mardi 28 mars 2017

anu COBRA - dois formam LARD opaco - Alberto Velho Nogueira, 1992 - Primeiras páginas

diante dum nicho para onde olha, estende a mão, gesto segue a vista, desvio da cabeça, inclina-se com o peso da arma presa por tira de pano. estrada leva de sítio a sítio sem nome por não decifrar o que se diz perto dele. estradas levam a mais longe, perto das furnas, borbulhar da água onde se molham mulheres cujas gorduras salientam mais volumes do que os que conhece. vista fixa, endurece a cabeça parte exterior, endireita-se com o vento, cinza, volumes dentro da água aquecida pelas furnas, vapores à superfície. algumas de touca guardam a forma. exercícios para que se banhem ao ar livre sem tremerem, quando tremem sacodem a água das furnas. homem com arma sobre o ombro direito fora da água, não faz flutuar a gordura. prolonga a vista para o mais cinzento do corpo da paisagem, constrói o natural por perto, aproxima-se da linha do horizonte. peso da arma de fogo sobre o ombro direito, algumas mulheres cobrem as partes volumosas, molhadas pela água das furnas até conhecerem o efeito sobre as peles, até ao mais profundo da carne, tecidos nervosos, músculos distendidos, self-apalpadelas para experimentarem o corpo, a resistência da água das furnas, pressão sobre os joelhos. progridem sobre fundo cinzento, lugar vulcânico com cinzas, utilizam óculos de mergulhador, distendem as peles dentro da água, contacto com o cinzento diminui o reumatismo, humidificação das peles, da superfície a descascar, engolem pouca água a não ser que levem a mão à boca com água da superfície do lago, sem cinza, sem cor. puseram touca, costumes da limpeza, condições da higiene do dia, da manutenção do lago cinzento sem que a cor da superfície mude com as banhistas. sem água não vive o que atravessa a estrada com arma ao ombro, descansa da arma cansa-se da distância a percorrer, qualquer parte dele desloca-se entre cinzas, nas cores cinzentas por onde anda sem que lhe indiquem o que faz. à borda do lago onde escapa à pressão sobre os que trabalham, gente arrumada junto das fontes de calor, das fontes de luz. uns olham para fora, outros como ele despacham-se para saírem caminho do lago onde há mulheres de 50, 60 anos, idades próprias ao descanso, dores nas costas. inclinam-se para o chão sem saberem, inclina-se entre vapores e continuação da linha do horizonte até aparecer camada cinzenta próxima do infinito, toucas sobre as cabeças. próximo do lago, da porção de água sulfurosa, da que se bebe, se enche de cinza do esbracejar das mulheres, das pancadas que dão à superfície da água das furnas, aquecem os membros. fora, a temperatura diminui, estamos em data fixa, marca-se o dia, foi marcado no diário do hotel mais perto, nome esquecido tabuleta estragada pelo inverno. disseram ao que caminha com arma que é suspeito estar próximo do lago com água sulfurosa. descreve-se com desconfiança, alguém o faz com silêncios e olhares rápidos, outros demorados, estrago do diário, estragaram-lhe o dia no escuro do fim da tarde entre tábuas húmidas e água do lago, mulheres mergulham na superfície cinzenta. daqui vê-se a estrada, uma delas, preparam o homem à travessia das estradas, ao reconhecimento da superfície a cultivar as culturas do norte. elementos da protecção civil entram pelo lado oposto, aparecem diante dele, homem com arma ao ombro em descanso. quiosque fechado na esquina com poeira, primeira CASA/SACA de quatro pisos, três andares rés-do-chão. feita de tijolo, grupos de duas janelas com ogiva. fachada da usina, laboratório nas traseiras, entram os que querem, corrente de compradores como ele, o que se desloca por agora e por cada dia durante a parte mais clara. procura a parte luminosa do dia, marca-a pelo relógio, calcula distâncias para não ser surpreendido pelo anoitecer, período longo do norte, entra nos cafés iluminados para sentir um espaço aquecido. fluxo directo ao estômago, ao cinto, à parte redonda da cintura onde apoia as mãos. identifica-se aos dias entre ruas, aos planos de cada um, planos próprios a um só, ele quieto, reflectido e incólume com a língua no trabalho dentro da boca, falagem correcta por ser a mais apropriada ao silêncio. onde mora vê grupos de janelas com ogivas, vidros sujos por não utilizar água fora do útil, carapaça da cor do ar sobre as janelas cobertas de poeira, manchas de óleo, efeito do dia e dos braços que aumentam de volume com o que come. arma de fogo sobre ombro direiro, vem do local das compras. vem do local onde se organizam os que estão de fora, são dois homem/mulher. ciclistas afastam-se em direcção à fachada da usina, laboratório nas traseiras, capacete sobre as cabeças, não descrição disto, fixam as cabeças, o que têm de metálico, de redondo artificial, sem capacete não terminam em cúpula, em carapaça metálica, ingrediente de defesa contra queda de objectos que representam trabalho e gestos das mãos, trabalho dos dois sem arma de fogo sobre o ombro ou fora do lago das águas furnas. pernas abertas dos ciclistas, direcção fachada da usina, laboratório nas traseiras, porta aberta para que entrem na arquitectura de dois pisos, ao lado CASAS/SACAS de residentes que se fixam ao terreno comprado com o dinheiro dos bancos, trabalho ainda. afastam-se de costas para serem vistos sem cara com capacete, vindos de sítios diversos, estão num local onde se cresce e se demora entre gente fixa atrás dele, do homem, grupo obedece aos sinais de trânsito, se não há gente não há urbano, instala-se instalou-se há 59anos no urbano desde o conhecimento das regras do fabrico das armas, da raiva que lhe colocaram na cabeça para ir contra as portas, atirar-se contra bicicletas, janelas, partes abertas do quotidiano. biscoitos em lata, compotas em frascos, material de trabalho nas caves, organização do mundo antes de ter nascido, nenhuma colaboração no trabalho como está traçado, arma de fogo sobre ombro direito para que função, guarda da floresta onde habita, há florestas, postos de observação, controlo do restante, da gente que mergulha na água das furnas com touca, gorduras abanadas. corpo dobrou de dimensões, fixou-se em duas partes, a que cresceu até vê-lo, a que se acrescentou por contacto, esponja a mais, massa nunca pegada à primeira. mulher dividida em duas partes, uma fechada pela outra, marcas fazem-se pela poluição na parte exterior. sistema nervoso reage com a gesticulação dos braços, gozo nas águas furnas. elabora o diário, a ponta do jornal que descobre por vê-la na água, propício ao desmembramento da memória e ao dia que atravessa. a data num caderno escolar enquanto outros se dirigem ao trabalho, níveis de produção, intervenção humana no desenvolvimento, colaboração de cada na guerra civil, nos anúncios, mercadoria organizada. indicações do trânsito dentro da cidade com nome, percurso do habitante inscrito no que se vê, no que se descobre na leitura do jornal, nas fotografias. placas sobre a testa, exterior tem mancha do que vê, protege o corpo próprio e o dos outros, arma de fogo ao ombro em repouso, caçador, ameaça para os peões no urbano, para os que circulam em automóveis, em autocarros, combóios, interrogação de muitos. enquanto outros fazem por dormir, deitam-se no campo entre porcinos, nenhum local a escolher, dentro de currais, deitam-se com animais perto do pescoço, população urbana sem água a não ser a das furnas, vão lavar-se por grupos durante a semana, lugar sauna para a população, entrada no morno sem trabalho de caldeira. materiais antigos postos em museus, homem trabalha em escritórios para emagrecer aos poucos, hábito nascido com ele. ciclistas de costas, entrada fachada da usina, laboratório nas traseiras, centro urbano ao qual se atribui nome igual ao dele, dois formam opaco. contagem de chaminés para que se descubra o movimento, trabalhadores urbanos perto do quiosque dos dois, mulher furna/homem caçador, 59anos. nascimento e morte, emagrecimento para obedecerem aos sinais que lhes deram a consumir, saída dos supermercados depois das compras sem crianças, consomem o que lhes é dado pelo dinheiro nos bolsos, dinheiro transporta-se aos poucos, compra do que a vista fornece, tocam objectos do dia, toques das mãos. ligados à fachada da usina, laboratório nas traseiras, quiosque dos dois, acentuam o uso das coisas, noção de progresso nos dias, ida da nascença à morte, inventaram período a preencher, não têm outro. prolongação monótona do que se diz por dia, escreve num caderno escolar perto do banco exterior ao quiosque fechado onde habita, sobreviventes moram em prédios organizados pelos que tratam dos outros, creche generalizada, prédio inclinado pelo ângulo da fotografia, caixotes de lixo uniformes em plástico duro ou derivados, cultura curta, conhecimento mais curto, nada próprio dele, escreve por dia até repetir que se engana, que conhece por conhecer, que produz por conhecer, entra em locais fechados, inclinados, prédios para a navegação em corredores e quartos, divisões, diário administrativo. quiosque depósito inclinado, fotografia da mulher ainda nova, tempo ao avesso no rascunho sobre caderno escolar, indicações do que sucedeu, o que memoriza deu-se. vista colocada no meio ambiente, construção de 1947, prédio em zona urbana habitacional, não produzem barulhos da produção. trabalha em laboratórios, anda pelas estradas que saem do urbano para encontrar mulheres nas águas sulfurosas. mulheres lavam-se, descansam na sauna, retiram as batas brancas, trabalham em laboratórios, botões abertos, nuas debaixo das batas, debaixo das batas, mãos correm, as próprias para distracção própria, ninguém interfere. o que circula são notícias e fotografias nos jornais, quieto no bordo do lago furna. fotografia de crimes raciais/johannesburg, homem abatido como ele, têmpora aberta, pernas sem calças, mão inclinada, sinais parados do que existiu, marcas definitivas nos olhos dos que vêem. vive do que lhe mostram, não tem vivência própria, anúncios, caras aparecem em revistas, não tem mundo fora o que lhe mostram, não conhece, não fala com as da sauna, furnas para mulheres, nenhum contacto com mulheres, entra nelas por fora, pelas fotografias, MASTURBE diário, jeito de consumir o corpo, desenvolve-se com as mãos e a construção na cabeça. fotografia do rei HUSSEIN e do SADDAM HUSSEIN colada ao vidro do transporte. outros correm entre CASAS/SACAS, território onde se esquecem do narrativo, guardam o diário sem sauna, lago nenhum, nenhuma diferença a não ser o clima. viu-o com a colher de sopa na mão, arma sobre ombro, operação de guarda florestal. húmido dos bosques perto do urbano que habita, bruxelas outra vez, fora do centro, forêt de soignes, homem guarda florestal. mulher furna oculta-se dele, entra em mercearias, a dor (dele) espalha-se pelo esfíncter, coisa indeterminada não aparece só nele, mulher furna tem dor igual, impressões mútuas, riscos idênticos, manobras do diário repercutem-se nos dois, vêem o que não descobrem dentro senão pelas dores. mulher furna no calor das furnas, homem produz trabalho na floresta. o que ela exprime é nada com o que lhe dão a dizer os objectos, fotografias do comportamento humano, mesmo do mais distante: homem de branco entra num autocarro, retrato dele, (ela) sai do local, guarda florestal organiza repressões. profissão é ocupação do dia, enquanto pela cabeça entra noutro local, preenche o que vai das favelas ao deserto, documentos do dia sem entreter o que entra na cabeça, percorre-se por dentro com água, lavagens. mulher furna tem 59anos, nasceram no mesmo sítio no mesmo dia, correspondências entre dias, sequência dos dias até fazer uma vida, duas vidas: mulher furna, homem guarda florestal controla animais da floresta, pessoas perdem-se antes de chegar a pôr os olhos nele. urbano onde moram distante de alguns KM do local do trabalho, dorme na floresta sem regressar à fachada da usina, laboratório nas traseiras. habita barracão/depósito, mobília restos do que apanha nas ruas durante a noite, móveis abandonados na floresta reserva de tudo, pensos higiénicos, latas, cadeiras com estofo rebentado, disse o guarda florestal depois de ter dito várias vezes a frase sem obter resposta, mulher oculta-se dele, vivem num local por serem dois de 59anos, escolha dum terreno em vez doutro. ser visto como guarda, olha animais e pessoas que se perdem até darem com ele. não se lhe dirigem, afastam-se sem olhar se do sexo feminino, olham-no se do masculino. rascunho no caderno escolar, poucas folhas utilizadas, escreve o que escreve sem motivo, não conhece esquece ocupa espaço na floresta entre folhas e estações, memória ligada por fios nervosos, derrames cerebrais. travessias florestais perto das furnas enquanto outros preparam máscaras, apetrechos de homens rãs. folhas servem, árvores servem, floresta serve, bicicletas servem os que se dirigem à fachada da usina, laboratório nas traseiras, lugares da sociedade mudam conforme o nível de produção, homens de capacete prolongam a parte carapaça do corpo, engordam com o dispêndio de energia nos trabalhos, outros não trabalham, emagrecem enquanto olham para objectos sem função, anéis sem centro de equilíbrio, bocados de cartão, tijolos, objectos guardados nas caves para olhadela. olhar da câmara na direcção dos olhos, não óculos, imagens abruptas, cinema. guarda florestal diante da mulher que não olha de caras, conhece-lhe a cara pelo que foi filmado, está filmado, guarda em arquivos. um dos dois morre, fica o outro, câmara no alinhamento da vista. nasceu perto da maquinaria, introduziu máquinas entre ele e o desejo, morte depois de ter vivido 59anos com alguém no mesmo local, janelas abertas perto do canal. dependentes, saíu a mulher da sauna, furnas para descontrair os músculos, o sistema nervoso. dores nas costas, andar lento, pesam +, fixam-se aos locais, olham com demora, boca aberta sem espanto, relaxação dos músculos, membros servem para repetir os movimentos da pedalada em bicicletas. percorre com câmara ruas de bruxelas sobre bicicleta. os dois ligados por fios, objectos comprados em comum, em frente da fachada da usina modelo alemão, laboratório nas traseiras. rascunho sem nada, objecto cabeça dele a encher de merdas e transtornos, perigos do diário, dia fornece perigos a partir do trabalho a executar, divergências políticas, opiniões sobre os chefes, entrada nas furnas para se filmarem debaixo de água durante mais tempo do que o preciso, preparam suicídio. único o que se distingue do resto, fica o resto do dia de fora, não há mais nada, fica o resto, afirma que o resto existe sem que tenha dado por isso, escreve o resultado da olhadela da câmara sobre ela nas furnas, guarda olha a mulher sem arma ao ombro, máquina apanha o que ele vê, forma distância focal. cobre de panos os objectos móveis da loja, protege-os do pó, abre a TV para ouvir o que dizem sobre a parte leste da alemanha. existe em bruxelas, marcado pelo que viveu, produz várias línguas. ao fundo, janela com vidro, sofá, cadeira velha, escreve o interior da loja/apartamento que habita, exíguo, progresso fecha pessoas habitantes como ele e ela dentro de lojas entre cozinha e casa de banho, sala com TV, se existe, contacto com o exterior pelos aparelhos eléctricos. sentados não falam, esquecem que há tempo e móveis no barracão/depósito, músculos e pornografia, olha com câmara para reter e escrever o que olha aberto, ângulo das coxas, sexos à vista fixados pelo aparelho, filme mudado por dia, cabeça funciona para rebentar. máquina inclina-se à produção interna, filma mulher entre móveis, apetrechos comprados, roupa dentro de gavetas. espalha o que tem, escreve que o não deixaram. que o não deixaram. falsificações dos planos da câmara, mesmo se vemos os filmes juntos, eu e ele, disse aos que me quiseram ouvir, estamos na condição da idade, na mesma cidade entre ruas que conhecemos por termos olhado, ele com câmara, processos de apagar o que se constitui aos poucos por dentro para que a carapaça não dê sinais de ter habitado um local visível sobre a pele quando nu, nos bolsos, na roupa, entre feiras de antiguidades aos domingos de manhã, fases do que se ocupa, ocupa-se com coisas e olhadelas, presença de caixotes de plástico alinhados junto da loja, guarda as coisas alinhadas, não se produz mais limpeza em qualquer parte do social, alinhamento dos caixotes de lixo, mede as distâncias com a vista (e a câmara) entre os caixotes de lixo, servem para que bruxelas pareça limpa. doenças crescem nele com a aproximação do outono, funções sem objectivo, falsificações do diário dele, não toma decisões. calcula o tempo sentado para des/crever o que sente, sente alguma coisa, o que não sente está ligado ao sobrevivente, ao mais mesquinho do diário, ligações ao trabalho e ao dinheiro, idade avançada, desligam-no do trabalho aos 65anos, avança para isso, escreve isto com vagar sem que haja testemunhas, conhecemos-lhe o dia. entre gente que lhe notava as ausências, as saídas rápidas do sítio, deslocações sem vista, sem plano, conforme noções das línguas, sítios a ocupar aos poucos no ir vivendo aqui como ali, até que sentisse, sente, sinto, eu sinto, ele filma, ela mergulha, as deslocações, o rigor da observação, as medidas de cada rua, as diferenças entre a que percorreu e a que atravessa, o instante disto, aquecido com a circulação sanguínea e a desorganização das vozes. conserva o apático. em que sítio se encontra se há narrador do filme, se alguém vê o resultado num filme, na acção da câmara. verificam o que fixou, para onde olhou, se já morreu. filme parado é por ter morrido, morto, empurrado. nenhum plano para ocupar outro local com câmara para ser controlado. figuras dos outros em desenhos estreitos, gente magra, ocupa lugar na floresta, função reduzida à travessia da floresta duas vezes por dia, travessia organizada para controlo dos animais, humanos perdidos, estado das árvores, presença do que será cadáver dele, atacado por alguém, está gravado na câmara, virou-se de frente para a pessoa que o atacou, obscuro e desfocado do filme, mau estado, alguém quis arrancar o filme da máquina. enquanto alguém lhe mostrou as partes que esqueceu, as funções sem prática dele, motivos exteriores, marcas de molas. actividades com os mamos, abertura de cloacas com sumo, sucos, na borda da floresta entre cinzentos do outono quando passa em trabalho. de perto, de perto. quanto mais de perto, mais vê, filma, arquiva, aprova, sente o suco, os dedos não tocam, relembram, vocabulário próprio ao visto: despe-se, produz-se corpo nu instantâneo apto a mudar de idade, a reduzir-se ao entrado na cabeça, parte fixa sem actividade, parte teórica dele, escreve e aumenta o teórico, espera dele próprio um só acto: que o decifrem em linguagem, que escrevam o que ele vê, não fala, escreve para que mulher/furna leia aos poucos, tempo disponível, actividades silenciosas. onde nada se fecha por dia, nem janelas nem portas, diário sem portas para que circule dentro do apartamento, na rua, entre rua com fachada da usina, laboratório nas traseiras e lago com furnas, trabalho na floresta sem que olhe para mulheres com touca, algumas reconhecem-no, excesso de produção do desejo, transpiração, produção de sucos para que lhe vejam os olhos fecharem-se. por um só lugar não se conclui nada, nada sobre ele, nada sobre actividades e fórmulas de desejo, intervenções dele no quotidiano, no que foi feito, foi feito. foi feito filme, vista ocupou-se nas mudanças de cada dia, geografia a fazer por dia entre cores cinzentas, escreve nos outonos, num outono geografia que escolhe para o norte, mais para o norte, sítios a decifrar ou a escolher pelos nomes sem viver neles, helsínquia, arredores, faróis escurecem o geográfico com tonalidades azuis durante lusco-fusco. a que pertence, a que pertence. quem interroga, quem produz sensações entre quartos, paredes, vivência da câmara junto da vista sobre pessoas e com pessoas que lhe fazem o dia, ocupam as funções, distraído do mais corrente, do que é respirar, funções do habitado, membros funcionam para deslocações e pesos. órgãos misturam o que se agarra com o que se vê. para desaparecer depois com a pancada sobre a cabeça filmada pelo olho/câmara, filme visto pelos que puderam ver o terreno húmido, cinzento da atmosfera do mês, deslocações do corpo dele, empurrões, agressões, resistência dele, resiste pelo que altera. impostura dele, esconde o que interroga, a que pertence o corpo se nunca foi nada, nem guarda florestal, cresceu sem nada, sem crescimento do sensível, abandono ao mais interno, o mais ingénuo, infantilismo, crescimento do mais sequioso, falsificação do vivido pelo filme que viu/filmou. serviu-se dos azuis do lusco-fusco para tentar suicidar-se, veias cortadas, esforço para colocar a câmara ao mesmo tempo que desvia a vista desfocada, filmou para nada, desviou e não viu. usa do que o usa, des/gosto, guarda florestal com sons na cabeça, num corpo todo, no que é dele, naquilo que se desloca ao mesmo tempo, a massa dele, viu alguém que a idade o comia, carcomia, sintomas da idade vistos no corpo apesar de não ter +de 59anos. falsificações do diário, acusam-no de não querer viver parado. mulher furna espreme a touca dentro da água, mamos à superfície, bóias, ajudam o flutuar do corpo, da massa que tem para dormir entre os móveis que se fabricam para se colocarem no exíguo. falo para mim próprio, efeitos nocivos das vozes dentro do que sou, carapaça indica nervosismo, capacidade para fugir do que digo sem que me ouçam. quietos nas ruas de bruxelas, fixaram-se num sítio depois de passarem por outros noutras idades, conheço pelo que se reflecte em mim, absorvo o que se deseja, outros transmitem o que se deseja para dentro de mim por canais que se esgotam em tripas. pancadas dos pés no asfalto, pedras do passeio, sítios sobre terra e erva na floresta, voos, guarda florestal voa, voa, desloca-se com a palavra para mais longe, inverte os locais, muda de idade, mais velho, até ao insulto e mentira do que é, vive com a mulher das furnas, ocupa lugar chama-se trabalhador, engana-se com os sons e a produção, ares produzem barulhos, sons úteis para saber onde está, localiza-se pelos sons, precisa do que rebenta aos poucos perto dele, gritos de mulher nas furnas, excitação dos mamos, apalpões directos sobre as coxas, força nas mãos, nas pontas dos dedos, uso de focos/olhos, pernas e braços nos mesmos locais, automatismo, auto/ismo, aparelhagens para se esquecer de entrar no quiosque. esquecer-se de entrar no quiosque, num labirinto por ter corredor e quartos, placas de madeira fechadas servem de armários, não compra, não compra, repete que não compra a não ser água, cinza em sacos que despeja no lugar central do apartamento, o mais escuro da PAISAGO. nunca mais perder o fio condutor da cabeça, dos membros, membros fixam fio condutor, exprimem +do que ele, o que o leva de palavra a palavra, esquece-se dos anúncios que o põem noutro sítio onde rapariga espera que faça um gesto, não tem iniciativa. gestos demonstram que tem posse dele, rapariga possui-o, repete o que sente. prolonga a idade até ao emagrecimento, perde as papilas gustativas, sistema nervoso produz pressões no esófago, sistema fabricado pelo exterior onde se espalha por idades, viu-se nascer em bruxelas, mexer-se para se colocar ao lado da rapariga, coisa a chupar com trincadela e chupada, chupada. alguém o conduz para mais longe até falar, desterra-o, arranca-o das raízes, do lugar, objectos têm vários nomes pelo exterior da linguagem, chamam-se pela fonética, frigorífico, conduzem-se numa língua e não noutra, pertencem ao que se diz, colam-se objectos ao corpo social de que é feito, é só corpo social, guarda florestal com olhos câmara. retrato dele nunca visto por ninguém nem por ele, pertence ao filme introduzido por dia no projector, dose, análise daquilo de que se aproximou por dia, estatística, quantas vezes surge rapariga por dia na película, imagem igual, indica com o dedo sobre a projecção, aproxima-se com a própria câmara do que se projecta, filma a projecção, aumenta o número da mesma coisa, acumula a 24 imagens/segundo com o próprio foco os pontos do corpo da rapariga que tocou, toca de novo, não há diferença entre fotografia dela e toque nela, entre toques do momento e os que vê/projecta. multiplica-se por ser humano com dois olhos e câmara com filme, doses favoráveis ao cérebro. quem sou e que personagem fui, sou depois de ter escrito a idade, vertigem do stock em filme do que sou por dia, 24h de filme demoram 24h a projectar, projector acelera-lhe a projecção, pára sobre partes fixas da rapariga, tecidos cor/de/rosa sobre tronco a chupar. mexer com a câmara até ao fluxo, fosco, parte irremediável pouco visível, esquece-se de que tem câmara diante dos olhos para filmar e ver, qual das duas operações lhe pertence. cita o que lê, cita o que vê, vê-se citado num círculo igual ao circuito a ver, do filme para a vista da vista para o filme, do que (se) vê nasce o simultâneo, alimento do filme, fora com a mulher das furnas de 59anos como ele, dois sentados, lavam-se perto um do outro por dia, ele na loja/depósito, mulher/furna na rua. guarda olha com atenção forçada, esquece-se do que escreve. filme estranha as cores como ele, tonalidades a mais no filme, película estragada pelo tempo, guarda tem outono e outras estações, entra num outono para se dar ao rascunho com mulheres nas furnas. aproximou-se da rapariga pelo aparelho bocal, aparelho bocal exerce pressão com lábios, guarda vê de fora o que vê marcado a cores, filme lê a preto e branco, ele próprio o afirma e vê, por ver por dia conhece melhor do que eu, conta os anos pelos metros de filme, subordina-se ao existente, ao marcado sem acaso, câmara filma-lhe o que vê. anda para se cansar, próprio da idade ou da marcha, dos KM, dos quistos sobre a pele, surgem-lhe sinais da doença. olha fixado, câmara sobre a mulher dentro da água, aperta-lhe a ponta dos mamos, chupa a totalidade. mamo desaparece na boca da mulher furna. vê para que sinta o que escreve. distantes os dois para que sintam outras coisas, para que se afastem do sentido comum, diária na água para se distinguir dele. máquinas próprias, vê-se no mesmo filme por dia dentro do apartamento, pertence ao que lhe foi dirigido, divide-se em dois, o que lhe mostram dela e o que ela própria vê sem câmara, sem ser seguida, habitam lugares opostos, não se suportam um diante do outro, ela diante da câmara, mais da câmara do que dele, antes diante da câmara do que dele. desloca-se por dentro da loja fechada, a mesma idade, mesmo dia de nascimento. como se decifra o tempo, não bastam marcas sobre o corpo, perdas de calor, desidratação dos tecidos, perca dos músculos, confusão entre tesão e desistência. onde se situa o que vê para além de bruxelas, encosta-se ao muro, um muro, encosta-se na olhadela dos cinzentos, sem isto não vive, não filma, pára quando quer. confunde as profissões, entra por dia no emprego, copia os que já viu, afasta-se do que vê, tendência para o crime. objectos cortantes nas mãos tetanizadas, começa por dia o que vê, vê e filma, vê filmes, entra em salas onde obtém tranquilidade. encontra-se no urbano para sair do isolamento, gente das ruas não ouve. repete pela voz o que escreve, coloca o BIC para traços, nada de letras, antes rascunhos, bonecos, traços sem palavras, nenhum comércio com a escrita. nenhum comércio com o tempo, desloca-se para escrever, esconde-se, rapariga lê atrás dele a forma tumefacta da cabeça. a língua tem forma estreita e auto-chupada. pára. parou de andar, não fecha a câmara, segue-se um ruído de manivela, de corrente, de círculo, de chave, na cabeça dele, deitado sobre o sobrado. habita casa para onde olha a partir do passeio lado oposto. o que conhece interpreta-se entre ruas, olhares sobre fachadas do prédio para se reconhecer habitante do que olha durante o dia, por dia, olha o prédio para se fixar na arquitectura. compra jornais, os que lê, onde os lê, cafés, cervejarias, entorna o líquido da chávena, café na chávena, atraído pela memória para fora de bruxelas, sem descendência, não há ninguém depois dele, disse à mulher que confirma, não pariu nada dele, exibição do baixo ventre vazio, conhece-lhe os sintomas, os gestos mais familiares sem asco, nenhuma epistemologia dos sentimentos, não os tem, absorve-se num olhar a filmar, fixar por onde anda, locais e funções desde as profissionais às particulares, fazer comida, organização do reumatismo nas articulações, dores no esófago, controlos médicos. chegam de bicicleta os que trabalham na usina, laboratório nas traseiras. postes de electricidade de antes da guerra, lâmpadas cobertas por abat-jour, nunca mudados

Aucun commentaire: