lundi 27 mars 2017

Genuína Zona da Língua - Lüpertz / Território - Hotel am Zoo - Alberto Velho Nogueira, 1989 - Primeiras páginas

um certo, fixo, prepara os planos para que se vejam a partir daqui. magro e marcado pelo terreno e pelas culturas, imóvel. travessia feita a respirar lento depois de ter levantado do chão o saco enchido com pedaços de coisas. a cabeça ao alto. ir-se embora por pouco tempo, sair do recinto em que se encontrava, despejar o lixo por bocados. sentiu-lhe o cheiro infiltrado no próprio pescoço pela utilização dos olhos em vários planos demorados, o que lhe foi fácil. reteve o que tinha a reter, a demora equivalente a sentar-se no lugar do cinema. foram dois a entrar, com o calor do aquecimento e o inchar dos membros. com a rotação da cabeça nasceu o que interiorizou no meter-se dentro das latas, em todo o objecto que parecia embrulhado, latas polidas com as mãos todos os dias pela manhã; deu-me a fórmula para chegar depressa à fronteira polaca, ao sítio onde se põe a matéria dissolvente no café que lhe provoca um estreitar da garganta, asfixia do estado neutro instalado pelo escrever e estreitar da língua, a tinta que lhe escorregou pelo punho que se coloca ao lado da veia. estar a adormecer aos poucos na inclinação do tronco. fizeram um barulho de garfos e de qualquer outro objecto inoxidável, que já transportaram devagar da sala para outro sítio, as traseiras da casa onde guardam os bidões de cerveja. encostado à gelosia, caíram-lhe as primeiras gotas depois de ter entrado na sala, o calor, os chapéus-de-chuva abertos ao fundo. fizeram uma mesa com rodas nas extremidades das pernas para que pudessem desviá-la de cada vez que a quisessem utilizar noutro local da única divisão, um espaço pintado de branco para que as geografias proponham as mesmas fugas para outros lugares, mexer-se e virar de posição, desviar a coluna vertebral para a direcção poente. nada a dizer ao ponto de ter esquecido a língua, a mais duradoura permanência do que foi. escreveu por cima do que já estava desenhado a lápis. todo o material lhe serve para exercer o uso do tempo em quadrados pequenos, espaço escasso da casa em tiras, bocados de fazenda, tecido ordinário, desenho fraco do fabrico do tímpano. ouvir o que lhe entra à força por estar sentado na capital do brasil. estive na humidade enquanto durou, sem esforço, colado ao banco desviado do centro de bruxelas, o primeiro café que o fixa devagar à sonolência, ver o fio pendurado sobre as cabeças que atravessam a sala larga onde estão pendurados os restos de roupa a secar no interior do café, panos brancos sem cheiro, a única humidade infiltrada nas narinas, pedaços de chuva ou restos do que foi o molhar-se em água, recipiente quente colocado entre eu e a vista da cidade, tomada de ar junto do sablon, desde o sablon até à barrière de saint gilles. tiraram o bocado de tinta que lhe colaram ao corpo, isto no cotovelo e debaixo do sovaco, a pancada marcada sobre as costas e no começo da cabeça que se ocupa tardia no ver que a rolha salta com a pressão da garrafa ou pelos gestos dos que lhe pegaram. a quem? desde o intrometer das cordas pregou os pregos na caixa pequena, garrafa de coca-cola deitada, descrição do plano das obras e o que lhes foi dado ver no espreitar rápido para dentro do único sítio, entrada possível nas obras pelo que será depois uma das entradas da estação, desvio raro da atenção daquele plano para outro, confusão entre dois sítios, cidades de tamanho e população diferentes. estive desviado da casa e fugido durante algum tempo que se consulta pelo relógio, escondido por temperamento e desejar passar-me para a fronteira polaca ou berlin, ao falar, ao exprimir-se diante das câmaras, frasco de iogurte, um líquido e deslize, ao aperceber-me de que se trata com as pessoas na mesma língua, defeito do desequilíbrio entre a permanência e gestos largos, os quotidianos que se mantêm lisos. viu com cuidado como encher a banheira, o ralo tapado com gesso e os vestígios existentes e saídos do corpo. teve e estive à procura do caderno onde escreve os defeitos do comportamento e da língua, do uso do caderno, as estampas desmedidas, partir do vaso ou biscoito em duas partes, mistura do sabão com o postal. que há quantos anos fugiu de düsseldorf durante a correria, a distância aguda de se ter perdido a ouvir Lydia Lunch ou Nick Cave, a placa na qual marcava o eu em produto corrosivo. caíu com a porção de corda, a cassette dentro do bolso, o registo de ter encontrado o que era fragmento, mancha de pano cosido ao cotovelo, artrite desigual ao acaso e à entrada do metro M. beberam a garrafa de vinho sem rótulo, caíu e deslocou-se para debaixo do VW, o tubo e beterraba, as culturas em desarranjo para depois olhar e verificar a dificuldade em abandonar o território, os sapatos usados, solas gastas, as dobras das calças, fixar-se lúbrico nas diferenças de idade, no que estala à primeira vista e se desdobra num toldo, colher, talheres tirados do saco, à disposição de quem quiser comer, um acaso que se prolonga, o aparelho que tem um chuveiro, crivo, a secura dentro por ter servido a porção de bacalhau pescado exposto diante e sobre a tábua, as proporções alteradas pela secura, pelo ter engolido as águas. com a exposição ao sol viu o interior subir à tona, o corpo do peixe deitar-se de lado, cair em escrita podre. o que estala entre mãos, algodão e anúncio fixo luminoso, falar esponja quando tossi. espreitei para debaixo da mesa, espreito ainda, perco o tempo de ver o rolo de feltro, o fundo de cartão da caixa furou-se durante o transporte, sinto a semente de mostarda presa ao gargalo. estafou-se com a correria e com o som derivado da fotógrafa, zeena, cuja fotografia se esvai com os anos desde que desaguou o rio pelo lado de, da inscrição escrita lateral que indica a presença da impressão que não abandona a cabeça, cada sentir fixado em rodelas, circunferências derivadas da expansão de cada segundo que lhe desdobram o tempo, as frases coladas com o dia sábado, o tambor, objectos que lhe ocultam a vista, o embrulham em sítio desconhecido ou outra hora, a que mais se aproxima da noite. pedaço de jornal, efeito de escrever o que se inscreve dentro da rodela. do que está oco e nada sentir do que é ressentimento, o escuro do crepúsculo, a ida a amsterdão na semana seguinte, ouvir as águas dos canais, fixarem-se os objectos nas ruas, colocar-se dentro do transporte em comum de amsterdam. quiseram ver mexer a caixa noutros sítios e noutras horas. até à fome por entre os vestidos e camisas que trazem vestidos, terem um risco no cabelo. cara com carimbos nos quais se vê o líquido embebido, apesar de julgar destruir o que já foi filtrado pela memória e pelo tempo. ocupa-se a ler os jornais, distracção e afastamento do mais perigoso para a cabeça, separar-se dos elementos que lhe marcavam o tempo, duração e repressão sobre o desejo. verifica o uso da gasolina, a qualidade da tinta para desenhar o que está escrito no papel, transportar para a fronteira os ambientes próximos da rua de bruxelas, o resíduo que agarrou aos aparelhos o suor, gesso atado por arame ao quebrar do joelho pela força que perdeu quando deu pela modificação dum único tempo que lhe chegou, que o cercou, que o separa do que é estar para trás, não recuar dentro do hotel, afastar-se da falta de ar, esquecer-se da idade que tem, resolver o que lhe resta a despir. atravessou o rio que encontra depois de atravessar a fronteira, lugar com água suficiente para lhe crescer a sede em humidade, colar-se à roupa o número de indicações que lhe faltam para se orientar no novo lugar, a lista a partir do que ele conhece do alemão ou do polaco ou do yiddish, a situação apátrida mais conveniente para ficar isolado e forçado a mover-se depois da morte da mãe, embora lhe tenham dado o mesmo sobretudo. a chegada do frio depende do mês de novembro, do mês em que estamos, da memória e da infiltração do rastejar em casa, memória que me enche em fatias, as que se mostram e voltam com o olhar para fotografias que espalhou sobre o tapete, em que rua estava pendurado à janela? mediu o que tinha a medir, por aqui não vou inclinado a nada, não me apercebo do que está escrito no uso do chapéu e que outras coisas há ainda por ver desde que despejou os bolsos do que tinha para o canal diante da casa que lhe serviu de hotel, noite estreita entre o ácido de sapato engraxado e argolas de metal, as que zeena tinha nas orelhas. pouco a pouco a distância. aglomerou as folhas que já estavam escritas e quis, antes de chegar ao sítio indicado no mapa, deitar-se ao comprido sobre o que havia de passeio, a camada estreita de poeira ou princípio de chuva, aquilo neutro e sem significado. esfrega as mãos aos bocados entre tiras e solavancos. está inclinado para o chão, olhar fixado num objecto que identifica como rótulo de garrafa, perder o tempo e inclinar-se para o chão, aquilo que está para cima do joelho escapa-lhe durante o dia, uns barulhos gastos nas acções mais vulgares: encher a caneta no tinteiro, pelo tinteiro, fechar o bocal entre cachos, a velhice e outros modos de dobrar as costas, de fazer diminuir o peso do corpo, repugnância de se ter de pé. levantou-se sem ainda conseguir pôr-se de pé na exacta vertical, enquanto a matéria mais mole lhe escapa entre dedos, um algodo macio, igual ao metal oxigenado que desaparece como éter, tirar-lhe a cápsula aos poucos e com o abre-garrafas. se tiverem que sair para onde? amsterdam diante e diferente da fronteira polaca, daqui não sai com facilidade, a organização da estadia não lho permite. deslocação através do muro, por entre muros, daqui em diante só há árvores do lado esquerdo, a casa está longe. fizeram outra construção à espera dos que deviam morar nos andares perto do canal, a terra beterraba, respiração da humidade durante a madrugada, um bafo que lhe entra pelo nariz, pelos buracos, saídas para o exterior. põe o chapéu, dispôs dos rótulos que tem, deslocou a cadeira para outro lugar, aquece o quarto com o calor das chapas, espera que alguém apareça não sei donde nem por que tempo. a destruição aos poucos de toda a memória acompanhada pela destruição da geografia, de todo o paisago, holiday inn, desde a entrada. escondeu a cara e falando baixo desviou a atenção dos que estavam repartidos pelo salão a falar devagar. alguém lhe respondeu devagar com o mesmo batimento e ausência de vontade, lembrar-se das pessoas que lhe trouxeram a memória até reconstruir a realidade com os montículos de coisas, a presença de objectos rasgados e outros panos com que se veste para dizer que houve, que há, um tempo, e durante a indiferença de levar a roupa suja à lavandaria, beautiful laundrette, os fenómenos que se aproximam dele com o delírio constante e ópio, perto do hotel e entre cais, estar lento no identificar a distância entre dormir e fixar-se noutro sítio depois de ter passado vinte anos em bruxelas aos poucos e em grãos, diante de administrações, repressões organizadas em silêncios e na brutalidade para eliminarem os que destroem por existirem noutro vocabulário e no diminuir dos volumes das vozes. entre a casa e o emprego que lhe dá para viver, o dinheiro ganho sem utilizar o sítio onde habita nem as consequências de estar noutro sítio, o que lhe resta é elaborar as coisas de acordo com a construção das casas, arquitecturas e desenhos fora de bruxelas, bauhaus e modern style ausentes, ruas sem automatismos e aromas indicadores, buracos encontrados nas ruas, passeios com bicicletas, ruídos que lhe desviam a memória para o esquecido, a ferida profunda. resvala. sem comer engole à margem com os dedos, que razão tem para se despir quando fica fechado no quarto habituado às maneiras disformes de se estar quieto e sentado na cadeira, já o disse, durante dias, dadas as explicações do desviar das funções do dia, e sentar-se depois de vestido. nada de ficar submerso pela atitude em frente do telefone, as ranhuras das madeiras que fazem parte do chão, dividir o tempo vivido em duas partes, a que está ligada ao outro país que se apaga em tiras. permanência não adequada ao que fica ao mesmo tempo que o corpo é levado. não apaga o que lhe foi dado pelo exterior e quase não captado, frases organizadas a partir do francês ou doutra língua, guiar-se pelo estilo, pela escrita imediata, por um só traço. cortar o que é dito do que não é. criar critérios, forçado a seleccionar os termos e a insuficiência deles, termos iguais ou mais próximos da estupidez sensível, mexer-se, ter corpo e saber mexê-lo. a cabeça diz-lhe aos poucos o que tem de fazer, levada por camada sensível: perdeu a ligação com a sociedade, perdeu o lugar na administração, aquele que lhe envolveu os dias durante a estadia diante das coisas. objectos opacos, saídas e entradas, utilizações de telefones, olhos e vias de comunicação ingratas. descreve-se, vive do que falta, do que faltou, do exíguo, do estreito. cada vez que mede o cérebro o sensível aparece mais estreito, engolido. o filme e isto desfeito, os algarismos e o cálculo, a extra demora na organização do quotidiano que se refaz. fixação num ponto, eu inclinado a retroceder, criar e fugir sem outra relação com a administração. introduziu um defeito no comportamento que lhe desse margem para sair do repetido sem sentir os dias, que os dias fossem sem desolação, tempo e duração, naquilo e nisto. ver-se ainda ocupado pelo que esmagou, pelo que já nem pertence à memória e se reflecte nas manias até à deterioração. utilizou este processo de dizer as frases, disse-me ele, este modo de julgar o limite das palavras, sons das falas no escrito, do que se escreve da escrita, do que não está dito, não se aproveitar das palavras da língua lenta. sente-lhe as faltas, os desvios que a alteram, só lhe fica o percurso, o lugar e a deslocação. ir-se embora cada dia e dentro dos dias. encolhimento, percurso desafectado e posto à margem em equívocos, a multiplicação de esforços, teimosias. sem que se estabeleça o equilíbrio entre o que se diz e o que se fixa, o que escapa. nada disto é igual ao que vive nem ao que se usa da língua. estar fixado por falta de dinheiro, ligação pelo trabalho, única relação ao sítio, à geografia e às pessoas, ao percurso e vias, constante climática, esforço do corpo para se adaptar ao que o cerca, devagar, alergias diversas, contactos com isto, estar no interior da casa antes de ter decidido fugir para a polónia? galícia? um sítio ignorado e com canais. à procura da cocaína comprada no café, se for necessário imaginar ou construir a outra cidade, bastou-lhe destruir os objectos de miséria que se desfazem com o uso. que não representassem fosse o que fosse, fosse o que fosse. ficou decidido que nunca mais trabalharia a degradação mental e paga por outros durante o tempo que lhe atribuem para se alimentar pelas regras da distribuição dos bens entre os que manipulam a fala, experiência acústica no levar da mão à testa e encontrar o desequilíbrio inteiro dado aos que se levantam depressa, sem expressão de aborrecimento, instalação nos hábitos, o mal estar fixado entre as unhas, nas camadas mais estreitas do corpo. esperou o dia até ao anoitecer, as árvores deram sinal do começo do inverno pelo peso, vibrações da humidade, as formas das paisagens enquadradas pelas janelas. único sítio aberto para o exterior, fora a dificuldade de respirar, de sair do escritório com a música colada a ele; disse ele. destapou o frasco até entalá-lo entre as pernas, desviá-lo para dentro e ficar à espera do que foi esperado, embaciar das paredes húmidas do frasco, a rolha na mão, comportamento isolado, fabricação dos objectos que não serão comidos, o custo deles, acelerar a rapidez da destruição dos que guardou. com uma pá transportou-os para longe, entre estacas. não havia mais nada nem vegetação, o que resta das chuvas, da erosão em aluvião, o todo repartido entre colheres que se deitam fora depois do uso que fizeram no interior das casas, entregues ao lixo, entre estrago. puseram-lhe um bibe do tamanho mais estreito, mais estreito, nada à sua medida, os botões não se fecham nas costas, os sovacos ficam de fora. utilizar a língua e as paredes da boca, utilizar as camadas mais profundas e mais aéreas, o mais vasto e pouco sério para lhe passar a música desdobrada, nem há música inteira capaz de sair do que o john cage achou, o desenvolvimento que lhe deu de próprio e de propósito. não se agarrou à espera, zeena e sem fala, que lhe sugava o intestino, uso de café, disse ele. ter-lhe dito o que tinha a dizer de repente, as explicações, julga ele, disse ele, antes de passar as noites sem dormir, caindo durante o dia, hoje, de sono, os pés colocados à mesma altura da cabeça. esquecer-se de deitar água nas plantas, desviar as operações do quotidiano para nunca mais tornar a fazê-las diante dos outros. frases e repetições do vocabulário, a escrita já realizada as letras palavras tiques limitações as asperezas internas são aparelhos, resta apanhar o que foi espalhado e solto, junto e amolgado pelos anos, a confusão da língua, de línguas que são sintomas de repetição. deitaram-lhe a água fora, todo o desvio da cabeça, memória para escolher o que mais queria, descobrir a sala de projecção escura, encostado à cadeira morna e daí em diante ter pensado escolher o sítio perto do café e junto da fronteira polaca, o mais perto e no interior da fronteira polaca, habituado aos poucos a ir para o sítio imaginado. fez e disse uma viagem à urss, com que dinheiro? ela, eu não, nunca daqui saí, de garrafa na mão, uma sede crescente, espalhar do calor, bebida engolida! pressa que lhe escorrega pelo interior, o distrai para fora do corpo. trouxe a memória em plano inclinado, perca de tudo o que o atrai. meteu-se num buraco, viu-se numa localidade perto da fronteira polaca, mentira e mentira, organização da mentira. colou o selo à carta defronte dos correios, já na polónia ou na alemanha, data incerta, espaço incerto, geografia errada, aproximou-se do tinteiro, escreveu uma morada, localização escolhida num papel imprimido a tinta azul. diante de tanta porcaria, onde fazer passar as bobinas, o filme que o trouxe carregado de malas, cinco bobinas que representam um filme completo em 16mm sobre o estado dos prédios da rua onde alugou um apartamento, bairro ou zona conhecida por ter sido habitada por zeena e outra gente desfavorecida, miseráveis, as fachadas abertas, escadas sujas, as portas abertas, não há nada para roubar, janelas por pintar infiltradas pela humidade, aquecimento a gás. exígua agitação a cores, rede onde coloca o jornal, as roupas próximas a vestir, caixa de alumínio, frequente ácido. procura o café onde se fuma, perto de quê? pedaços de giz, calmaria, encontro perto do balcão construído em madeira, sifões de porcelana, materiais que ainda conhece desde a fonte de produção, o transporte, o fabrico, cerveja que escorre medida em litros. rodeou os objectos e que nome têm? de feltros para os tornar invisíveis ou insonoros ou de contornos mal definidos, não os vê ao mesmo tempo, mudar de posição desde que se desloca para fora da localidade, bruxelas ou acaso ópio, fumaria deitada e molhada, entre lábios, os clientes sem fala. verificar o aparelho que trazia, magnetoscópio, ver-se situado na sala filmada desde que arrumou a bicicleta e entrou, entra, no café. tudo escrito sobre um papel, desapertou o cinto, comeu o que ficou de véspera e ainda de véspera, nada que tenha preparado desde que começou o mês até ao destapar do iogurte ou queijo fresco, a gordura inferior a metade, depois de ter verificado estar dentro do apartamento. começou a decorá-lo com os livros que tinha trazido do apartamento de bruxelas, a janela sem tinta, infiltrações de água. aqui o excedente esvazia-se nele, eu, na espera de encontrar o mais necessário ao movimento com a ideia fixa de pertencer à companhia da pina bausch, comer ervilhas, beber cerveja com fermento com a colheita de gotas de água da mão, encostado ao balcão da loja governada por um velho negociante de peles da galícia. tem banheira, casa de banho com janela para a rua, paredes pouco lisas: necessário pintá-las de branco, não precisa de consultar o senhorio, nunca o viu. escolheu dirigir-se à entrada da loja, junto dos sacos de serapilheira onde olhou para o arroz, açúcar, reflexo de se ver mamar, abandonar a costa perto do mar, percorrer a rua onde se alojou com o que queria dentro das paredes da casa, pôs o reflexo motor a funcionar, despiu o que tinha vestido e, apoiado no braço esquerdo, mexeu-se para afastar um pouco a humidade dos canos, a camada húmida sobre os canos, o estalar dos ossos dentro da divisão estreita. calculou o espaço mais adequado para dormir, inclinou-se para o lado menos desenvolvido e mais disfarçado, um lado desconhecido que o acompanha desolado e sem conhecer que está dentro dele, o consciente já dividido à superfície e acompanhado pelo outro, agarrado ao que lhe transmitiram sem que se apercebesse, quando saíu do centro onde nasceu para ele próprio, rio nabão. juntou os utensílios todos num canto da divisão, meteu a colher no bocal e, de bocal a bocal, transportou o que tem a ver com a comida para o que tem a ver com o estômago. enfiou a deglutir na boca com os maxilares, repetiu sem se lembrar da última vez que comeu o que significa alimentar-se a frio e de matéria escorregadia, quase doce. ter a mão dentro do saco e sono, a ideia de ver o canal mesmo se não tem vontade, estar só dar-lhe-ia melhor equilíbrio, melhor modo de passar o tempo sem sair de casa, casa (lugar de conservação e de empreendimento), constituição de matéria já morta cuja actividade se inscreve no institucional, simplificação do que é complicado e já não interessa os que se dão à simplificação para a economia do dizer e do fazer inerte, o mais não se vê, esconde-se atrás das pessoas e das actividades. aqui se estabelece a vontade e o desejo mais vasto, a cabeça sem fixação, distante e precária, a frequência das ruas iguais, desconhecimento da geografia local, mais perto do apartamento e das divisões, deslocação do quotidiano. empurrar o automóvel, nome antigo sem usar falar e utilizar um outro, carro é insignificante mesmo para o que emana e o atrai na gasolina, nas portas cujas dobradiças estão cobertas de óleo, a contra-luz do que ficou ao frio, o vapor saído das narinas, a respiração e um pacote de batatas fritas na mão durante a espera e o encontro com o sítio desolado, penetração das cores saídas do fluorescente, outras lâmpadas de cores, restos de papéis, gerador e lixo. usos já consumidos por alguém, outros à espreita diante das vitrines, uma tv, questão de trabalho, de se ver construir doutra forma, ver-se por dentro e de várias placas, tubo catatónico, expressão parada junto ao vidro. consultou os níveis de produção do azeite em itália, quis ir até milão para confundir o gosto com o desgosto, frequência de dados novos, não arreigado a nada, a mulheres, as que lhe constituem a memória e perto do corpo e sem outra função do que sentar-se no mesmo sítio, fazer descer o nível da água, verificar as comportas, olhar em frente, o que hidraulicamente

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