mardi 28 mars 2017

Baldes - Restos - Alberto Velho Nogueira, 2001 - Primeiros textos

o que se vê está sobre a mesa coberta por lençol sobre a qual produzem actividade, sítio da existência de dois, umA e um a três quartos da câmara dirigida para a parede ao fundo, fotografias de mulheres, pacotes sobre a estante, escadote à direita, pés nas alpercatas, camisas e calças penduradas, fichas fios eléctricos, instalações estragam-se, não se vê a entrada nem a parede do lado esquerdo sem o que lhes marca a vista, a falsificação,
latas têm nomes comerciais, no lado direito a cama de 90cm de largura, cabeceira colada à parede do fundo, toalhas, objectos debaixo da cama, sítios incubados, alguém frequenta a zona defecta,

conduzem-no no meio de dois, não riem, conduzido apresenta sinais de desequilíbrio, os que o transportam arrastam-no, de tronco nu, entram no corredor, contador de electricidade, paredes escorrem gordura, porta tem cor, não se determina qual, cabide pregado à parede direita acima das cabeças dos três homens, dois sóbrios apresentam traços de fraqueza, não só magreza, braços finos, a idade na camisa entre a língua e a coisa, o curioso, a vingança,
o que se destapa da boina curva-se, é curvatura, índice do que bebeu junto da parede, do que se esfrega no braço,
têm volumes para dentro,



2
na banheira, cabeça fora da água, indicador da mão direita no lado esquerdo da bolca, esboça riso sem barulho, dentes incisivos afastados, cabelo curto,
(aqui descreve-se),
ouve alguém,
parede da casa de banho, ângulo curto, perto da cabeça daquele que ajudaram, surro nos limites entre as duas paredes visíveis e a banheira,
o resto atrás do Earl Howard, nenhuma bolsa, um fígado dependente, a força do menisco, a interferência do estômago, a marca do electrónico,

dorme sobre canapé, camisa vestida, braço esquerdo sobre a cabeça, despenteado, três fotografias dum outro na parede da direita, caretas, cara duma, quarenta a quarenta e cinco anos, identificada pelo que chora, a lágrima não é tema, é líquido, papel de flores vermelhas e grenás forra a parede, deixa ¼ descoberto, papel rasgado, pressupõe-se o quarto mobilado, outra fotografia dum cantor anos 50 sobre a parede ao fundo em relação à câmara, ao que se apanha,
insiste percorre, sopra sobre a superfície fotografada, a marca da camisa que retira para ser dureza,



recitador de textos, anúncios colados às paredes servem de papel de parede, instala o material próprio, escapa à fotografia, enrola o jornal à volta das pernas, embebeda-se, rapa a cabeça, nu no quarto se sozinho, aglutina-se outra vez,
perde o impróprio,
agita o bocal, forma-se o fumo, dá-se à garganta que sorve o líquido, outro, virado de costas a forma arqueada, antropologia da curva que emagrece para ver-se ocupado por trás, a sodomia escrita,

duas mulheres de pé, 52 anos, óculos de motociclista sobre os olhos, instrumentos agrícolas para bater cereais, cortá-los, nenhuma farda, vestidos do uso vulgar, camadas sobre camadas por causa do frio, justificação cerebral da roupa, mulheres têm pouco delas à vista, servem-se do olho para ver o panorâmico, dirigem-no para dentro das roupas que protegem do estrume, botas exprimem carácter,
ao domingo enxertam-se, desnudam-se, enfiam-SE nos aparelhos que os agrícolas decidem, homens limpam-nas do feno, não lhes retiram os óculos de motociclista, celulite abana, não distinguem o agrícola do animal,



duas idades duas mulheres ligadas por laços guitas casacos idênticos, barretes nas cabeças, mãos com luvas, a geografia adapta-se ao crescimento das varizes,

numa arrecadação, lugar sem parte iluminada, muro ou parede da casa,
a monstruosidade da bolca mede-se com o que procuram, com o que está dentro, agarram a língua, as línguas, plurais, as duas presas, línguas atadas conhecem a recusa do termómetro,

assina os papéis, escreve segundo as horas do relógio, o último respirar da fixada na cama pela condição de morta, estreita por estar estendida, cama coberta por lençol, a janela com pano, restos da humidade,
criança fixa a escrita, o desenho das letras, tem-lhes o significado na cabeça, mulher levanta a mão esquerda à cabeça, encosta a testa ao armário onde garrafas abanam com o estremecimento, bolsa do homem escreve expele bílis, sacode a frequência do choque que lhe sobra no beiço, estrutura de pé conforme o escuro, o que resta de superfície a cultivar de beterraba, couves impostas pela vulva morta,



com apetrechos, peças separadas dos automóveis, 2 crianças num jogo de guerra na frente da arquitecturaindustrial preservam a parte escura da usina, sombra para jogo, sentem as botas, mãos tocam a terra, utensílios tubo de escape panelas de pressão, não identificam os objectos corridos a pontapé, fixam-se para a exclamação, as casquettes sobre as cabeças, têm-nas iguais aos poros,

entrou para a cerimónia dentro de casa, alguns conservam-se religiosos com o estado da idosa, cabeças inclinadas para a toalha da mesa, o padre em casa, pediram missa junto do aparelho de rádio, mulheres têm lenços atados à cabeça, casacos apesar de estarem dentro, objectos pessoais por perto, ligam-se ao quotidiano que não sai de casa, trabalhos acabados, juntam-se em frente da mesa, trabalharam sem saberem para quê, incharam com comida,
sala com crianças diante da tv, aparelho a preto e branco, um adulto entre elas de cigarro na mão, fumo na sala com rendas, panos tapam as paredes, emblemas, cinzeiro, atenção das crianças sobre o filme, nada que se veja daqui, resultado do espanto em frente do que não se conhece, não conhecem o que se lhes mostra, não hão-de conhecer a transmissão, o transmitido,
que se confunda o ar com o mosto, com o fumo, com a velocidade do filme enquanto dura a missa para a doente na cama, exausta,



sobre relva, época outunal, cerveja enquanto descansam, casquettes nas cabeças, equipamento de treino de qualquer função, pertencem ao social, desenvolvem a actividade de terem meia idade, nenhum idoso em casa diante do padre, paragem, interrogam-se sobre o esforço, nenhuma atitude, alguma coisa interrompida, rasgada,
olho do que predomina na chefia, homens depois do trabalho, costas curvas, questão de sede susto e medo no castanho, no preto, na lã, casquettes viseiras, foram jóqueis,

sobre almofada no terreno húmido, saíu da prisão, come ou trinca relva, atrapalha-se com a respiração, morde morde morde indica uma data, refere-se ao escândalo nele próprio, coisa indescritível do íntimo, esconde a cabeça como parte principal, gatos olham para os centros-olhos humanos, fixam a identidade, como ele fixa as marcas nos braços, tatuagens, impressões diárias, tintura da carne, pintura própria, aguarelo pinga,



dois cães, homem e mulher idosos, volume deles, contacto entre animais resumem gestos a isto, afagos, línguas para fora dos animais não humanos, dois vestidos com material idoso, camisolas de malha, faltam botões, olham o que os olha, desviam a vista para o fechado na única divisão quarto cama cozinha sala parede muro cama cadeira dois animais cães mesa coberta com restos comidos pelos quatro, comem do mesmo prato dão-se de comer, os mais ágeis procuram a mastigação, cães lambem-se, viram-se para Leste, não adormecem,

decote mamas, veio gordo entre elas onde esfrega a caralhla, desabotoa botões da ganga, tem mamilos aproximados dos dentes, trinca engole chupa, infantil, aprendizagem pela fome,

cheiro a óleo dos aparelhos rurais, na periferia de Bruxelas com mulher de rego gordo, descanso da actividade do idoso, não há fornica, batimento dos aparelhos agitam a caralhla, a ponta das mamas até ao molhar do interior vagino, mulher exalta-se com a vibração do motor, esfrega mamilo na parede, mija, forma líquido com nome, tem rio e dentes, aperta-o até ao estrangulamento, asfixia-lho, gangrena despega-o, cães engolem-no,



8
plano cortado, ao alto a estrada, saco estendido no chão, caído do ombro dum estatelado na berma, punho da camisa de fora, botão aberto, punho desdobrado, panos saem do saco, fruta, comida, estrada de terra batida, tronco das árvores secas ligadas ao terreno no qual homem dorme, parado pela bebida, cheiros embutidos de merda, estrume, nenhuma sinalização do terreno, local interior, dia do ano 1998,

dois humanos dançam presos, vigiados por dois três homens, mesas cobertas de plástico, botas nos pés com meias, chaminé do aquecimento a carvão, as mãos secam, dirigem-se para a direcção oposta à dos três homens, insistem na vigia, controlo, mãos nos bolsos apertam a caralhla por dentro, olhar fixo, medo nisto, transtorno,

exagero no fixar da mais velha do que ele, saliência debaixo do casaco, barriga da mulher pronta à esfrega com óleo de rícino,
alguém a lambe,



actividade dos que detêm o aparelho aberto, luz pouco intensa, filme estragado, passagem de cabeças, câmaras apanham as cabeças, há gente pela aproximação das feições à vista, as cores com sombras, barba, aumento dos anos de cada filmado,
estendem as pernas, forçados a ver o aparelho tv no ponto fulcral da divisão, garrafa sobre a mesa, cadeiras, sapatos de couro nele, baskets nela, idosa,
descontrolo do mais inerte, ela condensa o desastre no braço muscular, na testa larga, mancha na testa marca do arranjo mental,

ajudam-no a sair de casa, percorre o lugar com desatenção, pertence ao sítio, conhece-o pelos olhos como pelas pernas por ter andado kms, atravessa o lugar desde que nasceu, gasta os sapatos nisto, fala com os que o ajudam, chapéu sobre a cabeça determina a função, encontram-se nuns lugares marcados, não há outros com muro ou parede com sombra, janela de dupla vidraça, canos de esgoto, pescoço curvo,



10 
respiração, o escadote na mão, saída de emergência, máscara de gás na cara, os de fora riem, presenciam a falta de meios, a respiração Lager ofegante, os que respiram participam de máscara, as roupas atadas, abotoados enchidos cobrem-se com a pele dos testículos, dos intestinos, mãos cobertas, preparam-se para o alerta à explosão, inscrevem-se no esforço, alguém se esforça, se torce,

cadeiras alinhadas em situação favorável à vista, sala de espectáculos para receber os que respiram, protecções sociais, espectadores ao fundo, timidez enviou-os para o fundo da sala, fala o que se aproxima dos vivos, respira com ajuda exterior, hálitos, na mão os mamos, espirro do que manipula a rapariga, abriu-lhe os botões, foge do local para o exterior frio, passagem da vista ao mesmo tempo que respira, engole a saliva, contraste entre o líquido dele pelas pernas abaixo e a temperatura do exterior, pessoal administrativo ao fundo enquanto tomam nota dos presentes pelo nome enunciado diante da câmara, alguém filma, o resultado vê-se sem mim,
deixaram a rapariga sobre a mesa, controlador guardou a caneta, marcou as idades pelo exterior, usa dos objectos, caneta cadeira papel carimbo administrativo, retinas paradas nos mamos, cortina fechada, meteu-lhe as mãos pelas pernas, uma delas acabou-se,



11 
inclinam a fotografia, falta de certeza no que se destila do olho, a camisola forma-se para dentro do indivíduo, para o dentro de mais, espalha-se junto das tiras que envolvem a coluna de pedra,
fizeram as coisas, arquitecturas com pesos e cimento, o envólucro, a decisão, traçaram caminho, acto, imaginou-se-te o que percorres,

carris entram na usina, fábricas com o ponto de vista na chaminé, sítio mais alto, correria dos fumos, intox dos que respiram, outros calam-se no cinzlento, caem as partes mortas sobre os vidros, retêm o que há nos pulmões, asfixiam ao longo do muro, a parede que os empareda,
estilhaços medida do barulho, homem precipita-se para fora dele, para outro comportamento que aflija, gente morta dentro,
fora dele, acidente espalha a cor, amostra do que esvazia, esvazia,
lê-se em surdina interna ou não se lê por ver-se abatido à bomba, a parede furada, estrago nas placas verticais, nele próprio vertical, um veio onde se assegura e balança, cai em gotas, pinga, desloca-se com a mão, sem mão sem memória não sente o peso, susto com estrondo percorre a elasticidade, a bomba perto do nariz, diante do que serve para ver, na vista a própria cara, se se vê não se evita,
caliça, propriedades do edifício construído para resistir à humidade, ele, anónimo, é cola para muro,



12 
pedem-lhe movimento ginástico na direcção da parede, que deixe em fatias o íntimo para passar a parede, o desastre nele, não nos materiais, no que executa em câmara lenta, passos seguidos pelo cão, outro animal com faro como ele,
inspiração lenta do ar conta os litros em períodos cardíacos, em amostras do que se vive, vive-se nisto,
um gancho espetado na cabeça, uma corda, um movimento, a vertical a fio de prumo, artérias e comestíveis, aparelho quebra-nozes,
estendem protecções contra invasões de napas de petróleo, por aqui se separam do leve, carregam com o dia a parte azeviche da cor, a fibra tem veios na garganta, profundidade na voz,
confunde-se o resultado do raio X com o traço, com a história do terreno,
casas esboroam-se perto do declive, da margem entre gente, pedaços do que habitam conforme o uso, a representação das caras dos descalços, os que atiram pedras contra os telhados, o clima ingrato no nódulo que têm nas fibras, no que apita,
estacionam automóveis, abandonam os conteúdos das latas, as malas sobre os assentos, fazem nódoas de chocolate, nódoas nódoas, o envelhecimento cutâneo,
a brecha com o tremer da terra visível onde se põe o queixo, bolca aperta o que lhe entra,



13 
confusão na construção das casas, telhados marcam origens num ponto inóspito, o fora disto, da vista, das letras conhecidas do alfabeto, percorrem-se os ares com jactos, farinhas, objectos deixam rasto, organizam o respirar com atenção, uma sôfrega entre fios telefónicos, borrascas,
nuvens trazidas por ventos ondulam por cima da cabeça colocada na Estónia, momento planificado à entrada do lugar, reserva para estacionamento de camiões, para a descarga deles, uns tantos de cabeça atada para segurarem os nervos, lugar da excitação, um só ponto inseguro,

há quem habite sem tontura com os quatro membros acima do nível do mar, no ascensor, entre cabos e portas de vidro, num poder de elevação que corresponde à ausência de pressão, à navegação nocturna com olhos ultravioletas, coisa vulgar o que todos têm,
por cima da cama uma colcha, objectos de passagem de quem teve buracos com líquidos, a paragem da respiração, o que respira treme,



14 
chapa batida por água, navegação do que se agarra aos cabos, balaustrada, inclinação dum local por onde escorregam até segurarem-se às cordas, na extensão do barulho, na ineficácia do enlatado na parte minúscula onde escovam, onde enterram a cárnia, o que será depositado,
troça do cinzlento, da massa, humano pressente a gesticulação, gelatina abana sem cortar por faca o que não se transporta, equilíbrio medíocre, vaga engolida enche a bexiga, batem as águas cujo sal é examinado dentro da bouca,
equipamento: bóia, papagaio de papel, alavanca, poro, transparência, um rectângulo,

alargam o buraco na operação para verem a constituição inferior à joelha, no alto da cabeça um vozear parado, introduziram a máquina, o oleoduto expõe a pasta, membrana inclina-se para reduzir o golpe à frequência do abano do que estremece com a vibração do cais por onde passa o canal,
adormece com o sôfrego, mancha sustenta a testa, a mão inclina-lhe a vista para as partes que recebem a chapa torcida,
cospe, dispõe-se paralelo ao cais na curva da placa torcida, é medido pela falta de terra,



15 
dos quietos o que tem maior cabeça, pesadelo externo, osso para cortar o ar, quilha, nódulo do menos experiente, a fraqueza liga-se ao braço sem musculatura,
não descrevo, nem isto é lugar económico, medida do neutro com peso, estou adequado ao escuro, ao inclinar do pulmão para executar receita de cozinha,
letreiro: "fresh live eels daily"
quanto estar apodrece, sinto-me o cheiro,

aproxima-se fixa com grânulos a força de cada estremecimento, auto-estrada aberta para se enterrarem os dois que morreram no local, escolheram a geografia por testamento, indicação administrativa, vistos sob um montículo de terra, sinais exteriores do que foram,
colocam objectos de consumo próprio aos vivos, em cima do terreno um biberon, bocados de vidro da janela, emblema do sporting de anderlecht,

paródia da cabeça pintada face e orelhas, pescoço endurecido pela tinta seca virada a pasta, acabou-se um tempo, criaram outro sem impressões na garganta, sem comédia nas ruas, papagaios de papel, ninguém olha para trás o rasto, o cheiro de mulher sobre o colchão, cabeça sobre o travesseiro que o trouxe debaixo do braço, confusão entre tatuagem e flores, folhas do terreno, marcas, pertencem os dois objectos ao mesmo proprietário,
pela extensão da marca dos dentes sobre o maxilar inferior vê-se que não respira, encosta-se ao relvado para abastecer-se,

Câmara Escura (Black Box) - Alberto Velho Nogueira, 2006 - Primeiras páginas

[Ex-Militar] dependo da black box do Kentridge que me abriu ao domínio público, dum alarme que me indica as zonas cerebrais disponíveis, afirmo o masculino com apêndice e outras masculinidades que se exibem nos terrenos desportivos, nos campos militares, poderes enchem-me o cérebro com o militar/desportivo, absorvo a televisão global, sou um global reformado inserido como outros na black box onde revelo ter sido ocupante filmado e fotografado em acção militar. Kentridge fez a radiografia duma ocupação, a minha feita pelo autor deste texto, escrita não me altera o estatuto, tive existência cinematográfica garantida pelos documentos oficiais que definem a minha câmara escura colonial por ter feito guerra colonial, ocupei postos administrativos, mostrei a eficiência do cérebro, ocupantes têm feições, eu não as tenho, perdi-as nos lugares por onde estabeleci os factos, produzi-me como militar ocupei um lugar fiz um contrato organizei a guerra com o material que me deram, fui pago para a fazer, mercenários organizam-se com armas e objectivos militares, armas exibem-se para os filmes que documentam o que fizemos sem fanatismo, nada a esconder, os braços com armas para que se veja e saiba, (eu) não ocupo, já ocupei, estou na black box do Kentridge, na minha, na do autor, ocupámos o que nos disseram, masculinizados, somos matéria subjugada, fomos armados até à morte, figuras da Grécia mitológica alimentam a escrita dos militares que procuram a grandeza nos factos, nos textos que escrevem, a escrita que se propõe vem dos gregos, Kentridge propõe uma black box exposta na Deutsche Guggenheim, Berlin, dois mil e cinco, faz o que quer, eu uso da (minha) black box cerebral constituída pela memória da ocupação, pelo que se tramou contra as populações locais, operações localizaram as populações atribuídas aos lugares, perdi o nome delas, Kentridge fabrica os ocupados com papéis arames cola pilhas madeiras lâmpadas, filmes e fotos demonstram que existi com órgãos que me propuseram a respiração a circulação a digestão, doenças catalogadas pelos lugares, lepra malária tuberculose cancro militar, intoxicação vem da ocupação territorial, da renúncia à respiração, as palavras bloqueadas à saída do órgão falante, só saem ordens e talento para as cartas íntimas à Mutter e à mulher, lugares coloniais colocam-me a língua e a zona verbal em actividade para a escrita, não sei como salivar como terminar os sons como articular as imagens que vão com os sons e os materiais, fecho-me na minha câmara escura, estou fora das imagens que o Kentridge montou, Kentridge abusa, não me confesso, não tenho oralidade fora a que aplico nas operações, o meu percurso a examinar nos documentos, ocupei lugar colonial na África, autopsiaram-me antes de morrer, preparado para as doenças, examinei a fecundidade dos que se miniaturizaram com o peso das armas, a cabeça aberta como o todo, (eu) aberto na horizontal, posição inóspita de quem não quer mostrar-se, aberto de lado, membros assinalam varizes e gânglios que não me transmitem doenças conhecidas, não me atribuo um estado, os ocupados não falam, autistas recusam os que se infiltram nos territórios deles para lhes assinalarem a existência, fabrico vocabulário, entra-me o vocabulário dos que aplicaram as palavras às ocupações, circuitos vocabulares ajustam-se às ocupações, adquiro os hábitos da língua que se expõe na câmara escura que se sobrepõe à black box do Kentridge, câmara escura pessoal serve-me de orientação para a cabeça, ocupei um lugar histórico, lugar da impressão dos filmes e das fotos, fui fotógrafo num lugar distante por estar distante da Mutter e da mulher, fui ocupante, agente fotográfico, servi os intuitos coloniais, não quero estar na black box do Kentridge, sou eu próprio uma câmara escura cerebral, a cabeça na caixa escura colonial, ocupo territórios coloniais, sou colonialista, aplico os conceitos que vieram da Grécia, Eros e Thanatos, encho-me de Thanatos e de Eros à medida do enchimento da câmara escura, da manutenção dos órgãos que caracterizam o militar que fui, sou um colonial reformado, tive lugar numa guerra colonial, construo a minha caixa escura com isso, imito a do Kentridge, não estou na black box dele, não sou o que o Kendridge denuncia: a mecânica da ocupação africana, eliminação e extermínio são os resultados dos lugares ocupados, 

[Ocupada] vou de Hiroshima a Kolkata, uma deriva da outra, das práticas de Eros e Thanatos, do que a cultura formulou sobre a morte, efeito da canícula, da calúnia colonial, efeito das palavras que caracterizam a morte, da nascença à morte, conheci a vertigem adequada à música do Rüdiger Carl, do Mats Gustafsson, dos que me mantêm sem gesso nem arames, tenho documentos sobre a ocupação, os campos de concentração, a morte por numeração, por asfixia, dou-me um nome masculino ausente do colonial, um nome, LF, o mesmo, morto sem que lhe conheça a causa, fígado, cancro, atingido como os ocupados pelo fio que vai de Hiroshima a Kolkata, o urbano rasado como está rasado o autor deste texto, assistido pelo autor da black box que documenta o colonial, as deficiências do mental colonial, as atrocidades que desembocam em Kolkata, produtos da tecnologia acompanham a distribuição da miséria, mental fabrica castas e domínios, desprezo e figuras da fome nas ruas onde se lavam como me lavo, me incluo nos ocupados que o Kentridge trata na black box, câmara escura construída com materiais usados, eu usada pelas mecânicas que me levam a Kolkata para verificar o que entra na caixa cerebral dos habitantes que se lavam nas ruas, furam as canalizações, obtêm água corrente, lavagem ritual, ritualidade da fome, da morte Kali, habitantes predispostos para a catástrofe, para o fanatismo, empurram-me, colam-se-me, colam-se à black box, entram-me na cabeça/caixa, no que possuo dentro dela, papéis tesouras fios eléctricos, construções feitas para funcionarem, autor usa os materiais do Kendridge, a câmara escura usa dos olhos dos membros do palato das narinas que absorvem os cheiros de excrementos dos habitantes, excrementos marcam os lugares, habitantes sem lugar reconhecível, fui formada a partir do LF, criei-me com o que morreu, não conheço a causa da morte do LF que habitou um urbano sem o reconhecer, conspirou contra ele próprio, contra o Vater que abandonou à cera, o Vater esculpido com pele veias músculos cabelos/fios, figura de cera, visível o que se formou desde a nascença, o que é a nascença como se obtém donde vem, de Kolkata, LF nasceu em Kolkata com a água das canalizações furadas, a chuva não conta, os terrenos de cricket desenvolvem a integração nacional, desporto serve constrói conspurca as black boxes, o fanatismo cresce, fanáticos constroem caixas escuras fora do desejo, coleccionam armas, defendem os materiais, a computorização do social de que fazem parte, não saem do labirinto, não conhecem as regras, a manutenção delas, os anúncios da morte na mecânica dos aparelhos que se vendem para separarem o urbano da morte, o que está nos cemitérios está morto, transforma-se em água corrente para os rituais dos que se lavam nas ruas, lavo os membros, fixo o que esteve antes no escuro da câmara, sou feita de caixas, de correntes de água da canalização furada, fanatismo aglomera-se nos lugares saturados, circuitos fechados pelas limitações coloniais impostas, câmara escura mostra o que acumularam, black box do Kentridge denuncia o colonial dos que fizeram o elogio das ocupações, da pertença ao militar, honra, aspas, sobe à cabeça, tem o predicado de trepar à cabeça para dar autoridade e substância, cabeça ganha conforto, se alguém ousa escrever tal palavra, enquanto fabrico uma caixa para aquilo que me fabrica os nervos, a saída das águas pelos canos rotos, canalizações internas obedecem-me enquanto for matéria viva, dominam-me os membros, falta-me controlar a cabeça, ver a black box para sair do colonial que o Kentridge apresenta, dependo das mecânicas computorizadas, dos aparelhos que analisam por dentro, que controlam a fala, o diálogo com os restantes por haver restantes, habitantes sem lugar, não tenho lugar determinado, estou na caixa escura, na black box anti-colonial que me fabrica frequentadora do Kentridge, sou habitante teatral, recuso a morte do LF, personagem que enterrou o Vater, conspirou contra a Mutter, fez dela terreno para se esconder, reconheço o autismo do LF, reconheci-o enquanto aparelho vivo fora do lugar, 

militares são chamados para a ocupação, não elaboram fora dos lugares ocupados, o que me pertence garante-me ver a câmara escura, faço parte do vocabulário da caixa, pertenci às caixas de bolachas do Boltanski, fui numerada, não estive em campos de concentração militares, não pertenci a formações militares, formei constituição sonora, não física, não tenho arma na mão, nunca tive, não me ensinaram posições estratégicas, formo-me sem lugar, despejo os detritos que se formam nos rins, areias pedras cálculos provocam-me dores, sou executante do que sinto, o resto é indolor, a vista parada sobre a black box que decifra os coloniais, os ocupados atacados até morrerem por fome doença do sono lepra abominação armada, à escolha entre os regimes que o colonial criou, fabricante da evolução das castas, das classes, dos grupos fanáticos, desportos ajudam, computadores pertencem à memorização, vão em linha directa da aparelhagem à memória, do eléctrico ao fenomenal dos nervos, da fome às canalizações para a lavagem, vejo apetrechos para uma barraca, um automóvel ao fundo, nada de descrições, uma mulher com a condição dada pela foto urbana, um ser sem existência localizada numa caixa de bolachas Boltanski, temática repete-se, incluída a do LF que morreu sem que (eu) saiba a razão, idade doença volubilidade teimosia tendência à depressão à desocupação dum lugar. Ao fundo o quê, nada que se caracterize para ser desenvolvido, papéis na mão, um tema musical nos ouvidos, numa cena, “mel. F, berliner/früh um fünfe”, mil novecentos e setenta e nove, Berlin, referências vêm-me de dentro, escapei ao militar, não escapo às caixas numeradas do Boltanski, aos locais sem definição, caixas armários câmaras obscuras, pesadelo das caixas, dos fechamentos, organização está presente, alguém lê, outros penduram roupa, actividades dos que mexem os lábios, esvaziam os pratos, outros de bicicleta, alguns agarrados às vedações, a black box informa, a câmara escura vê antes de mim, factos alteram-me os membros, as pernas inchadas porquê, as fotos prontas para a acção, câmara escura fixa os movimentos dos masculinos armados, masculinização aumenta, linha separa-me dos que usam de kalachnikofs para exibição do que são, grupos pertencem às organizações para defesa do nacional, para ataque ao humano, sobretudo ao humano sem localização, desloco-me, sigo a urbanidade sem localização dos sons que vêm da sala de concertos, Berlin mil novecentos e setenta e nove, outros mundos deram Kolkata enquanto a câmara escura fixa uma rapariga com criança nos braços, nada de comiseração, as sandálias japonesas significam descontracção, personalidade ligada ao desenvolvimento, à domesticidade das compras, dos alimentos, criança crescerá, crescimento com arma se masculino desportista adaptado ao demonstrativo que lhe pedem, o publicitário na camisola, nos braços musculosos, adjectivo, na expressão, sem ferocidade não há crescimento, não tenho contacto com os que cresceram, não os chamo, acumulo necessidades, sinto sem lugar sem dores sem fotos sem funcionar com os dedos, não tenho músculos militarizados, a (minha) musculatura é o desenho dos braços, nada mais, nada feito a partir da ferocidade que me impregnam, faço parte do todo, fizeram dele, ocupante, experiência masculina nos braços da rapariga/Mutter de sandálias japonesas, nenhum outro efeito nenhum outro resultado, os dois, Mutter e criança masculina, são pormenores deste texto fazedor de acções com a câmara escura, black box do Kentridge analisa as presenças colonizantes, a situação colonial, dois mil e cinco, necessário clarificar o ano, deixei mil novecentos e setenta e nove com o Sven Ǻke Johansson, fixei sons na câmara obscura do cérebro que se desbota com o tempo que me foi atribuído, sou constituída por defeitos e sintomas sem morada, não tenho localização, tenho lugar artificial em Kolkata, protejo-me da poluição, restos de comida no chão dependem dos mercados, das cozinhas de rua, como fritos sobre folhas, habitantes empurram-se, ruas abertas para consumo, aumentou a produção e o consumo de alimentos na Índia, estou em Kolkata para efeito do sonoro urbano, da poluição que compreende o local e o urbano que não me pertence, sigo o fio de Hiroshima a Kolkata, não me localizo, assusto-me com o urbano que me aumenta a masculinização, o meu contrário, um ser contrário não obtém significado urbano, perdi-o com o crescimento, tive um ser, construí formei (um) ser que me retira a condição, insubmissa cresci para retirar o significado do lugar urbano que me deu as sandálias, o t-shirt amarelo, a publicidade sobre os mamos, a indicação territorial, recuso o todo, pertenço aos que se lavam nas ruas, não entro no crescimento militar urbano, casas e habitantes compradores clarificam o urbano, o que ouvem donde vêm para onde se dirigem nos fins-de-semana, cimento e alcatrão onde ponho as sandálias, plástico não me causa alergias, alérgica a nada, defino-me sem força muscular, tamanho mede-se pela largura dos ombros que não educarão militares, Mütter hábeis de sandálias de plástico nos parques de cimento, nos supermercados, são agentes das compras, soletro sem que me ouçam, feita para não ser ouvida nem por mim própria, sujeita aos factores que dão comida doces guloseimas excesso de açúcar de gordura batatas fritas diárias, trabalho diário executado, a casa arrumada para a câmara escura que fotografa os estragos feitos pelo urbano de quem veste t-shirts com publicidade que localizam as Mütter sobre o cimento, sobre o alcatrão, as ruas planificadas, urbanização existe, uma casa, o número da porta, a recepção do correio, cartas indicam-me os usos diários obrigatórios, fase seguinte forma-se nas coxas engordadas, cara tem máscara para a impressão de ser rapariga, o resto dentro, ser mulher vê-se pelos órgãos que se formam no interior à medida do crescimento dos seres que não formei, não sou Mutter, não os alimentei com os mamos, com os órgãos da fala, esponjas mamos acrescentam sons, formam palavras, ajudam a formulação das frases, gramática forma-se com as chupadelas dos mamilos, dizem as habitantes prontas aos militares que cresceram com a condição dos mamos, adultos masculinos frequentam a black box do Kentridge, têm medo da black box acusadora, antes receio do que medo, o medo não é com eles, não lhes foi criado, receiam a mecânica da black box que lhes determina o silêncio, os lugares fechados, o cérebro lacado, o que fizeram, o escuro abre-lhes os olhos, estão representados na black box do Kentridge, colonialismo habita-os, criados a partir do colonial, tiveram Mutter de sandálias sobre o cimento, fala-se de bairro, de conjunto habitacional, habitantes vêem os museus de fora, o que se produz para os museus é-lhes vedado, não se projectam, as coxas das Mütter guiam-lhes as comoções, a publicidade do t-shirt idem, publicidade não me localiza como Mutter, estou dentro do texto, da black box do Kentridge como ocupada, feita por pormenores que se colam, partes constituem-se num lugar ao acaso, não tenho particularidades, sons sentem-se até à morgue ao cemitério ao crematório, depende do que quiserem fazer de mim, depende do lugar, da forma adquirida pelos pedaços depois da reconstituição a que me sujeito por força dos que defendem as ruas, armas nas mãos, braços adquirem significado universal, significam raiva e fúria vencedora, armas não escolhem alvo, atacam ao acaso, há vontade nisto, 

instalação voluntária da rapariga/Mutter na black box, pertence ao colonial, à publicidade inserta (insert) no t-shirt, no que se produz de natural junto do cimento, ocupo-me do que me vem pelos canais que me despertam para a tremura que os sons dão aos membros, condição de quem vibra com o que a caixa transmite, vem tudo da caixa, dependo da caixa, do que ouço dentro de mim, de caixa a caixa, de matéria a matéria, lavo-me com a água das canalizações, banho ritual, tudo ritual de quem perdeu, os que perderam ritualizam-se com a exibição das armas, formam a crise fanática, estruturas fanáticas vêm das crises, das ocupações, os que crescem pedem armamento, crescimento compreende as kalachnikofs, foram feitos para isso, são suporte de armas, miolos pertencem ao armamento e ao desporto que os formam prontos para uma caixa escura, para a difusão tv/internet, Kentridge analisa a formação dos lugares coloniais, o que cresceu e cresce deriva dos lugares ocupados, este onde estou ocupado pelos coloniais, predação, referências dependem das caixas onde os meteram, onde me meti, involuntária, metida pelo que sinto, refiro-me ao que vejo na caixa escura que demonstra o colonial, às dimensões que a caixa me proporciona, não existo para além duns quantos metros quadrados, a distância mede-se em presenças de materiais humanos aproximativos, uns governam o que as cabeças transmitem, o colonial é analisado pelo Kendridge, pela caixa idêntica que construo, meto-a na cabeça, assinalo a frequência do colonial que me rodeia por ter sido criada nos lugares que formaram o cérebro para o colonial por haver criadores do colonial, de lugares a dominar, lugares dependem do uso das armas, do levantamento dos braços endurecidos pelos treinos, treinados ocupam a caixa colonial com as manobras da caixa craniana, caixas desenvolvem-lhes poderes secretórios, secreções descem aos testículos, depósitos da matéria militar analisável como fecunda, fundadora de recintos de caça, de zonas militares, de quartéis onde se confundem os líquidos com a fundação dos lugares, estes escolhidos por (eu) estar fora da produção testicular, (eu) imprópria para consumo, para despejo, não despejo, não me identifico com o que o testicular fabrica, com o que se fabrica dentro, sons chegam-me pelos aparelhos leitores, instrumentos favorecem-me a especulação, os efeitos medem-se em linhas sinusoidais, aparelhos medem o humano que consome e se sujeita, submissão necessária à percepção, o pensamento está nos choques eléctricos que me estremecem, não há manipulação dos choques e do eléctrico, são produzidos pela vontade, pelo que executo na caixa de bolachas, o mais comum dos terrenos, dos lugares que não criam potências e forças, estas criaram colonialismos, armas e músculos, Eros e Thanatos, termos repetem-se, aplicam-se por prestígio por acumulação por erro, exibem a herança grega para a compreensão dos fenómenos, nada mais vem da Grécia a não ser o turismo solar, as paisagens de Santorini, os vulcões e tremores de terra, o telúrico não pertence ao conhecimento dos turistas, autor dirige o texto para as raparigas/Mütter nas caixas escuras, câmaras escuras, projecta os políticos epocais no fundo da caixa, nada de silêncios, presente a produção mundial que fabrica materiais para a morte, para o poder da morte, para a frequência dos ataques, a manipulação do tempo disponível para atentados e ejaculações, Eros e Thanatos, nenhuma ligação entre os dois conceitos, um vem sem o outro, as aproximações são justificações para o domínio territorial, os militares fiam-se como os turistas nos regimes que inventam, forçam os ocupados nos lugares escolhidos, este escolhido por mim, 

black box examina o colonial agarrado às condições das armas e do desprezo, militares transportam materiais para a ocupação, nada a mais, actividades com braços e armas nos terrenos onde põem os pés e os braços, as actividades mortuárias, as definições do Eros, quanto ao Thanatos as experiências provam o que desenvolvem na cabeça, Thanatos ocupa lugar, propõe os lugares que não ocupo, zonas militares delimitadas por arames alarmes projectores guardas, lugares protegidos pelas armas, militares compreendem a existência que se estende dos dedos às balas, da cabeça aos aços, siderurgias musculares a desenvolver nos terrenos classificados pelos que conhecem o colonial, ocupam ruas praças zonas desportivas estádios, acções dependem dos que são maltratados, condenados, eu em Kolkata por não haver outra racionalidade a não ser a dos canos rebentados, canalização pública serve para as lavagens, este o sítio, enquanto noutros as arquitecturas desenvolvem movimentos de grupos, de casas, de transportes públicos, enquanto o Kentridge mostra sem comiseração a rapariga com criança na black box, o que os masculinos ocupam, os terrenos vermelhos, a terra onde se posicionaram os que ocuparam pessoas antes de ocuparem as terras, o territorial foi medido a partir das medidas humanas, nenhum fracasso, instalação funciona, install funciona na rapariga/Mutter com criança, install da criança masculina para função futura, criadora de funções futuras, t-shirt publicitário representa as fases da ocupação, a astrologia dos ocupantes, supermercados mostram abundância, nada dos excrementos de Kolkata, a produção agrícola indiana aumentou, não há fomes endémicas, se não comem é por não haver transportes para que a comida lhes chegue, onde estão os camiões, transportes têm limites, falta de iniciativa para a distribuição do aumento da produção agrícola, onde estou à procura de lugar não há excrementos a não ser dos cães, não tenho cães, não passeio a obediência animal, obediência tem limites, já o vimos no texto anterior da Pertschy, esta, que sou (eu), não é masculina, distingue-se dos militares, produzo o conhecimento psicológico dos homens, mulheres não os conhecem, dizem os militares, para se conhecer o militar é preciso frequentar as casernas, sentir a camaradagem, dizem os que se forneceram para sempre do militar, que passaram pelo uso das armas coloniais, mesmo que tenha sido ao ombro, estão informados, conhecem o homem melhor do que as mulheres, nenhuma excepcão, mesmo as Mütter não os conhecem, recebem cartas dos filhos desconhecidos que, em permanência nas guerras, mercenários pagos pelo país, enviam cartas, informam sobre o que faz sentido, aspas, o sentido inédito que as Mütter e mulheres não conhecem, militares falam das Mütter e mulheres amadas, de amor, sentimentos fora da carnificina, são homens por chamarem Mutter à Mutter mulher à mulher filhos aos filhos, comiserações, militares estão na casa dos vinte, o futuro na massa cerebral, constituem futuro, escrevem-no para as Mütter e mulheres, escrevem como sentirão o futuro, cérebros ao serviço das armas, da territorialidade que a black box demonstra como se trata, onde se actua, como se abatem os recalcitrantes, abater, palavra escrita pelos militares que descansam do colonial, praticam o abater com conhecimento de causa nas cartas emotivas aos familiares, o emotivo chorado nas cartas, a verdade escrita, o resto está descrito na black box do Kentridge, a função dos ocupados chamados ao controlo dos militares que os executam, execução dá camaradagem que forma instintos na massa cerebral, o futuro garantido nas autoconfissões, são camaradas na defesa do território, defendem-se dos ocupados, garantem o emotivo que escrevem nas cartas para as Mütter e as mulheres, os filhos contemplados, palavra do regime que o Kentridge analisa na black box, examina a ocupação, traços a carvão, black box representa os restos que se apanham nos territórios coloniais, ocupados são restos garantidos pela contagem demográfica, contados a dedo a baionetas a metralhadoras, a morte é garantia da eficácia, mortos contam, vivos são demografia, mortos não se enterram, deixam-se aos abutres, o que viram transmite-se às Mütter às mulheres e filhos, abraços e beijos contemplam, aspas, os filhos, dizem-se humanos nas frases, sentimentos exprimem-se com a verdade que o território pede, evocada pelos que contam os ocupados pelos dedos, publicada pelos filhos que se lembram do emotivo que os genitores/militares exprimiram nas cartas, documentos da guerra, militares choraram o isolamento, a distância, a separação idílica serve-lhes para exprimirem o melhor deles, militares têm o melhor, fabricam instalam o melhor nos territórios que abrem com armas, não kalachnikofs por não as terem na altura das cartas, outros militares continuam as ocupações, abrem outros territórios às ocupações, não faltam motivos para escrever cartas aos familiares distantes, distância conta para a escrita dos sentimentos ferozes, adjectivo, são ferozes, nada de contemplativo, militares ferozes escrevem às Mütter e às mulheres como sentem os rumores os humores as cores as cordas os ruídos, roídas as cabeças, as colunas estalam as costelas doem, cérebro assinala-lhes o que estoira o que se esmaga o que esmagam, escrevem cartas íntimas para reterem as impressões, registam a distância que lhes forma imagens virtuais dos familiares e amigos, cérebros detêm o melhor, detêm os locais, emoções caducam com o tempo, formam-se imagens que destroem as anteriores, militares sem ficheiro, virus entrou-lhes pelos miolos, contam com as referências aos familiares com os quais entraram em familiaridade exaustiva, a coerência não se desgasta, a escrita deles é a razão da verdade, funcionamento garantido pela razão da distância, do trabalho executado, o dia a dia formado pela preparação física a que se sacrificaram, termo militar, endureceram o carácter, dão a vida por, são detectives, aproveitam a experiência para os romances que escrevem, o que viveram transpõe-se, só o que se vive se transpõe, romances baseiam-se em factos reais, o real transpõe-se, crêem no real que se apresenta diante, das da, o presente consciente, inicia-se a segunda fase, a da rentabilidade da ocupação dos territórios, a fecundação do cérebro, emoções desenvolveram-se, não com as Mütter e as mulheres mas com a realidade, militares executam, produzem romances, o vivido escreve-se, o vivido marcou no cérebro as fases da ocupação dos ocupados antes da dos territórios, exploração militar dos ocupados, sinais dos tempos, militares são sinais de que os tempos se mantêm, o que se passou nos anos sessenta setenta tem hoje repercussão, hoje dois mil e seis, outros escrevem com kalachnikofs, equipamentos evoluíram, a economia militar progrediu, as cartas progrediram com o que sentiram, o que lhes interessava era a separação, a distância, a fidelidade sexual, escreveram que o sexual demonstra fidelidade, não usam das mulheres locais, têm nos cérebros o virtual das mulheres, Mütter serviram para a culpabilização, são sistemas de segurança, são figuras da matéria social desde que a escrita existe, são a fecundidade o tabu o cliché que fundou a virgem e senhora dos céus a proteger como a máfia protege, militares ditam o mais sagrado, o mais profundo deles, confessam às Mütter o que não dizem aos capelães presentes para a óstia nos campos ocupados, capelães acompanham os militares na absolvição, actos, é útil actuar dizer escrever confessar o que se fabrica nos territórios, Kentridge descreve o que eles não dizem às Mütter, nem sequer às mulheres que não lêem o relato dos actos que lhes enformam os cérebros formatados, militares servidos pelos lugares que os formataram até ao social de hoje,

Lacada - Chocolatier - Alberto Velho Nogueira, 2005 - Primeiras páginas

“My paintings are more “unfinished” than ever, because I unfinish them as I paint”, Fairfield Porter

“Hanno cercato di persuaderci che le parole hanno un significato e non un suono, o se hanno un suono, è un suono immorale. Credo che le parole siano certamente un suono, ma non sono sicuro che abbiano un significato”, Manganelli

REPERCUTE O QUE OUVE, dramatiza o que tem, refugia-se no interno, forma reacções químicas que desenvolve com a voz que lhe impõe um vibrato, vê a camisa mudar de cor enquanto alguém põe os ouvidos à disposição, ninguém se intromete no terreno, transporta-se para os lugares onde não a ouvem, terrenos deslocam-na para fora, acaba no Metro, num terreno vago, num hotel, num quarto duma Pension da qual desconhece a utilidade como são inúteis as que se deslocam, que se consideram sem fala, só ouvidos que não captam o exterior, vê a transformação da camisa, fala para alguém enquanto os órgãos lhe confirmam o sonoro interno, modifica a voz para a primeira pessoa por estar a vê-la, dita-lhe o que escreve, escriba toma nota do mais pessoal, nada a sentir diante da que se confunde com o silêncio apesar de virada para o lado sonoro, escreve o que se dita, o terreno afasta-a das outras, não está na mesma fotografia, é pessoa à parte, entes alinham-se em duas filas, alguém lhe tira uma fotografia para fixar a deriva do terreno para uma sala, para um lugar onde não se ouve, ar poluído a respirar sem haver necessidade respiratória, respirar é inútil para as que se apercebem da respiração, da rarefacção que lhes enche os pulmões sem acção para a purificação do sangue, o oxigénio rarefeito, não morrem por asfixia, compensam a falta com a abertura das janelas, a respiração diminuída, algumas no Metro para obterem resultados, atingirem lugares distantes dos lugares onde sufocam, porquê sufocantes, nada de novo nisto, quem vê não relata, retém na cabeça, centro do emocional e do consciente, a consciência imediata obtém a mudança da cor da camisa, mudança causa-lhe distúrbios, a camisa muda de cor no texto que elabora sem biografia, este texto (aqui) sobre a que se multiplica conforme a representação num quarto: mulher de costas para as que se deitam na mesma cama, onde há confronto físico não há fala, só a luz do candeeiro com a qual se realiza o que alguém vê, um método nos dedos que se tocam, uma mão visível, a outra debaixo do lençol segue o movimento da que se levanta para se tocar com os objectos úteis, demonstração da capacidade de reflectir sobre a deitada, sobre ela, sobretudo sobre ela que sai da cama depois de ter estado num lugar de trabalho onde não viu a mudança de cor da camisa, não viu o organizador do trabalho das que se deslocam de Metro, terrenos forçam a deslocação, distribuídas pelos lugares urbanos, uma levanta o lençol para sair da cama, afasta-se das outras, nenhuma relação, nada repetido, nenhuma função sexual repetida, repete outras funções, deseja o repetido, coser roupa à máquina, função clandestina, sair da cama, enquanto alguém se ocupa da fala que não lhe sai, da roupa a vestir depois do falhanço, alguém fotografado por ela para ser posta na parede do quarto, falhanço e incapacidade causam-lhe lesões na pele, transformação do que era no que é, a perversidade na mão direita, no lençol que levanta, descobre-se virada contra a luz, causadora da sombra no lado sombrio do quarto onde o que se passa é inútil, estar aberta não demonstra nada, capta o exterior por haver motor e líquido, ar por haver janela aberta, a falta de ar vem dos órgãos em desfalecimento, morde o lábio inferior, o que sente deriva do insatisfeito que lhe percorre as partes sensíveis ligadas ao consciente enquanto os aparelhos funcionam dentro das carapaças, da circulação do líquido intenso nela, do afásico, temperatura aumenta nela, não fora, propõe sair de Bruxelas que se desfaz por erro económico, o erro dela na deslocação para fora da cama, não, não erra, sobe a colina, descobre os pneus usados o cão a galinha a árvore, a avalanche, passou por aqui uma carga de água, torrente criou uma linha de destruição, escavada a terra, não há ruas alcatroadas, há ruas alcatroadas, habita lugares conforme as pressões, desagua neste lugar por defeito, volta ao primeiro onde construíram cinemas, videoclubes, acessórios para o sexual dos que tocam as moedas no bolso, constrói o que a consciência do falhado lhe fabrica, não tem necessidades, apetece-lhe não uma salsicha mas a explosão, a garantia de que os produtos continuam a funcionar dentro dela para a lubrificação, para as despesas internas, para a leitura do que vai mais longe do que os vestidos, a passagem para o nu das que passam no luminoso, basta um néon para as ver nuas através da roupa, ver o que satisfaz as glândulas, as abre, trabalho excessivo para quem está num quarto propício às quantidades, lugar de trabalho nutre os motores económicos, as informações enfiam-se pelos órgãos que não saem do trabalho, motores nas cadeiras, na construção de cada, o tronco segue a linha dos cotovelos aos ombros, a decência mede-se na camisa que desbota, na pele que seca com o trabalho das que não são peritas de qualquer coisa, peritas do ar a respirar, Sein und Zeit sufocam-na, uma delas, agressão do trabalho, a rentabilidade diminui, a rentabilidade deste texto, aqui, como dos serviços que a clandestina produz sem segregar consciência, esta foge-lhe, aparece-lhe no quarto depois de lhe atribuírem o lugar, o tecnicolor das toalhas com que enxugam a cara os pés, o resto é excesso que não se lava, vai à piscina comunal para polimento dos órgãos externos, dos buracos, das saliências, despe-se nas cabines, a autora na piscina estuda o interno para participar do que se trabalha, forma a consciência da mudança, dos líquidos, da magreza que aumenta com o abanar da toalha, com a extensão de células a limpar, ausência de sol causa-lhe perturbações da pele aos tendões, das articulações ao órgão sinónimo de distúrbio mental, de desvio da atenção para as linhas e mecanismos das máquinas de coser, em vez de sentir o que se acumula no lugar de trabalho a partir dos néons, do sonoro que não se repete, nada repetido por não haver duas respirações iguais, duas oralidades iguais, duas posições que contribuam para a mesma artrose, respiração inverte-se do fácil interior para o difícil exterior, opressão causa-lhe tontura. Itinerários percorrem-se com as ventoinhas dos motores, inventariadas pelo número, a autora fora do quarto, no quarto, na medida de cada gesto e consequência do motor que lhe levantou as pernas, uma espécie de camisa aberta nos ombros, decote, olhos verificadores da consciência captam o esforço das pálpebras que pesam com o transtorno, não sono, autora não dorme, a discussão avariada com os resultados, queres resultado imediato, saber para que serve a luz do candeeiro que projecta o amarelado na foto para documentação, arquivo depois do trabalho, a indeterminação nasce na secreção dos ácidos que te dispõem à comida sem que comas, engulas, percas tempo no uso da bôoca, do esófago, et cetera, passagens rápidas para os intestinos que, caducos, não acompanham o ritmo das glândulas salivares, incapacidade provoca vómitos, não digeres o que engoles, não engoles o que te cozinham com ajuda do amarelado do candeeiro, língua ajuda com os movimentos inesperados que te fazem mordê-la, sangue é corrimento diário, os dedos furados pelas máquinas, a menstruação relógio assinala a mudança da lua, autora não ligada à lua, muito menos à menstruação, amenorreica, presa ao órgão genital pelo trágico, não pelo sangue, candeeiro projecta a sombra, morde a língua inchada com os movimentos nervosos que a trabalham na bôoca, o peristáltico da língua, o resto na olhadela para o que reflecte o amarelado do candeeiro, sangue coloriu a toalha que lhe deram, alguém lhe fornece os vestidos, alguém lhe compra os utensílios, os objectos para o arranjo da cara, das pernas com meias de nylon por onde passa os dedos depois da mordedela da língua, actos têm seguimento do mais simples ao mais idiota, ao sofisticado na bôoca que revolve as intensidades nervosas, da bôoca resulta a saída da cama, o lençol que a descobre, perde a perícia dos gestos no instintivo da língua que segue os mamilos desde a nascença, hábitos da bôoca dos lábios do movimento lingual do aparato salivar, secreção bôocal em excesso cospe-se para a mão que desliza entre as coxas depois de levantada da cama para se manifestar na casa de banho, as coxas consideradas como lugar de calor, massas transmitem-lhe temperatura mais quente do que a do ar que respira por haver pressão nos pulmões, a pressão vem do terreno que se desloca para lhe dar a realidade do trabalho no quarto com companhia indesejável, companhia perde-se nas sugestões, nas massas que já disse, lhe disse, tens massas que fornecem temperatura adequada ao que falta no quarto, um quarto a ocupar, a desembaraçar do que demora a esvaziar-se, terreno tem jardins se houver quem o descreva, automóveis a lavar, a constante que vai das ervas das flores e plantas à que irá ter nome por lho atribuir não a ciência do comportamento mas a do registo que o dá a quem nasce, identificação, chamada, pontuação do tempo, análise do que cresce adoece e morre depois do trabalho onde se dispõe à voz que não canta, ninguém canta, não tem voz, ouve a do agente que as dirige, o nome, pede-se um nome que se inscreva nos documentos comunais, autoridades repetem-no, confirmam, assumem a chamada que atribui pela primeira vez o nome ao ser e ao tempo, nada de Heidegger, só papelada sem foto, a fotografia faz-se quando chegar aos 39, embora pareça mais, o que é parecer mais, parecer forma para a sugestão, as sugestões, como produtora do que propõe com a tremura dos órgãos que lhe criam sarcasmo, aparelhos funcionam para a tontura, a autora fora da cama entre sombras, entre as raízes do quarto, sombras dão (são) raízes, multiplicam-lhe as intensidades, saída do quarto dá força muscular, força, mudança de temperarura, a luz acesa, verbo sugeria velas, combustíveis, lâmpadas não ardem, a incandescência nela, dentro dela, no interno que marca com o lápis, coça com a ponta, fere-se, insere-se no texto, cria substâncias vasculares, circuitos sanguíneos sem nome, pressões atmosféricas nos ombros, nos pés, deixa marca por onde passa, a sombra do andar, a pressão nas madeiras, órgãos da natureza transportados para casa, chama-se casa a isto, ao sair da cama onde relata para si o fenómeno da renúncia, fotógrafa fotografa personagens sem profissão, cópias dela, reproduções, fotografa com raios X, com o nuclear, temperatura até ao incandescente, à queimadura interna, a bôoca a 40°, não febril, resultado das sapatilhas, da borracha, das borrachas que lhe isolam os membros do choque das temperaturas, forno por perto, rua tem fornos, indústrias plantaram-se perto da casa, quem fala, não a obrigo a exprimir-se, detém a palavra, trava-a, constrói com perímetros novos os circuitos que nunca ouvi, fala deturpa-lhe o conhecimento mental, a consciência derrete-se na cama, sem contacto com a natureza, em contacto com as cores das fotos que tira aos transeuntes identificados pelo regular da operação, autora não fala, temperatura aumenta nas zonas de borracha, mamas e coxas de borracha apanhadas pelas mãos dos que se desfazem na natureza, ela não tem natureza, não a teme, autora não teme as plantas as flores as árvores, exercita a vista enquanto alguém produz sons, vozes de crianças na creche, gritaria de quem confunde o medo com a natureza das cordas vocais, verificam-lhes as tiróides, abertas as gargantas, cicatrizes assinalam a gritaria em contacto com a natureza, espaço ocupa-se com vozes e plantas, natureza funciona sem a autora fotografada no sombrio, autora existe, iluminada pelo candeeiro ao sair da cama para se separar da natureza que não suporta, regista o medo da invasão do natural, afasta-se das que lhe introduzem a natureza, a fenomenologia da respiração acelerada, sangue derrete-lhe os miolos, não tem temperatura, um fluxo banha-lhe os caules, tem caules e pés, calça sapatos para abandonar a casa, desfazer-se da natureza que lhe propõem sem sons, a fabricação deles vem do atelier onde o IM (Informeller Mitarbeiter) Hürey (citar não o nome mas a deformação dele) lhe preme as têmporas, o pescoço, os gânglios linfáticos, onde a asfixia vira ao assassinato, a prova no inchar da cara, no amolecer dos membros inferiores, IM Hürey não lhe toca, como tocar-lhe, como sufocá-la, pernas (do Hürey) incham-lhe com o ácido úrico, autora sente pressões no tórax, palpitações, dores nos intestinos, identifica os que a tratam depois de refugiada nas sombras onde fabrica a saliva com a memória e o inconsciente, se não existe inconsciente que lho fabriquem, não o sente, censura não se produz durante o sono, não dorme quando a hipnotizam, segue a luz, sistema pára-lhe a vista, foto grava-a com a vista parada, diz-se vácuo um estado como o da Roberta, disse a autora que a introduz no apartamento sombrio fotografado a preto e branco (Maio 1938, Edmund Engelman), as marcas nas costas, retrato a preto e branco, Roberta faz parte do terreno que atribui preto e branco à que o habita, apartamento transmite o preto e branco, Roberta pede água, não abre as torneiras, não sabe o que são as camadas freáticas, tem os lábios molhados, sombras provocam-lhe água no interno, sombrio acorda-lhe a memória que lhe vem à saída da cama, ao afastar-se da natureza, na pausa do visual, o visual fechado, acalmado pelo sombrio a que a forçam para ser inconsciente sem fala, com fala a deitar para fora um discurso que equivalha ao mais superficial, tem profundidade social, o silêncio garantido pela superfície, pica-se com a ponta do lápis, é fotógrafa como todos os moradores da rua onde lavam os automóveis, fixadas as cores deles, a natureza não lhe descobre as cores, natureza assiste à invasão do olho que dispõe as fotos, a coloração delas no trabalho orientado pelo IM Hürey que as dirige, só há mulheres, os homens nos quartos com aparelhos perfuradores, disse a Roberta ao próprio inconsciente, se o tiver, a realidade no mais fundo, o natural na cama, na natureza, na floresta onde desemboca quando sai do Metro e a percorre para sair de Bruxelas, o inconsciente aberto à ferida possível, ainda não aberta e ferida depois da passagem na floresta, as casas distantes, floresta traça balizas, tem raias, coordena o urbano, bebe dele, (ela) tem sede, vem-lhe dos caules que lhe puseram para resistir, engana-se no trabalho quando lhe dão água, laranjadas, nunca cerveja, bebidas alcoólicas fora do trabalho, nas Beisln até cair, Roberta cai na sombra onde se refugia com os aparelhos inconscientes, inconsciente serve-lhe para reter o gravado nos órgãos, o exterior modifica-lhe a consciência, estratifica-lha, pesa-se depois de absorvidos os choques, absorve o que a Mutter lhe disse, as figuras habituais da gestação, da fabricação usual dos seres que se irritam com as bebidas alcoólicas, que as absorvem para denegrirem o familiar de que são origem, Mutter Vater Brüder, inibidos pelo que os nomes lhes causam, silenciosos a respeito deles, Roberta tem lábios grossos, a dentição inclinada, reumatismo invade-lhe as articulações do pescoço, movimentos artrósicos criam-lhe a resistência ao que se forma com a campainha que lhe assinala as crises, sons vêm da creche, feminizada até à sombra nas divisões que teme por temer o que lhe entra, autora, assistente do fotógrafo que fixa as sombras, inventa uma precipitação, uma correria, uma fuga que a não persegue, não lhe provoca a morte, tudo construído, cenário para a vista, a natureza fabricada num estúdio, o inconsciente metido num saco com as roupas, com o visionamento do que lhe fizeram, não como vítima mas como observadora do desgaste mental das que trabalham onde o IM Hürey as abre à força, lhes aumenta a transpiração, lhes fornece motivo para o que ocultam, as cores desenhadas no cérebro até que as bebidas alcoólicas as limpem do trabalho diário que nutre os circuitos nervosos, basta um circuito para que a gritaria se ponha em marcha, a tiróide atraia o nuclear, os choques se repercutam nas sombras, no que vê no escritório onde a instalam para lhe apalparem as zonas borrachosas, ancas e mamos, onde há elasticidade há borracha, contradição existe na Roberta que chama o fantasma mais próximo, autora apura-lhe os fantasmas, cresce-lhe água na bôoca, frase provisória, autora quer outra, língua transmite-lhe enjoo, fora com esta frase, fantasma vê-lhe as coxas, a borda da saia curta, adjectivo, “Non si può fare a meno dell’aggettivo perché si può fare a meno della miseria, non del lusso”, Manganelli, curta a saia, a distância das mãos às coxas, ao redondo, basta deitar-lhe os dedos, aproximar-se e fazer-se lésbica dum golpe, correr pelo corredor, pelos quartos até apanhá-la pelo cu, meter-lhe o dedo no buraco, atravessá-la com um espeto, tremê-la com a ponta da língua enquanto sente que a perfura, lhe gasta os líquidos, os tímpanos, justifica-se por não ter feito as análises às feses, à urina, não comprou os recipientes de plástico, alguém lhe exigiu a justificação não a partir da voz mas dos dedos das coxas das mamas, condições anatómicas que o meu conhecimento não reconhece, não reconheço ligação à natureza se me viram para a floresta que restringe o urbano, por onde fujo dos que me perseguem, do fantasma que ela representa a partir das coxas, dos mamos que me toca, perco-me nas bebidas alcoólicas que ingiro com os que me utilizam como funil, personagem do Bosch, funil na bôoca, na cabeça, pernas curtas, patas de galinha, prontas a comerem-me, antropófagas comem-me com cerveja, só mastigam as mulheres abandonadas pela história, pela tremura histórica, pelo devasso que formamos depois do trabalho, iguais aos homens, falta-nos a vibração da verga, a capacidade de perfuração. Existem cemitérios, organismos sociais administrativos do ser vivo e morto, organizações para o vivo e o morto, depois de morto, depois de morta, confessada pela que lhe constitui a sombra e o preto e branco, não da foto, da realidade na borda da floresta, isolada pelo vento que denuncia a testa, cliché, não só cliché mas realidade que lha abre, descobre o estar presa à circulação de tudo menos do sanguíneo que não vê, prende-se ao que vê, às sombras e quilos que pesa, que levanta no inconsciente quando se serve do fantasma feminino que lhe garante o inerte, na cama as angústias de vergonha até empurrar o candeeiro, deitar as toalhas para a banheira do quarto do hotel, fácil ter quarto num hotel, não ter domicílio, fora da cama que não lhe garante existência, mesmo a existência sensível que deveria nascer do contacto com as coxas, a parte interiorizada, Roberta estirada, obrigada ao estirão, à incapacidade de resposta àquilo que lhe dirige a cabeça, os membros, agarra nisto, ordem, isto é carne estragada, o pútrido que me fornece a garantia das sombras, do preto e branco sem ser fotografia, sou ser vivo fora do cemitério, vejo o sítio onde se evaporam os litros bebidos, onde se absorve a natureza que contribuirá para a putrefacção, o urbano nos altifalantes do Metro, ali está o histórico indestrutível, a constante que a Roberta/Irina ouve, o funcionamento dos órgãos de transmissão, as correntes que a levam ao mar, haverá mar por perto, água faz parte do existente dela, lagos e poças sim mas mar não, faróis e luzes fora do quarto, mar inexistente, sombra dela, sombra da natureza, a evaporação desastrosa, a ineficácia do mar de Aral, ela eficaz sem mares, sem a água, só a que está nos copos, nas massas, bebe o alcoólico até cair como caem todas/todos nas Beisln, conversa, se existe, se ela existe, ela, não a conversa, investiga a articulação dos lábios, a experiência da língua enrolada, virada para o farol, a língua e a Roberta/Irina, as duas separadas, uma serve um bôocal: a língua, a outra não serve nada nem para nada, existe inconsciente definida pela floresta, pelo urbano onde carrega os sons que o IM Hürey lhe proporciona por dia de trabalho, leis sociais, explorações, termos significam-lhe desaguamento dos líquidos, torturam-na com as análises que a consideram anémica, inibida no cemitério onde fotografam os mortos, onde confirmam a limpeza do lugar, onde averiguam o nível do mar, sente que há mar por perto, a costa frequenta-se no inverno, durante qualquer período, mar a ver, inconsciente a trabalhar com os sons que a água provoca, a do bidé apressa-lhe o cardíaco, abate-a sentada nas bordas de porcelana, é de porcelana o material sanitário, de que material é a que se inclina para o bidé onde lhe nasce a dor, não engole não respira, asfixia lenta, perto um adolescente caracterizado pelo olho que a designa fantasma criado a partir da lavagem do sexo no bidé, administração nova como da nova fazem parte os aparelhos que a condicionam ao visual, a tv, os jogos electrónicos, ao auditivo, os CDs, equipada para referir-se a si em permanência, a si a jogar a si a ver a si a patinar a si a ferir-se a si a abrir-se, liquidada, feita para a liquidação no cemitério que me garante o inconsciente e a frequência de alguém nos quartos, nas Beisln onde emborco cerveja até cair antes de voltar onde me concentro nas roupas a coser, adolescente persegue-me, faço parte do material à disposição com o qual aprende a manutenção do sexual, a tremura, a excitação no ranger dos dentes, aferra-se ao triunfo dos materiais, reconhece-os, adivinha-lhes o modo de funcionamento, aptidão para o reconhecimento das tecnologias que o fabricaram militar até morrer, o crescimento admitido como condição masculina desde a adolescência até lhe significarem a morte por doença ou ataque, resistiu aos ataques, predestinaram-lhe doença fatal, subordinado inerte numa casa/depósito onde ouve o diagnóstico, análises dizem-lhe o que fabricou, não as paisagens, não o fantasma da mulher no bidé, não a floresta que marca o urbano, instalado até ver o que se relaciona consigo, a invenção dos modos e objectos para ser militar na afirmação da violência, diário da guerra urbana nas ruas a percorrer de noite até dentro da floresta, desafio não aos que atravessam o sinistro mas às que ousam infiltrar-se no obscurecido sem capacidade para a sombra que recebem quando se lavam no bidé, tudo traçado, não destino, nada definido, vontade do adolescente determina as operações a percorrer que, aliadas ao poder masculino, lhe darão oportunidade para sufocá-la à saída dum atelier, não comprovado, percurso do atelier até à entrada da floresta, programa da autora que tem propensão para o desastre, para a tragédia da qual será desviada, não só ela mas também a Roberta/Irina, distantes do trágico que se planeia neste texto, aqui, texto abrirá um inquérito sobre os que a observam, e se a observam é para lhe entrarem, lhe possuírem o que pertence ao bidé, às operações nos supermercados, autora compra garrafas de vinho, bebe cerveja nas Beisln, exorbitância da que se dá à bebida, a outros fenómenos, à leitura de livros sobre a condição do tempo, das poluições da água, dos dilúvios, da guerra permanente do adolescente que a programa, intensidade adquire-se, está nos que a observam, o cérebro perturbado pela audição do que lhe provoca repetição, vibração do mesmo, cérebro repete a mesma frase, recebe o diagnóstico da doença, não escapa, propõem-lhe o mortal, investem-lhe o mortal, tem os dias contados, as referências ao tempo moderam-lhe a existência no vaivém entre o atelier e a borda da floresta, hesitação, entrar não entrar, mudar de rumo, voltar ao atelier, verificar se não há outra possibilidade, retroceder, meter-se noutra esfera para fornecer outros canais cerebrais que a façam voltar ao dia cronometrado sem o que a aniquila antes do golpe final, haverá golpe, trata-se do ficcional que a autora fabrica a partir do sombrio dum lugar fora da casa dela, tem casa, não confirmado, tem lugar sem ter casa, instala-se onde a fixam, para onde a empurram, nomeiam-na no sombrio onde alguém a ouve, ouviu, ouve-se, boomerang dos sons que lhe saem da bôoca para uma viagem curta, anulados pela bôoca apanhados pelos ouvidos, negligência, empobrecimento das condições, instalada entre fios e máquinas de coser, matérias arrefecem, não há matéria que aqueça por si, a não ser a dela, disposta para a floresta o bidé a sombra, a morada escolhida pela que se inventariou entre a população, ficção é criar veias e cérebro, a vontade no motor que faz o levantamento das propostas, avança sem estrutura, sem gente, o plano nas fotos do que vem de fora, não produzido por ela, engole comprimidos para a gripe, outras necessidades vêm das análises que fizeram ao que a fantasma, que a pontua com linha de coser, máquinas formam associações de gente, umas tantas pessoas adquirem posição sem se confundirem, deslocam-se para lugares próprios, onde estão basta abrir o cérebro aos movimentos peristálticos, às deficiências graduadas segundo as intenções e as consequências de cada acto, disseram-lhe que crescesse até ser apontada para, enquanto (ela) se caracteriza pelo tamanho do pescoço que tem proporções erradas em relação ao tronco, à cabeça, à disposição das pernas e ao que bebe, frequenta manhãs tardes noites, dividida em tempos caracterizados, texto não lhe impõe o que diz, com que sombras em que lugar em que tempo, clima favorável aos critérios ocidentais, à disposição dos membros, ao cinema do Michael Haneke, produção precária, ideias guardam a precaridade, sustentam-lhe os nervos, a condição da precaridade, perde o paleio se a instalam no sombrio, perde a invenção dos músculos, o uso dos olhos, a caracterização dos que a olham para lhe atribuírem duração experiência e métodos, não pára, se há paragem é à entrada da floresta onde os clichés se instalam, o do perigo, o da narração tradicional à l’orée des bois, narração determina como se veste, para onde se dirige com a mochila, o tronco convulso, as glândulas fabricam a intenção do cérebro e dos que a empurram para lhe significarem alienação, sarcasmo, deitada, sentada, em movimento, o que lhe entra fixa-se no cérebro que assimila o que a sufoca, ansiedade pára à entrada da floresta, nenhum sentido simbólico nisto, o símbolo nos instrumentos que a abrem para lhe averiguarem o interno, o deperecimento que se assinala nas análises, o resto é redução a fantasma para adolescentes, uns tantos diante dela enquanto no bidé, sujeita à utilidade mínima, à água entre as pernas, ao comando do cérebro que lhe pede lavagem, anulação do cheiro, tem olfacto, aparelhos de apreensão, onde estão os que a acompanham, há mais gente, a maior parte condescende com as transformações do quotidiano que supõem política comida e hospital, regência administrativa dos transportes, trabalho e repouso para consumo das ruas, do dentro de casa, do dentro deles, vozes nasaladas cospem mais palavras do que engolem, ninguém mas faz engolir, as que não me sugerem estragam a língua, corro por elas sem experiência própria, instalo-me nas sombras, não só nas sombras mas no sombrio, nas cores do vestido, das paredes, variações do sombrio nas costas, no genital, nas condições de absorção das ideias, dos resultados das análises que me fizeram, alguém me transforma em fantasma no bidé, água é coincidência com o que foi escrito por alguém, onde está a água está a chuva, 2004-11-11, intrometo-me no urbano, atinjo o tempo das análises, a referência ao hospital, desloco-me x vezes por semana, atribuo o que me constitui ao exterior que o confecciona com material apropriado para aberturas e cortes, o que estava previsto passou à realidade, a primeira a ser neutralizada marca a fragilidade do narrativo que tem a mesma fragilidade da que não assimila o que lhe dizem, o exterior é sempre exterior, condição do exterior, o que se vê do externo passa a fantasma, a autora no bidé, o clima adequado à humidade, à corrente da água das chuvas, pessoas descalçam os sapatos, mostram as meias, estendem panos à margem do urbano, o que consideram a margem do urbano, uns estendidos outros de cócoras, espreitam-se, apoderam-se do que não sabem, adaptam-se ao poluído, admitem o esforço, não lavam roupa, inclinam-se para o lado que lhes facilita a digestão, treme-lhes o estômago, criam dificuldade na autora que se forma no sombrio sem história, o drama fora dela, a ausência nela, criada na orla da floresta, junto das primeiras árvores, urbano altera os indivíduos, fá-los iguais como o adolescente que me fantasma até tornar-se adulto para me destruir, o que se toca destrói-se, que se reserve um lugar para iniciar-se o novo processo, autora desloca-se do atelier à floresta, vê os que apanham a poluição que lhes satura os órgãos da respiração, sacos garantem doenças, pessoas garantem a existência do doentio dos sacos respiratórios, ninguém que dialogue, ninguém lhe responde por não haver nem familiares nem conhecidos, atelier é edifício para imigrantes que recebem por dia pão com Würstel, geografia identificada pela Würstel, outros pormenores na poluição debaixo da ponte que construíram para transporte de mercadorias, bens dispersam-se, urbanistas edificam hospitais, criaram psicologia adaptada aos parkings, ao sonoro, criaram o ranger dos maxilares, a respiração controlada pelos vizinhos que a vigiam espiam controlam, não lhe sugerem como desenvencilhar-se, a que filosofia fazer referência, o que se edifica no cérebro, autora sente a pressão glandular, o lacrimal aberto, alergia, nada de choro, as glândulas lacrimais vêm da bíblia, o drama nas lágrimas, na água salgada de que o adolescente se apodera, faz-me fantasma a destruir quando chegar a adulto, ele, adolescente, ser adulto pede acto autónomo, reconhecimento das relações com os que se estendem debaixo da ponte, noutros lugares de captação do urbano, nos canais, nas chalupas junto das fontes, nos bancos dos jardins, no que se toca, natureza farta-o, enchimento transmite aos sistemas sensíveis o necessário para me desfazer, para me abater no sombrio, maltratam-me com exames e análises, faço parte do necessário ao urbano, justificam-se com o que me fazem nos hospitais, na orla da floresta junto do arame farpado, na fronteira, estado geral do urbano é medido pela fronteira generalizada que se instaura à volta de cada urbano planeado para a protecção dos habitantes de tudo o que vem do exterior, urbanos não desenvolvidos administram a morte, o respiratório não melhora, o defeito urbano nas contruções que os arquitectos produziram, cubículos para habitação. A herança genética, tenho o que já outros tiveram, genética desfavorece a individualidade, sou igual aos antepassados, contenho a mesma carta identitária dentro das fronteiras onde me puseram com a justificação de ser/estar com os que formam o social que me impuseram, desapareço de Bruxelas, a fuga quando estiverem a dormir, desaparecimento, polícia investiga, procura-me, fotos nos postos de polícia, o administrativo resolve o que o grupo pede: que me identifiquem, destruída pelo adolescente/adulto em idade militar, consciência militar, consciência e idade, dois elementos comuns do estado adulto masculino, ser adulto masculino é ser consciente militar, masculino consciente do militar que o habita para me destruir, estou no saco-cama debaixo duma ponte, descobrem-me ensacada depois de esfacelada para germinar microrganismos, bestialidade desenvolve-se no que não resiste, vestido marca-me o exterior, o chapéu na cabeça, tive chapéu, não me reconheço, não tenho imagens ou fotos do que sou, do que fui na cama, no bidé, basta-me um descuido para sentir as imagens atribuídas pelos que me rodeiam, recuso as fotos que me tiram como autora na orla da floresta, no bidé, nas acções privadas em Bruxelas, sou independente do que me fazem, da luminosidade para ver os habitantes, faço um movimento rotativo da cabeça até onde posso, inválida quando fixo um ponto sem mexer, válida quando progrido na visibilidade dos que se multiplicam como clientes no quarto onde me puseram a foto a cama a mesa a cadeira, a teatralidade representa-me com a luz dirigida à cabeça, luz apanha-me inteira, descalço-me dispo-me, pronta ao estagnado, sem circulação interna, tal o susto e o esfriamento causado pelos que me desolam, desolham, modelos sociais provam-lhes o que devem fazer, sou um resultado amoral, sirvo para a negação, exemplo negativo na orla da floresta, incólume sem deitar palavra, a elasticidade exerce-se na marcha forçada do trabalho ao quarto com cama e bidé, montagem teatral coloca os clientes para que efeito: sou representação pública para os clientes, alguém me dá instruções, mise en scène, posições a que obedecer, como engrossar no sofá, como garantir filhos, a quem, como gerir o crescimento e a gestão do futuro deles, que garantia lhes ofereço, termos do administrativo: ofereço-lhes garantias de, sou a garantia dos fenómenos que me alteram, passo do são às vertigens, à ocupação da cabeça com miudezas, estremecimentos, aglutinações provocadas pelo sombrio, causo-me desastre sem que me examinem, estou de costas, não me altero diante dos que se inclinam para facilitar a saída dos gases, os sacos respiratórios não me garantem a continuidade disto, sacos deficientes rebentam se aumenta a tensão cerebral, a tensão psicológica que me localiza com perguntas, a quantas estou subordinada, a que geografia, alterações vêm do social, das retenções da água, do uso do bidé para o amolecimento dos órgãos femininos, não trato dos masculinos, não me incumbiram da administração deles, autora nas escadas que descem até ao patamar do lavabo, à torneira, à queda da água no lavabo, o circuito da água dentro e fora, a língua da autora de fora, pronta à limpeza dela própria, de mais nada que lhe recheie a cabeça e os membros, os terrenos onde põe os pés, inveja os que habitam no mesmo prédio, não se esconde deles, espera que morram antes dela de doenças acidentes assassinatos, que se percam nos patamares onde há lavabo, o patamar sujo, cores desbotam-se, buracos na parede, o que elabora vem do útero, do interno escondido, protegido pelas mãos, tropeça nos degraus, os braços descobertos, de sapatos rasos, autora veio doutro texto, presente neste para confirmar o terreno de Bruxelas, não tem onde estar, o rumor identificado pelo psíquico, os membros encurtam-se, autora sai de carteira de mão, ouvem-na, paredes lavabo torneira ouvem-na, objectos têm comportamento específico, transformam os possuidores, inquilinos estão junto do lavabo, empregam frases em relação a uma língua, uso da língua local, quem não a conhece fica de fora, de fora a autora que se identifica com várias, de sapatos rasos adequados ao rastejante, ao rasto, sacode a poeira a terra a lama a água dos orifícios por onde entram os motivos sociais, as regalias