se abatido à bomba, a parede furada, estrago nas placas verticais, nele próprio vertical, um veio onde se assegura e balança, cai em gotas, pinga, desloca-se com a mão, sem mão sem memória não sente o peso, susto com estrondo percorre a elasticidade, a bomba perto do nariz, diante do que serve para ver, na vista a própria cara, se se vê não se evita,
caliça, propriedades do edifício construído para resistir à humidade, ele, anónimo, é cola para muro,



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pedem-lhe movimento ginástico na direcção da parede, que deixe em fatias o íntimo para passar a parede, o desastre nele, não nos materiais, no que executa em câmara lenta, passos seguidos pelo cão, outro animal com faro como ele,
inspiração lenta do ar conta os litros em períodos cardíacos, em amostras do que se vive, vive-se nisto,
um gancho espetado na cabeça, uma corda, um movimento, a vertical a fio de prumo, artérias e comestíveis, aparelho quebra-nozes,
estendem protecções contra invasões de napas de petróleo, por aqui se separam do leve, carregam com o dia a parte azeviche da cor, a fibra tem veios na garganta, profundidade na voz,
confunde-se o resultado do raio X com o traço, com a história do terreno,
casas esboroam-se perto do declive, da margem entre gente, pedaços do que habitam conforme o uso, a representação das caras dos descalços, os que atiram pedras contra os telhados, o clima ingrato no nódulo que têm nas fibras, no que apita,
estacionam automóveis, abandonam os conteúdos das latas, as malas sobre os assentos, fazem nódoas de chocolate, nódoas nódoas, o envelhecimento cutâneo,
a brecha com o tremer da terra visível onde se põe o queixo, bolca aperta o que lhe entra,



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confusão na construção das casas, telhados marcam origens num ponto inóspito, o fora disto, da vista, das letras conhecidas do alfabeto, percorrem-se os ares com jactos, farinhas, objectos deixam rasto, organizam o respirar com atenção, uma sôfrega entre fios telefónicos, borrascas,
nuvens trazidas por ventos ondulam por cima da cabeça colocada na Estónia, momento planificado à entrada do lugar, reserva para estacionamento de camiões, para a descarga deles, uns tantos de cabeça atada para segurarem os nervos, lugar da excitação, um só ponto inseguro,

há quem habite sem tontura com os quatro membros acima do nível do mar, no ascensor, entre cabos e portas de vidro, num poder de elevação que corresponde à ausência de pressão, à navegação nocturna com olhos ultravioletas, coisa vulgar o que todos têm,
por cima da cama uma colcha, objectos de passagem de quem teve buracos com líquidos, a paragem da respiração, o que respira treme,



14 
chapa batida por água, navegação do que se agarra aos cabos, balaustrada, inclinação dum local por onde escorregam até segurarem-se às cordas, na extensão do barulho, na ineficácia do enlatado na parte minúscula onde escovam, onde enterram a cárnia, o que será depositado,
troça do cinzlento, da massa, humano pressente a gesticulação, gelatina abana sem cortar por faca o que não se transporta, equilíbrio medíocre, vaga engolida enche a bexiga, batem as águas cujo sal é examinado dentro da bouca,
equipamento: bóia, papagaio de papel, alavanca, poro, transparência, um rectângulo,

alargam o buraco na operação para verem a constituição inferior à joelha, no alto da cabeça um vozear parado, introduziram a máquina, o oleoduto expõe a pasta, membrana inclina-se para reduzir o golpe à frequência do abano do que estremece com a vibração do cais por onde passa o canal,
adormece com o sôfrego, mancha sustenta a testa, a mão inclina-lhe a vista para as partes que recebem a chapa torcida,
cospe, dispõe-se paralelo ao cais na curva da placa torcida, é medido pela falta de terra,



15 
dos quietos o que tem maior cabeça, pesadelo externo, osso para cortar o ar, quilha, nódulo do menos experiente, a fraqueza liga-se ao braço sem musculatura,
não descrevo, nem isto é lugar económico, medida do neutro com peso, estou adequado ao escuro, ao inclinar do pulmão para executar receita de cozinha,
letreiro: "fresh live eels daily"
quanto estar apodrece, sinto-me o cheiro,

aproxima-se fixa com grânulos a força de cada estremecimento, auto-estrada aberta para se enterrarem os dois que morreram no local, escolheram a geografia por testamento, indicação administrativa, vistos sob um montículo de terra, sinais exteriores do que foram,
colocam objectos de consumo próprio aos vivos, em cima do terreno um biberon, bocados de vidro da janela, emblema do sporting de anderlecht,

paródia da cabeça pintada face e orelhas, pescoço endurecido pela tinta seca virada a pasta, acabou-se um tempo, criaram outro sem impressões na garganta, sem comédia nas ruas, papagaios de papel, ninguém olha para trás o rasto, o cheiro de mulher sobre o colchão, cabeça sobre o travesseiro que o trouxe debaixo do braço, confusão entre tatuagem e flores, folhas do terreno, marcas, pertencem os dois objectos ao mesmo proprietário,
pela extensão da marca dos dentes sobre o maxilar inferior vê-se que não respira, encosta-se ao relvado para abastecer-se,

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